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Turismo Pedagógico: uma configuração do estudo do meio como ferramenta fomentadora do currículo escolar
16/5/2006 - Francisco Castro

No campo dos aspectos didáticos procedimentais, o turismo pedagógico é uma experiência que proporcionará ao aluno, fora do ambiente da família e da escola, o uso de sua liberdade, ou seja, um momento em que ele desenvolverá o espírito de responsabilidade, frente a si e aos seus companheiros de viagem, exercitando sua sociabilidade, sua participação, sua liderança, seu respeito ao próximo e uma constante busca de soluções para os problemas novos e sua análise crítica aos padrões morais existentes. É um momento extremamente importante para aprendizagem do aluno, pois conta com a autonomia para construir e reconstruir símbolos.



Resumo 
O presente texto trata-se de uma abordagem sobre o estudo do meio como ferramenta do processo pedagógico para o enriquecimento do currículo escolar.
Palavras chave: Estudo do meio – turismo pedagógico

Introdução

Este artigo surgiu de implicações no sentido de encontrar respostas e contribuir para a pesquisa sobre o enriquecimento do currículo escolar no Brasil e tem o propósito de discutir algumas questões como: a) Uma viagem, excursão ou visita técnica para um ambiente que contenha elementos capazes de facilitar os ensinamentos restritos e ensinados na sala de aula durante o ano letivo são capazes de auxiliar na fixação dos conteúdos básicos? b) Os conteúdos ensinados na sala de aula podem ser melhor explorados com experiência extra-escolar? c) As aulas se tornariam mais atrativas se houvessem aulas externas atreladas a formas didático-pedagógicas capazes de facilitar o processo-ensino aprendizagem?

Existem, por outro lado, algumas considerações a cerca do assunto, tais como:

a) É mais fácil para o aluno aprender um conteúdo de uma matéria com atividades que paralelamente a aula aconteceriam fora da escola por meio de uma excursão, viagem ou visita técnica? - A resposta pode estar no fato de que existe uma necessidade de melhoria da aula convencional limitada ao espaço das quatro paredes privilegiando a incorporação sistemática de atividades extra aula no currículo escolar. Ao longo de sua vida escolar muitos alunos são capazes de relatar algumas experiências vivenciadas fora da escola e que marcaram tanto pela questão da interação da sala como pela aprendizagem individual. Portanto, a possibilidade em fazer com que o aluno tenha motivação em aprender cada vez mais os conteúdos ensinados em sala de aula com atividades que façam-no se deslocar para além dos limites da sala de aula, configurar-se-ão como um importante processo pedagógico.

b) Se o aluno tivesse de escolher entre uma aula prática (visita técnica, viagem ou excursão) e uma aula teórica em sala de aula, qual escolheria? - Pensa-se que levando-se em conta que o aluno que vive na era da informação, influenciado por um mundo globalizado em que as informações chegam com muito mais rapidez e perspicácia, preferirá uma aula dinâmica configurada por experiências práticas. Isto significa afirmar que as aulas integralmente teóricas, apesar de fundamentais e necessárias, podem ser ainda mais estimulantes. Assim sendo, o destaque dado pela preferência em se ter uma aula prática configurada por meio de uma excursão, viagem ou visita técnica nos leva a perceber que é preciso dinamizar o processo ensino-aprendizagem de forma eficaz e qualitativa, ou seja, é possível o surgimento de atividades capazes de deslocar os alunos para além da sala de aula para estudar no meio em que vivem sob novos aspectos sobre o conteúdo curricular, fator que certamente facilitará seu aprendizado.

c) Considerando a possibilidade de unir aulas práticas (fora do espaço escolar) e teóricas qual seria a preferência do aluno? - Pensa-se que esta possibilidade apenas ratificar o fato de que as aulas teóricas podem ultrapassar as barreiras das quatro paredes, todavia de forma organizada e planejada. Acredita-se que as aulas serão mais estimulantes se ultrapassarem o espaço da sala de aula. Então faz-se necessário concluir que deve-se dar importância às aulas teóricas sendo complementadas por aulas diferenciadas, ou práticas. Neste sentido, as excursões, visitas técnicas ou viagens conhecidas como estudo do meio, podem configurar-se como uma modalidade turística educacional, a qual pretende-se denominar turismo pedagógico.

