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Turismo de incentivos: uma síntese mercadológica
3/7/2006 - Westerlei Sousa Mesquita

.



RESUMO

O trabalho realizou um estudo sobre o segmento de turismo de incentivos, mostrando a sua origem e evolução. Relatou-se brevemente suas características e alguns de seus dados, como também, descreve-se de forma superficial algumas partes da legislação que envolve o tema. O estudo tem o intuito de analisar se o Brasil possui realmente, segundo comentam vários especialistas, um dos maiores potenciais neste segmento.

Palavras-chave: viagens de incentivos, empresas, produtividade.

ABSTRACT
This paper carried through on the segment of tourism of incentives, showing its origin and evolution. Told about its characteristics briefly and some of its data, as well as, describes of superficial form some parts of the legislation that involves the segment. The study has intention to analyze if Brazil really have like some specialists comment one that the greaters potential in this segment.

Key-words: Incentive travel, companies, productivity

Considerações Iniciais

A competição imposta pelo mundo globalizado tem exigido cada vez mais preparo e melhor desempenho das equipes das empresas. Fato esse, que fomenta as empresas a investir em treinamentos, desenvolvimento profissional e pessoal de cada membro da equipe, como também em benefícios e atrativos salariais. Nesse contexto, o estudo realizou uma síntese sobre o turismo de incentivos, que é um estimulo de premiação dado pelas empresas ao reconhecimento e motivação ao desempenho e produtividade dos funcionários e colaboradores. Por conseguinte, o trabalho buscou averiguar a origem e a evolução dessa atividade, descrevendo suas características básicas principais.

A pesquisa fez um breve relato sobre o mercado atual de turismo de incentivos no Brasil e no mundo, apresentando a importância das viagens de incentivos para o crescimento do turismo nacional. Quanto aos aspectos que compõem a legislação sobre o tema, fez-se uma breve análise de algumas leis sobre a distribuição gratuita de prêmios e aos direitos trabalhistas.

Após o levantamento dos pretensos interesses da pesquisa, os aspectos peculiares e a evolução da atividade, a pesquisa procurou esboçar os problemas e oportunidades desse segmento de turismo. Deste modo, o presente trabalho analisa estágio atual em que se encontra a atividade, principalmente no Brasil.

O estudo utilizou-se pesquisa da bibliográfica sobre o tema, sendo esta, realizada por meio de um estudo sistemático a livros, revistas, artigos, consultas pela internet e em outras fontes acessíveis ao público em geral. Ressalto nesta parte do trabalho, a dificuldade encontrada em conseguir informações sobre o tema, pouco estudado e abordado no turismo.

1. Conhecendo as Viagens de Incentivo

As viagens de incentivos são um "produto", entre vários, provenientes do marketing de incentivo, uma ramificação do Marketing. Sendo que, a origem do marketing de incentivos e até mesmo de algumas formas de turismo estão relacionados aos Jogos Olímpicos da Era Antiga 456 aC a 393 dC, conseguiam fazer com que várias viagens fossem empreendidas, no intuito, de que as pessoas participassem dos jogos disputados na cidade de Olímpia (IGNARA, 2003,p.4). Enquanto que, em forma de marketing de incentivos, os atletas que disputavam, recebiam premiações para romper os seus próprios limites. Segundo Torres (2000,p.1):

Toda inspiração dessa moderna ferramenta vem dos jogos olímpicos da Era Antiga, há aproximadamente 3.000 anos, quando as técnicas de incentivos já eram utilizadas, motivando não só a superação das marcas, mas também, a cada batalha vitoriosa de seus exércitos.

Naquela época o valor material de uma vitória não era tão importante como atualmente. O que realmente importava era a conquista da coroa de louros, sinônimo de honra que essa representava perante a comunidade.O que sustentava os ideais e as conquistas desses jogos era o trinômio, motivação, reconhecimento e recompensa. A motivação é o entusiasmo que pode ser descrito como um impulso interior que um indivíduo apresenta ao querer atingir determinado objetivo, é animo que garantirá o engajamento da pessoa nos objetivos de um programa de incentivo. O reconhecimento era o principal alvo dos atletas, sendo que, esse reconhecimento também é bastante cobiçado no marketing de incentivo, mas não tanto quanto a recompensa. Na atualidade esse reconhecimento pode ser representado por placas, troféus e outros símbolos. A recompensa é hoje alvo maior dos competidores da área de incentivo porque o status social é determinado agora pelo que você tem ou pode comprar.

