"Mire, veja:
o mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas –
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam."
Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa
Mesmo diante de tantos avanços, ainda é preocupante a desigualdade presente na sociedade. Um dos reflexos dessa situação é o preconceito que atinge tantas pessoas, inclusive, os portadores de necessidades especiais.A falta de equipamentos adequados para atender os cidadãos com alguma deficiência ainda é um grande problema e um imenso desafio.
Na atividade turística não é diferente e esse é o tema que trataremos nesse canal. O turismo está se adequando ou se aprimorando para atender o turista com necessidades especiais? O tão falado “turismo sustentável”, amplamente expressado em textos, projetos, declarações, está contemplando com igualdade o acesso a essa atividade para todos os cidadãos?
Hoje já dispomos de leis que determinam que os equipamentos públicos ou privados estejam aptos a receber os cidadãos com deficiências. Ainda temos muito que caminhar para o cumprimento das leis e para que a sociedade diminua e gradativamente elimine as barreiras que impõe aos cidadãos portadores de deficiência.
É bom não esquecer das crueldades históricas que nos envergonham e pensar no que ainda acontece próximo disso: lugares precários com doentes ou idosos sem tratamento adequado, pessoas “escravizadas” em ricas fazendas, falta de escola e transporte para atender as crianças com necessidades especiais e muito mais.
E, para finalizar, convido o leitor a refletir sobre dois pontos de conexão:
“Na Antiguidade Clássica, a idéia de igualdade era estendida a um grupo limitado de pessoas: aos considerados cidadãos. As pessoas com deficiência, na época, eram vistas como se sua condição fosse sub-humana, o que justificava que fossem abandonadas, ou mesmo eliminadas, como ocorria em Esparta.”
“A compreensão mais recente da deficiência entende que as incapacidades são produzidas na interação com o ambiente e são frutos da forma como este está organizado. Por isso, a sociedade é que deve transformar-se, no sentido de eliminar as barreiras que impedem a pessoa de exercitar plenamente as suas capacidades e exercer sua cidadania.”
Susie Alcoba