1. O estudo do meio: sua configuração em turismo pedagógico como ferramenta fomentadora do currículo escolar.

Em primeiro lugar é preciso esclarecer que atividade didático-pedagógica é toda atividade relacionada ao processo ensino-aprendizagem, ou seja, que tem como principal objetivo estimular o educando a aprender um determinado tipo de conhecimento em diversas áreas. Dar-se-á ênfase neste texto às atividades extra classe que se identificam por meio de uma excursão, viagem ou visita técnica. As atividades didático - pedagógicas extra classe são muito importantes na medida em que são organizadas e inseridas no currículo escolar; por isso acredita-se piamente que o processo ensino - aprendizagem ultrapasse os limites da sala de aula e mais, esta assimilação é capaz de desenvolver plenamente, preparar para viver em sociedade e formar nossos alunos para o exercício da cidadania.

Só se torna cidadão consciente dos direitos e deveres o indivíduo portador do conhecimento, ou seja, é preciso construir a cidadania a partir de princípios educacionais instrutivos. Para isso, o currículo escolar deve ser flexível e estar preparado para a adoção de medidas que possibilitem ampliar os espaços de construção do saber. Deste modo, propõe-se aqui uma reflexão a respeito de integrar duas áreas de abrangência científica: o turismo e a educação de forma que estes dois elementos auxiliam na consolidação de um novo segmento turístico denominado turismo pedagógico, a partir do estudo do meio como forma de enriquecimento do currículo escolar.

Posto isto, faz-se necessário pautar as reflexões aqui destacadas a acerca de uma única questão: é possível a configuração do estudo do meio em turismo pedagógico como uma ferramenta de enriquecimento do currículo escolar? Para possíveis respostas à questão formulada parte-se do princípio que este estudo tem início aos aspectos que se relacionam com o estudo do meio, ou seja, tem como ponto de partida este estudo, pois o meio em que vivemos compreende o nosso modo de ser e estar e está sendo deixado em segundo plano diante desta sociedade imediatista conjunturalmente. Além disso, o estudo do meio pode ser compreendido como um fator determinante na concepção de significados, como esclarece o documento intitulado Currículo Nacional do Ensino Médio (MEC, 2001) por meio das competências essenciais, entre elas a do estudo do meio, ao referir-se que o

estudo do meio pode ser entendido como um conjunto de fenômenos, acontecimentos, fatores e/ou processos de diversa índole que ocorrem no meio envolvente e no qual a vida e a ação das pessoas têm lugar e adquire significado(MEC, 2001).

A citação supracitada tem pertinência quando se pensa que o meio tem um importante papel no processo ensino - aprendizagem: facilitar esse processo como um agente condicionante e/ou determinante na construção e assimilação do conhecimento, nas experiências e atividades humanas e na vida em si, ao mesmo tempo em que o ser humano inserido neste processo como sujeito das ações elencadas estará sujeito ás transformações contínuas de construção e reconstrução do saber. Há dois enfoques para a consolidação da idéia de que o turismo pedagógico é uma importante ferramenta de enriquecimento do currículo escolar: o conceito de estudo do meio e de turismo pedagógico, ambos partes complementar do processo pedagógico. Para a configuração conceitual sobre o turismo pedagógico autores como Domingos de Toledo Piza (1992) e Hilário Ângelo Pelizzer (2005) são pioneiros. É neles que se encontrarão os principais suportes teóricos para este estudo.

Sobre o estudo do meio parte-se do princípio de que para que cada pessoa possa, fazendo uso de sua liberdade, ser seu próprio agente na formulação e solução de seus problemas - numa civilização permanentemente em mudança - torna-se necessária a adoção de processos pedagógicos que promovam a emancipação pessoal na adaptação de situações novas. O estudo do meio é um dos processos pedagógicos usados pela escola e é uma maneira de, numa atividade extra classe, "atingir os objetivos que o mundo contemporâneo exige de cada um de nós" (PIZA, 1992). É uma atividade que se realiza fora da sala de aula, mas que tem seu início e seu término nela também. Este processo passa por etapas formulados por Piza (1992), em que escolhido o centro de interesse, destacam-se:

a) Primeira etapa: nesta etapa ocorre a primeira fase do processo que é uma preparação em classe pelos professores das diversas matérias, dentro de um plano integrado de ensino. É o momento do planejamento propriamente dito; b) Segunda etapa: nesta fase o aluno vai aos locais observar documentos, entrevistas, experimentar e vivenciar as situações aprendidas teoricamente. É o momento da prática procedimental que se formata numa excursão, visita técnica ou viagem; c) Terceira etapa: nesta terceira e última fase, de volta a classe, o aluno explorará os resultados por meio da apresentação de suas conclusões e isso pode ocorrer em forma de seminários, relatórios, áudio visuais, dramatizações, portifólios, ou seja, desenvolvendo seu crescimento intelectual e humano juntamente com sua criatividade.

Segundo Pelizzer (2005), este processo ao levar ao aluno a uma visão do mundo e do homem no tempo e no espaço pode resultar em mudança de atitudes perante a vida, promovendo uma melhor adaptação do indivíduo consigo mesmo e com o meio em que vive. Esta atividade extra classe que implica numa viagem ou excursão, deve ser conduzida como um meio do qual se podem atingir as finalidades do processo. Desta forma, o aluno vai sentir que os elementos estudados na escola separadamente como geografia, história, arte, economia, religião, vida social e política são encontrados e vivenciados como se apresentam na realidade, isto é, integrados no todo e isso é que vai agregar valor ao currículo escolar garantindo a qualidade do ensino dos conteúdos programáticos. Ainda em Piza, o estudo do meio tem dois objetivos a atingir:

a) No campo do conhecimento;

b) No campo das atitudes.

No campo do conhecimento o objetivo é dar oportunidade ao aluno de identificar e vivenciar. Para isso destaca o autor os seguintes aspectos pedagógicos: espaço geográfico; características da população - hábitos e costumes; importância da economia; meios de transporte; música, danças e folclore; influência artística e religiosa e condições de saneamento básico.

A configuração do estudo do meio em turismo pedagógico como uma ferramenta fomentadora do currículo escolar não tem só amparo pedagógico, tem amparo legal, a começar pela Lei Complementar 444/85 que institui o estatuto do magistério paulista, a qual esclarece no inciso IV do artigo 61, sobre os direitos do professor:

Ter liberdade de escolha e de utilização de materiais, de procedimentos didático-pedagógicos e de instrumentos de avaliação do processo ensino-aprendizagem, dentro dos princípios pedagógicos, objetivando alicerçar o respeito à pessoa humana e a construção do bem comum.

O artigo supracitado esclarece que as atividades extra classe podem ser parte complementar da autonomia escolar e conseqüentemente de seu projeto pedagógico, todavia é preciso que a escola tenha consciência desta autonomia como elemento principal do processo de gestão democrática. Se bem planejadas e/ou organizadas de modo a encadear todo o currículo escolar, as atividades extra classe atenderão ao propósito dos princípios da gestão democrática que amparam na Constituição Federal de 88 em seu inciso II do artigo 206, que afirma: " O ensino será ministrado nos seguintes princípios: II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber". Neste sentido, é interessante exemplificar o quanto seria estimulante para o aluno aprender sobre a história da fundação da cidade de São Paulo participando de um tur ao centro da cidade. Certamente para o aluno esta estratégia de ensino é muito mais dinâmica e interessante do que uma aula convencional.

A partir de uma atividade deste porte, em que a motivação do deslocamento seja a aprendizagem, é provável que as chances de interação entre classe e professor sejam mais eficazes para a consolidação do processo ensino - aprendizagem e para o exercício da cidadania, como sugere o inciso V do artigo 237 da Constituição Federal ao enfatizar a importância de se preparar o aluno ensinando-o a viver em sociedade a partir do domínio de conhecimentos técnico-científicos:

O ensino será ministrado nos seguintes princípios:

V – O preparo do indivíduo e da sociedade para domínio dos conhecimentos científicos e tecnológicos que lhes permitam utilizaras possibilidades e vencer as dificuldades do meio, preservando-o.