Como se pode notar, existe grande relação entre o marketing de incentivos e a historia dos jogos Olímpicos, segundo comenta Torres (2000,p.4):

Traçando paralelos entre a historia dos jogos Olímpicos e o Marketing de Incentivos, podemos apontar algumas analogias. Assim como o Estado tinha nos jogos Olímpicos uma fonte de preparação dos atletas para combates, as empresas estabelecem programas de incentivos para suas equipes mais do que uma forma de premiar os melhores; tais programas visam treinar, capacitar equipes para um mercado altamente competitivo, que, mais do que nunca, se parece com uma batalha. Dessa forma, treinamento e capacitação estão acima dos prêmios que acaba distribuindo.

Acredita-se que as primeiras estratégias do marketing de incentivo tenham sido aplicadas pela industria automotiva norte-americana em seus funcionários. Entretanto, existe a informação de o marketing de incentivos surgiu principalmente por causa do comerciante norte-americano de sabão B. Babbit, que passou a oferecer brindes às pessoas que adquirissem determinado número de comprovantes de compra de seu sabão.

A idéia das viagens de incentivo como forma de motivar funcionários para um melhor desempenho é originária dos Estados Unidos. De acordo com Ansarah (1997,p.58), o primeiro exemplo registrado foi em 1906, na empresa National Cash Register Company of Dayton, em Ohio. Na ocasião, 70 vendedores foram premiados com alfinetes de diamantes, além de uma viagem à matriz da empresa. Durante as décadas de 30 e 40, observou-se um declínio nas iniciativas desse tipo devido à queda da bolsa de valores em 1929.

Embora a literatura acadêmica sobre o tema seja escassa, existem alguns autores que conceituam essas viagens de incentivos, como Ansarah (1997,p.57):

Viagens de incentivo são aquelas que uma empresa oferece a empregados, vendedores, clientes, ou outras pessoas com quem tenha relações, gratuitamente, sob condições estabelecidas antecipadamente. São parte de um programa de promoção de vendas ou de ralações públicas de uma empresa. (ANSARAH, M. G, 1997p.57)

Enquanto a SITE adota o conceito de Ricci e Holland (apud ANSARAH 1997,p.59) que definem viagens de incentivo como:

[...] uma moderna ferramenta administrativa usada em campanhas de aumento de produtividade, que oferece viagens como prêmio aos participantes mais bem sucedidos em troca do desempenho mostrado na obtenção de melhores resultados.

Atualmente, o marketing de incentivo tem diversos usos como aumento do faturamento, lançamento de produto, melhoria de qualidade, fidelização de clientes e qualquer outro objetivo que influencie positivamente nos resultados.

O mercado mundial de promoções movimenta cerca de US$ 300 bilhões anuais. No mercado brasileiro essa atividade movimenta cerca US$ 2 bilhões por ano, sendo que 20% desse valor estão nas viagens de incentivo. Segundo especialistas essas viagens são o prêmio máximo dentro do incentivo, pois deixa na lembrança do beneficiado um efeito residual de até 10 anos. O marketing de incentivo, hoje é a melhor ferramenta de solução imediata dos problemas das empresas, segundo relata Torres (2000,p.8):

[...] uma alternativa final, quando todo o restante não vai bem. É a ferramenta do ‘vai ou racha’ e tem crescido significativamente em função de sua efetividade, velocidade de resposta e da principal característica: autopagável.

Quando uma empresa desenvolve programas motivacionais, surge a dúvida "Qual é o melhor prêmio?". Um carro é um prêmio melhor que o valor em espécie? Ou será que uma viagem é melhor? O prêmio oferecido a 500 promotores de vendas da Avon não despertaria o mesmo interesse em 500 gerentes de agência do Banco Safra. E é fácil entender o motivo, cada um desses dois segmentos tem um determinado perfil, do tipo: da Avon são todas mulheres, sem formação superior, casadas, com filhos etc. Já os gerentes do Banco Safra são 80% do sexo masculino, todos com formação superior, 50% casados, a maioria sem filhos etc.

O Departamento de Relações Humanas de uma empresa deve ter meios de detectar o perfil de seus funcionários, denominado como briefing; quando a área de RH ainda não tem traçado esse perfil, é necessário obtê-lo para que a premiação seja realmente estimulante. A melhor maneira de detectar o perfil da população é aplicando uma pesquisa no público-alvo da campanha, pegando as informações básicas como nome, sexo, idade, estado civil, grau de escolaridade, hobby, esportes que pratica, nível salarial etc.

Atualmente, para cumprimento de metas, para obtenção de melhores resultados, as empresas vêm incentivando os funcionários por meio de prêmios de reconhecimento a excelência profissional. Ansarah (1997,p.57) salienta que:

[...] As empresas vêm se preocupando em incentivar e premiar o bom desempenho de seus colaboradores com opções diferenciadas, que proporcionam aos participantes das campanhas momentos de verdadeira emoção e gratificação.

Uma das formas mais propícias e difundidas na atualidade para premiar ou reconhecer a excelência profissional, com um diferencial de forte apelo cultural, emocional e psicológico, são as viagens de incentivo, que proporcionam aos vencedores o lazer e o descanso merecidos, em meio às atividades grupais prazerosas e altamente socializadoras.

Viagem de incentivo é quando um grupo de pessoas vai para um destino pré-estabelecido, em baixa temporada, com direito a acompanhante. É uma viagem diferente daquelas realizadas através de pacotes turísticos. Na maioria dos casos o roteiro é massificado e não há muito tempo disponível para apreciação do lugar.

A viagem de incentivo é preparada sob medida, atendendo o perfil dos premiados. São escolhidos os melhores hotéis, os restaurantes mais badalados, os passeios imperdíveis, todos os "transfers" exclusivos para o grupo, podendo chegar ao requinte de ter o cardápio pré-selecionado para evitar constrangimentos com a dificuldade de uma língua estrangeira, quando o destino é internacional.

A presença do acompanhante também é fundamental, já que eles dão o apoio durante a campanha para que os participantes se sintam encorajados a superar suas metas, e nada mais justo que compartilhar desses momentos especiais. Portanto, a escolha do destino tem que ser compatível com o perfil do público.

Todos esses diferenciais é que vão fazer com que os premiados se sintam verdadeiros vencedores. Eles voltarão com a sensação de serem pessoas privilegiadas, pois, de outra forma, não conseguiriam realizar aquele sonho. Geralmente as viagens de incentivo são realizadas na baixa temporada por dois motivos: primeiro porque na baixa estação é mais fácil conseguir uma melhor prestação de serviços por parte de todos os fornecedores (hotéis, companhias aéreas, restaurantes), já que nessa época o fluxo turístico é menor, e os estabelecimentos precisam ocupar as vagas disponíveis; o segundo motivo é que nesse período a viagem é mais barata.

O produto de premiação de viagem é muito bem aceito pelos clientes. Infelizmente, os destinos, na sua grande maioria, ainda são internacionais, sendo raramente usados destinos domésticos. Não há nisso nenhum preconceito, trata-se apenas da velha equação custo x benefício. Quando o cliente compara o gasto para levar o grupo da sua empresa para o exterior com os custos dos destinos nacionais como Club Méd, Sauípe, Transamérica, acaba optando pelo internacional. No Brasil, o custo interno da viagem aérea é exorbitante e a possibilidade de manobra para negociação de grupos, tanto terrestre quanto aéreo, é muito pequena. Falta ainda um entendimento sobre o que representa o produto viagem de incentivo e o que ele movimenta no mundo dos negócios.