E ainda a lei 8069/ 1990 que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente também dá bases legais para as atividades extra classe, em seu artigo 57, atentado-nos para a compreensão de sua importância no processo pedagógico: "Artigo 37 - O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas a calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação". A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN 9394/96 em seu terceiro artigo, incisos II, III, VIII, IX, X e XI ao enfocar os princípios do ensino que será ministrado, traz uma importante base legal para a idéia de transformar as atividades extra classe conhecidas como estudo do meio em uma modalidade de turismo educacional denominada turismo pedagógico:

Artigo 3 – O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;

VIII – gestão democrática do ensino público (...);

IX – garantia do padrão de qualidade;

X – valorização da experiência extra escolar;

XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

Do ensino médio observa-se o artigo 36 da LDB em seu inciso II que afirma: " O currículo fará (...) as seguintes diretrizes: II – adotará metodologias de ensino que estimulem a iniciativa dos estudantes".

Finalmente, vê-se a configuração do estudo do meio em turismo pedagógico como uma concretização do ideal (CNE, nº 4/98) de uma escola para todos, que se faz conforme seu planejamento, desenvolvimento e avaliação dos processos educacionais, que revelem sua qualidade e respeito à equidade de direitos e deveres de alunos e professores e que ofereça múltiplas formas de diálogo, com trabalhos diversificados que devem ser garantidos como recursos de aprendizagem e de fortalecimento de identidades pessoais e sociais na construção de uma gestão escolar democrática.

Conclusão

No campo dos aspectos didáticos procedimentais, o turismo pedagógico é uma experiência que proporcionará ao aluno, fora do ambiente da família e da escola, o uso de sua liberdade, ou seja, um momento em que ele desenvolverá o espírito de responsabilidade, frente a si e aos seus companheiros de viagem, exercitando sua sociabilidade, sua participação, sua liderança, seu respeito ao próximo e uma constante busca de soluções para os problemas novos e sua análise crítica aos padrões morais existentes. É um momento extremamente importante para aprendizagem do aluno, pois conta com a autonomia para construir e reconstruir símbolos.

Por isso é que a escola tem que ter uma dinâmica na transmissão dos seus princípios, advinda de um projeto político - pedagógico originado por meio de um processo de gestão democrática e de um currículo flexível, que permita ao aluno crescer de dentro para fora e não de fora para dentro, para na hora do contato com a realidade ele possa estar preparado para sair-se bem diante dos problemas novos. É neste momento que o aluno vai perceber que é muito mais difícil ser livre do que ser dirigido.

É nessa dinâmica que o turismo se faz presente destacando como um elemento chave na operacionalização deste processo ao configurar-se como parte integrante, pois para realizá-lo são necessários transporte, hospedagem, alimentação, passeios visitas e mais, para o êxito deste estudo do meio é indispensável a participação da escola e da família, ou seja, que haja uma escola democrática, regida por um conselho escolar atuante e que contribua para a formação de um homem democrático. Para atingir-se a formação do homem democrático é imprescindível que o ensino não fique apenas na teoria e sim tem que estar baseado também na reflexão das situações de uma forma vivenciada. Na perspectiva da formação do espírito democrático a contribuição principal do estudo do meio é permitir contatos com novos hábitos, costumes e culturas diferentes, levando o aluno a sentir que o nosso mundo não se resume ao meio em que vivemos (a apenas o espaço da sala de aula) e que temos de respeitar os hábitos e costumes de outras pessoas e outros povos.

Diante do exposto é notável que há barreiras a se enfrentar para atingirmos os objetivos do ensino democrático. De um lado, os conservadores dos processos de ensino tradicionais e de outro os resistentes a esta forma de educação destas pessoas que acreditam que a aula limita-se ao espaço interno da sala de aula. Para estes a política educacional tem um sentido totalitário, em que a educação é fornecida a todos, mas dirigida de acordo com os interesses do regime político, como o caso da educação em Cuba e foi o da República Soviética e da China. Nestes casos de mesmice educacional que limita a aula ao espaço interno de uma sala, o pensamento se desenvolve dentro do espaço e do tempo em que vivem não dando-nos a oportunidade de conhecer outras formas de vida e de pensamento, ou seja, geometrizando a liberdade.