A duração de uma viagem de incentivo não deve ultrapassar 8 (oito) dias, pois os premiados são os melhores funcionários da empresa, e afastá-los por muito tempo pode prejudicar o rendimento do serviço, afinal, esse período não deve ser descontado do período de férias desses profissionais, pois se trata de um prêmio e não de férias pagas, e o prêmio deixa maior residual de lembrança para o participante, chegando à marca dos 10 anos, segundo Souza (2004,p23-24).

O crescimento constante desse tipo de incentivo motivou a criação de organizações como a SITE (Society of Incentive Travel & Executives). A organização agrupa representantes de diversas especialidades: consultorias de marketing, agências de incentivo, de promoção e propaganda, companhias de transportes, operadoras de turismo, bureau, redes hoteleiras e empresas de lazer, com um total de aproximadamente 2500 membros.

2. Os tipos viagens de incentivo

De acordo com a quantidade de pessoas a serem premiadas, as viagens de incentivo podem ser divididas em dois tipos: as viagens em grupo ou individuais. Dessa forma, para ambas podem ser utilizados ‘forfait’ – viagens exclusivas –, pacotes ou cupons de viagens – os ‘vouchers'.

Para as viagens individuais, que geralmente são de empresas de pequeno porte ou são iniciativas departamentais, não é necessária a contratação de agências de incentivo, pois a própria empresa toma as devidas decisões, deixando, às vezes, para o premiado organizar alguns detalhes, como o visto e informações sobre o destino.

Já as viagens em grupos são utilizadas em programas com orçamento mais elevado. Para essas viagens, planejam-se, geralmente, os ‘forfait’ que permite a formatação de um roteiro exclusivo, podendo incluir vistas técnicas e até mesmo reuniões. Há ainda a possibilidade, embora pouco comum, mesmo em viagens em grupo, de fazer um ‘forfait’ individual. Assim, permite estreitar laços entre a empresa e o funcionário, fortalecendo, dessa maneira, a sua marca.

3. Os programas

Assim como nas agências de incentivos, existe uma grande dificuldade em se conseguir informações sobre os programas de incentivo desenvolvidos pelas empresas-cliente. Essa escassez de informações sobre viagens de incentivo é geralmente relacionada a programas de menor porte, por isso os programas são muitas vezes relacionados a investimentos e custos altos.

No Brasil, a maioria dos programas visam à motivação de clientes internos e obedecem a características gerais dos programas de incentivo, onde é muito grande o número de empresas e entidades envolvidas no planejamento e execução das viagens de incentivo. Dentre os objetivos dos programas apenas 27% tinham a finalidade de melhorar a imagem do produto no mercado (seja no atendimento, na qualidade ou na apresentação) enquanto 73% visava o incremento das verbas

Os programas de viagens de incentivo são realizados em conjunto por várias empresas, mas a análise dos acordos e roteiros entre as empresas é muito difícil devido à manutenção do sigilo em relação aos orçamentos e diferenciais que envolvem cada cliente; só é possível analisar genericamente os tópicos abordados na evolução das viagens de incentivo, abordando origem, características, empresas e clientes. Apesar de vários destinos, duração e número de participantes, as viagens geralmente não perdem suas características.

A viagem de incentivo, bem realizada, está relacionada a muitas empresas envolvidas na prestação dos serviços, incluindo a qualidade do serviço, os benefícios e sua avaliação. Diante disso, é notória a falta de informações esse mercado, principalmente em âmbito nacional, muitas vezes, pela influencia dos acordos entre o as empresas envolvidas e as especializadas, que estão crescendo com estas operações em conjunto.

A promoção da viagem-prêmio está relacionada à fantasia que esta representa para os participantes, pois os vencedores recebem uma viagem com caráter totalmente exclusivo, diferente de qualquer viagem, com surpresas, eventos especiais, fazendo com que os incentivados tenham uma experiência "única", principalmente se envolver viagens para o exterior, que têm um custo muito alto se feito em caráter particular, daí o grande esforço dos funcionários para estabelecer as metas desejadas, em busca de uma ótima opção de lazer, no caso, a viagem-prêmio.

O turismo de incentivo, apesar da falta de informações é uma ferramenta inovadora que propicia grandes resultados, daí a importância de estudos futuros que possibilitem um melhor entendimento e evolução desse mercado.

Conclui-se que o mercado de viagens de incentivo criou um conjunto de atividades que envolve toda a indústria turística e que requer especialização das empresas operadoras, pessoal experiente, capacitado e preparado tecnicamente para o planejamento e a prestação de serviços de qualidade.(ANSARAH,1997,p.73)

4. A legislação sobre o tema

A única legislação existente, refere-se à distribuição gratuita de prêmios, mediante sorteio, vale-brinde ou concurso, a título de propaganda, consubstanciada na Lei nº 5.768, de 20-12-1971, regulamentada pelo Decreto nº 70.951, de 09/08/1972. A referida legislação estabelece que a distribuição gratuita de prêmios, a título de propaganda quando efetuada mediante sorteio, vale-brinde, concurso ou operação assemelhada, dependerá de prévia autorização do Ministério da Fazenda e não se aplica ao mercado de turismo de incentivos, já que a premiação independe de fatores de sorte ou azar (sorteio, vale-brinde etc.).

Essa atividade pode ser entendida como serviço de publicidade e propaganda, principalmente para fins de tratamento fiscal, ou seja, para fins de dedutibilidade integral por parte da empresa premiadora de todos os valores pagos a título de prêmios e honorários da agência que conduz a campanha.

A propaganda é a divulgação de idéias, mercadorias ou serviços, por meio de determinado veículo. Usualmente, a propaganda é idealizada e executada por publicitários, nas agências de propaganda. Os veículos de divulgação da publicidade podem ser constituídos de quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público.

O turismo de incentivo tem como objetivo aumentar a produtividade de uma empresa, por meio de campanhas de incentivo dirigidas aos beneficiados de tais campanhas, quais sejam os funcionários ou as pessoas do relacionamento comercial da empresa. É óbvio que o aumento da produtividade tem reflexos consideráveis imediatos na imagem de uma empresa perante o público consumidor. A melhora na imagem de uma empresa não deixa de ser uma forma de promoção desta, sua divulgação como empresa é uma forma de publicidade. No turismo de incentivos, a divulgação é feita de dentro para fora, a melhora no funcionamento interno da empresa é a responsável por sua própria divulgação. Por isso, o turismo de incentivo, ainda que, não seja dirigido ao consumidor, mas aos beneficiários, indicados pelas empresas, traz reflexos no movimento comercial delas, uma vez que, o empenho dos beneficiários para participar das campanhas, transforma-os em um veículo de publicidade da empresa e/ou do produto por ela produzido.

A totalidade das empresas que se utilizam dos serviços de turismo de incentivos entende que, em tais casos o funcionário não estaria sendo remunerado pelos serviços objetos de seu contrato de trabalho, ou por estar à disposição do empregador, como define a Lei. Não se trataria a final, de remuneração decorrente de seu eventual vinculo empregatício com a empresa, mas de reconhecimento por um esforço extraordinário, que foge de suas obrigações e de sua competência (tanto que não existe o caráter de obrigatoriedade na participação das campanhas de incentivo promovidas pela empresa).

De fato, esse foi o posicionamento adotado em um parecer publicado pelo Boletim IOB 18/85, segundo o qual os prêmios, por constituírem forma de incentivo, objetivando maior participação do empregado no trabalho, com maior rendimento e melhor comportamento, além de recompensa pelo cumprimento das respectivas obrigações não são e não constituirão salário. O parecer vai mais longe ao afirmar que este prêmio, o qual é pago em recompensa à eficiência e dedicação do empregado, constitui mera liberalidade da empresa. Ademais , como conseqüência prática dessa liberalidade, o pagamento deste prêmio pode ser suprimido a qualquer tempo, de acordo com os interesses da empresa.

A medida provisória nº 1.663-11, de 26/06/1998, deixou claro esse entendimento, ao alterar o art. 28 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991 (Lei Orgânica da Seguridade social), de acordo com essa entende-se por salário-de-contribuição:

Para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato, ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.