Os alunos, quando questionados sobre o que preferiam, se a liberdade ou a falta dela, certamente se dividirão entre optar por atos direcionados ao invés de decidir por si próprios, é mais cômodo ou escolher aleatoriamente, mas com orientação do professor. Diante dessa dualidade de decisão, o mundo democrático já dá a responsabilidade também ao cidadão fazendo-o participar das decisões de ordem social, política e todas as demais áreas da atividade humana, entretanto assim como a liberdade é uma conquista, a democracia também. Nestas conquistas o estudo do meio é importante na medida em que contribui para atingir os objetivos do mundo democrático, pois ele abrange a juventude, que é a responsável pelo mundo de amanhã. Sendo assim, o enriquecimento do currículo escolar, por meio do turismo pedagógico, torna-se uma ferramenta pedagógica escolar capaz de dar maior significação a este currículo e ao conhecimento assimilado.

Sobre o turismo pedagógico, já que o processo de construção e assimilação do conhecimento, também chamado de processo ensino-aprendizagem envolve professor (educador) e aluno (educando), o turismo pedagógico tem nestes dois perfis sua principal área de abrangência, mas não desconsidera as demais.

Neste momento faz-se necessário optar pela configuração do estudo do meio proposto por Pelizzer (2003) em uma nova proposta de segmentação do turismo influenciado pelos estudos de Piza (1992, p.72) ao enfocar a importância do estudo do meio no processo pedagógico. Aqui a intenção é configurar este estudo em um novo segmento do turismo: o turismo pedagógico. O turismo pedagógico tem como enfoque principal considerar o conjunto de atividades extracurriculares que agregam valor ao currículo oficial das instituições de ensino, ao perfil profissional do turista educador e ao repertório cultural do turista aluno. Neste sentido o turismo pedagógico compreende formulações de técnicas e metodologias utilizadas para uma melhor condução da ação educativa e tem a finalidade da contextualização dos saberes que estão inseridos no currículo escolar, tendo na viagem e nas excurções o elemento motivador da aprendizagem. A motivação é fundamentalmente educativa sendo que os processos formativos reduzem-se aos procedimentos conceituais, procedimentais e atitudinais.

A importância do turismo pedagógico ganha uma dimensão educativa com exemplos como um dos principais parques de diversões e entretenimento de São Paulo: o Playcenter, que possuem um trabalho específico para professores. Este trabalho resume-se em apresentar atividades em que há uma fundamentação pedagógica no momento em que os educandos se divertem nos brinquedos. Há um processo de contextualização do que se aprende em sala de aula, como o estudo da gravidade, a geometria ou expressões idiomáticas em inglês e demais conteúdos programáticos, a fim de tornar uma excursão de lazer em mais uma alternativa extracurricular complementar do processo ensino – aprendizagem e do currículo.

O turismo pedagógico é importante porque proporciona ao indivíduo sentimentos de conservação, manutenção e valorização dos bens patrimoniais, culturais e ambientais. Por este fator, a possibilidade de expansão espacial do conhecimento para além das quatro paredes torna-se uma importante ferramenta em que a riqueza das ações pedagógicas dá significado às aprendizagens. Ir a campo para aprender na prática todo o conteúdo programático dado em aula facilita o processo de assimilação do conhecimento porque os alunos estão inseridos numa sociedade regida por leis naturais e imersa num universo de relações sociais em que a concepção de construção e reconstrução de teorias são processadas mais rapidamente pela dinâmica da aprendizagem do real e não do abstrato. Deste modo estará a escola cumprindo com eficácia sua função social: preparar o aluno para se desenvolver, formando-o para o exercício da cidadania e para o convívio em sociedade.

Referências

BRASIL. Currículo nacional do ensino básico — competências essenciais. Ministério da Educação, 2001.

Constituição da República Federativa do Brasil - promulgada em 5 de outubro de 1988.

Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental: Indicação CEE nº8. CFE – de 25/7/2001.

L. C. n.º 444/85 - Dispõe sobre o Estatuto do Magistério Paulista. Art. 61 a 63 e artigo 95.

Lei Federal n.º 8.069/90 - Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Lei Federal n.º 9394/96 - Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

PELIZZER, Hilário Ângelo. Turismo e educação- um processo informal de ensino e aprendizagem. São Paulo: Manole, 2003 (no prelo).

PIZA, Domingos de Toledo. Estudo do meio como processo pedagógico. Turismo em Análise. São Paulo: ECA-USP, v.3, N1, pág.72, Maio/92.

 

 

 

 

 

 


 
 

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