O art. 28, da lei nº 8.212/91, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.528/97, possui o seguinte conceito de salário-de-contribuição, para o empregado e trabalhador avulso:

A remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato, ou, ainda de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou de sentença normativa.

Ressalte-se, ainda, que os prêmios não se confundem com gratificações, gorjetas e ganhos habituais em forma de utilidade. Na gratificação, as causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e externos à vontade do empregado, enquanto o prêmio está ligado ao desempenho e esforço dele. A gorjeta difere por ser entregue ao empregado, em geral, pelo cliente satisfeito pelo tratamento recebido (ou seja, diferentemente do prêmio, é um reconhecimento do cliente e não do empregador). Os ganhos habituais também não se confundem com prêmios, vez que estes são eventuais, enquanto aqueles são habituais e pagos necessariamente em utilidades (habitação, automóveis etc.).

Os Prêmios não fazem parte do salário-de-contribuição e, portanto sobre eles não incide qualquer encargo de natureza trabalhista ou previdenciária. Vale ressaltar, a importância da prestadora dos serviços de turismo de incentivos de celebrar um contrato de prestação de serviços com os clientes, deixando claro que a empresa pretende premiar os beneficiários, com base em critérios de desempenho, esforço e produtividade, com a utilização de produtos de incentivo desenvolvidos pela empresa prestadora de serviços, e que a premiação não será baseada em fatores de sorte e azar . Deve-se ressaltar também no contrato, que o objetivo da contratação é realizar uma prestação de serviço idônea e viabilizar os sistemas produtivos da empresa de maximização de resultados, deixando claro que a empresa premiadora é a promotora da campanha de incentivo que serve como meio de publicidade da empresa.

Finalmente, é importante que as empresas consultem sempre os advogados de sua confiança, para negociação dos contratos de prestação de serviços e implementação das campanhas de marketing, com o que se pode evitar os riscos decorrentes da ausência de legislação do setor.

5. O Peso do segmento

Não há necessidade de um órgão especializado só para incentivos, mas o Ministério do Turismo deveria criar uma regulamentação mais especifica para o segmento. Com o Plano Nacional de Turismo (PNT), pode-se dizer que, efetivamente, foram desempenhadas algumas ações na área de turismo de incentivo pelo governo Brasileiro, por meio da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), que realizou o marketing do segmento no exterior para atrair negócios ao país. Algumas das ações previstas pelo PNT, foram:

As ações de promoção e marketing irão orientar a construção do Brasil como destino turístico de um país moderno, com credibilidade, alegre, jovem, hospitaleiro, capaz de proporcionar lazer de qualidade, novas experiências aos visitantes, realizar negócios, eventos e incentivos e ser competitivo internacionalmente.

Nos últimos anos houve um aquecimento geral com interesse específico sobre o produto viagem de incentivo no Brasil. Diante disso, as empresas relacionadas com o setor passam a produzir feiras internacionais como a Lacime (Latin American Caribbean Incentive & Meetings Exhibixion) e a EBEI (Encontro Brasileiro das Empresas de Incentivo). Seguindo o exemplo de algumas regiões do mundo, como América do Norte, Europa e Ásia, que já possuem há muito tempo feiras sobre o segmento, e consequentemente, têm seus mercados mais evoluídos na área.

Segundo a Favecc (Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais), os incentivos representam hoje o terceiro maior gasto de uma empresa, ficando atrás apenas das despesas de pessoal e de informática. Não se sabe, porém, o volume total de recursos movimentados por este setor. A International Federation of Incentive, comenta que o marketing de incentivo, incluindo as viagens de incentivo, movimenta, anualmente, cerca de US$ 30 bilhões em premiações e recompensa nos Estados Unidos. Na Europa e Ásia, países como a Inglaterra, Japão e Coréia investem por ano, cada um, mais de US$ 1 bilhão.

Na indústria turística, projeções da Organização Mundial de Turismo indicam que as viagens de incentivo estão entre os segmentos que mais devem crescer nas próximas duas décadas. Mesmo sem os números chamados oficiais e consolidados, é possível dimensionar o crescimento das viagens de incentivo através de alguns indicativos. Somente a Incentive House, empresa do grupo Accor, levou nos últimos três anos, nove mil passageiros de incentivo.

 

6. Principais Razões para sua utilização

As viagens de incentivo são realizadas por diversas razões, mas as principais citadas na literatura são: a motivação dos funcionários e seus efeitos multiplicadores; o efeito residual funcionando como incentivo para outras campanhas; a elevação cultural dos funcionários pelo contato com diferentes culturas; a integração dos funcionários de diferentes níveis hierárquicos; o reconhecimento e estímulo além da empresa (as viagens muitas vezes incluem o cônjuge); a possibilidade de ser combinada com visitas a outras unidades da empresa ou até mesmo com visitas técnicas a outros locais de interesse.

Para os funcionários as principais vantagens são: apelo emocional causado pela possibilidade de usufruir a viagem; valor residual; reconhecimento mostrado pela empresa; status;

Para os fornecedores envolvidos na prestação de serviços das viagens de incentivos, as vantagens são: o aumento na taxa de ocupação dos meios de hospedagem durante os períodos de baixa estação; aumento na taxa de ocupação dos meios de transportes (aviões, navios, trens); possibilidade de negociação de tarifas mais econômicas; garantia de ocupação com bastante antecedência, já que esse tipo de viagem necessita de planejamento antecipado;

Para o planejamento da viagem devem ser considerados vários aspectos, como a filosofia de empresa, o perfil dos participantes, a duração, a concorrência e as peças promocionais, a fim de obter o sucesso esperado. A elaboração deve ser feita com o máximo rigor, sendo que todos os detalhes devem ser considerados para que o prêmio seja percebido realmente como uma oportunidade única e especial. Para que a idéia da viagem esteja intimamente relacionada ao programa, é importante que a escolha do destino, assim como o roteiro a ser desenvolvido, estejam relacionados com o tema apresentado. A organização de uma viagem de incentivos, envolve diversos tipos de fornecedores, criando uma relação entre: público-alvo (interno/externo), agência de incentivos e empresa.

Existe a relação da agência de incentivo com várias empresas e entidades que participam da operação da viagem, como: fornecedores de material promocional (gráficas, produtoras, empresas de brindes), agências de viagem (agências e operadoras de viagens), companhias de transporte (aéreo, marítimo, ferroviário), cadeias de hotéis (centros de lazer), órgãos oficiais (representações diplomáticas e órgãos oficiais), assessoria de eventos (imprensa e relações públicas).

Deve-se partir do princípio que quanto mais serviços forem oferecidos aos incentivados, menor será sua preocupação para os preparativos da viagem. Serviços básicos que podem ser oferecidos: transporte (aéreo, terrestre ou marítimo); hospedagem durante todo o período da viagem; serviço de "transfer"( em táxis, ônibus ou vans); coquetel de boas-vindas; refeições; acompanhamento de guias durante toda a viagem; seguro de viagem.

Além desses, outros serviços também podem ser incorporados a fim de personalizar a viagem: providências legais (passaportes, vistos, vacinas); confecção e distribuição antecipada de guias de viagem; check-in privativo, tanto para o transporte como para a hospedagem; refeições em espaços reservados exclusivamente para o grupo; distribuição de brindes relacionados ao tema da viagem.

7. Quanto aos custos, perfil e duração

O funcionário se sente mais motivado quando os roteiros são pouco explorados. Assim, os destinos exóticos tendem a ser os mais interessantes, estimulantes. Mas, os organizadores das viagens de incentivo, para o estabelecimento de custos, levam em consideração os períodos de baixa temporada, pois permitem maior negociação tanto para a hospedagem quanto para o transporte, e, também, à distância e a popularidade desse destino. Outros fatores importantes levados em consideração são os diferenciais e os serviços a serem oferecidos, que podem ser de qualidade inferior, mas não de má qualidade.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Meetings and Covention Magazine, apresentou-se um perfil sobre as viagens de incentivo, revelando que 52% da demanda mundial de viagens de incentivo é norte-americana, e que, entre 1985 e 1987, nos Estados Unidos, houve um aumento de 125% no número de funcionários premiados. Os destinos mais procurados pelos norte-americanos, naquela ocasião, eram Havaí, Acapulco, St. Marteen, Nassau, Flórida, Califórnia e Puerto Vallata, visto que, 40% das viagens de incentivo eram para fora dos Estados Unidos, verificando-se que os destinos mais procurados pelos norte-americanos eram os países europeus.

Na Europa, os principais geradores de demanda são a Inglaterra, França, Itália e Alemanha. O crescimento anual europeu deste segmento é entre 15% e 20%, observando que, os principais destinos escolhidos pelos europeus, nos anos 60 até os 90, foram Londres, França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Caribe. Ressalva-se ainda o crescimento da demanda por destinos nos Estados Unidos, Ásia, Leste Europeu e Austrália. Na década de 80, notou-se a tendência de alguns países asiáticos, principalmente o Japão, começarem a se interessar por viagens de incentivo. No início, as viagens japonesas eram somente para cidades asiáticas, mas nos últimos anos, observou-se uma procura por destinos norte-americanos e europeus.

Quanto à duração, de acordo com a pesquisa, praticamente 50% das viagens de incentivo duram de 4 a 7 dias. Já, 40% duram até 3 dias; e 10%, mais de 7 dias. Portanto, esse período pode ser considerado pequeno, para que o incentivado conheça o local de destino visitado, pois a empresa na maioria das vezes, envia os funcionários mais eficientes e melhores remunerados, portanto, esses não podem permanecer muito tempo fora da empresa.

Conclusão

O Brasil, segundo muitos executivos do setor de Turismo, é um dos países com maior potencial de desenvolvimento do turismo de incentivos no mundo. Assim sendo, este trabalho apresentou uma síntese sobre o mercado das viagens de incentivo e procurou enfatizar a importância desta modalidade no Brasil. Mostrou-se ainda, qual a real importância dos incentivos para o crescimento da produtividade individual, culminando no crescimento da produtividade coletiva.

Certamente, há muita coisa a se discutir, descobrir e a realizar no Brasil em relação a este segmento do mercado. Mas considerando que, comprovadamente, a viagem é o ‘objeto de desejo’ da maioria dos programas de incentivo, e que os programas de incentivo são um mercado promissor dentro da indústria de eventos, e preciso que ocorram investimentos neste ramo, para que o potencial declarado por muitos, torne-se tangível.

Portanto, pode-se concluir que as viagens de incentivo são capazes de, no caso das empresas, aumentar o rendimento dos funcionários e conseqüentemente a produtividade e os lucros da mesma, já que motiva os funcionários no aumento de sua produtividade em busca da recompensa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANSARAH, M. G. dos Reis. Turismo: Segmentação de Mercado, Turismo de Incentivo. P. 57. 1997.
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Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR – Programa de Incentivos em Turismo . Disponível em: . Acesso em: 18 de junho 2004.
Lacime – negócios, eventos, incentivos. Disponível em: . Acesso em: 20 de junho 2004.
MRE. Press Release. Disponível em: . Acesso em: 13 de junho 2004.
Olhar direto. Press Release. Disponível em: . Acesso em: 30 de maio 2004.
O Estado de São Paulo – Turismo de incentivos. Disponível em: . Acesso em: 16 de junho 2004.
Revista dos eventos.Press Release. Disponível em: . Acesso em: 13 de junho 2004.
SOUZA, Helena. Turismo de Incentivo: emoção, superação e profissionalismo. Matéria publicada na Revista dos Eventos - Edição nº 31 - 2004 - Págs. 23-27
TORRES, Silvana. Marketing de Incentivos. Ed. Atlas, 2000
Turismo, informação e debate. Press Release. Disponível em: . Acesso em: 30 de maio 2004.


Westerlei Sousa Mesquita. Bacharel em Turismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, recém-formado. UFOP.

 

 


 
 

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