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Turismo e Meio Ambiente: a (in) sustentabilidade em questão





1. Introdução

O turismo usa e se apropria dos ambientes naturais e produzidos pelo trabalho para transformá-lo em espaço de lazer e consumo, gerando impactos positivos e negativos, que podem ser discutidos como uma questão de (in) sustentabilidade social e ambiental. Esta (in) sustentabilidade é produzida pela contradição capitalista, que no turismo toma forma de desequilíbrios sócio-espaciais e de algumas atividades com ciclo de vida muito curto, mas, ao mesmo tempo, não se pode negar ter esta atividade um importante significado espacial, social e econômico para as sociedades modernas.

O turismo é considerado pelos governos um produto de exportação, uma das principais mercadorias do comércio exterior. É consenso para estudiosos e empresários que ele gera impactos, embora não seja passível que precisa ser analisado como um fenômeno capitalista tão importante como a indústria ou agricultura, por exemplo. As atividades humanas impactam os ambientes em diferentes graus. Aquelas mais gananciosas, como os mega empreendimentos, geram maiores danos ambientais, além de centralizar maior volume de riqueza, causando, conseqüentemente, danosos impactos sociais por produzir uma sociedade segregada, de poucos ricos e muitos pobres, tornando-a insustentável. Esta realidade vem exigindo que se questione as responsabilidades sociais desses empreendimentos, o sentido das políticas econômicas, especialmente as de turismo, para fazer emergir respostas e experiências alternativas ao modelo econômico hegemônico, enquanto este não se extingue.

A produção capitalista vive de crises periódicas, pois, as mesmas condições que proporcionam o crescimento do produto e da riqueza, do trabalho e do lazer, desencadeiam momentos de autodestruição em um movimento permanente de sustentabilidades e insustentabilidades. O mercado é uma espécie de jogo e, quando as pedras desse jogo concentram-se em um dos parceiros, ele para, surge a crise, a insustentabilidade. Nesses momentos, o capitalismo se reestrutura, fazendo aparecer novas formas para dar condições ao consumo, ao mercado, ao jogo, não permitindo que outro modo de produção apareça hegemonicamente.

2. Uma concepção de Turismo

O turismo é um fenômeno dos tempos modernos, portanto, relativamente recente. É uma atividade produtiva inserida na dinâmica da acumulação capitalista para responder às crises globais e ampliadas do capital mundial. A atividade é vendida como um produto para reproduzir a força de trabalho e, assim, garantir a produção do trabalho industrial, comercial e financeiro nos diversos mercados internacionais, mas, na verdade, forja respostas às necessidades humanas, pois atende preferencialmente ao capital. 

É um lazer de viagem, elitizado, transformado em mercadoria, invenção da sociedade de consumo, fenômeno próprio das classes ricas e médias que podem pagar pelo lazer. É produto simultâneo do trabalho e do ócio, resultado do modo de vida contemporâneo, cujos serviços criam formas confortáveis e prazerosas de viver, embora restritas a poucos.

O turismo surge quando o homem descobre o prazer de viajar, quando a viagem deixou de ser perigo e passou a ser algo prazeroso, forma de gozo, objeto de desejo, da tão sonhada felicidade. O conceito de turismo, embora tenha aflorado no século XVII, na Inglaterra, tem suas principais teorias datadas do pós Segunda Guerra Mundial. Apesar de o ato da viagem existir desde o início da existência humana, não tinha a conotação da viagem turística moderna. Viagem sempre existiu desde a origem do homem, mas turismo não. Este é uma invenção do capitalismo.

O turismo faz parte do mundo dos símbolos, ícones, idéias, sonhos e representações, pois, é antes de tudo um conjunto de pré-concepções e percepções de imagens e valores de significado cultural. A simples menção a uma viagem evoca no espírito das pessoas sensações, desejos e lembranças. As viagens agem como estimulantes de sonhos, idéias e ações, como metáfora de enriquecimento individual e forma de esquecimento do mundo do trabalho. O indivíduo que não faz turismo, por não poder viajar, satisfaz essa necessidade no lazer local. Lazer é necessidade básica; o turismo não, passou a ser por indução do modelo econômico. Entende-se o turismo como um tipo de lazer que exige deslocamento e consumo. O lazer pode ser realizado sem consumo.

As inovações de Thomas Cook, em 1841, inseriram o turismo no mundo dos negócios beneficiado, cada vez mais, pelas evoluções dos transportes, do comércio, dos serviços. O roteiro turístico, o “pacote”, o guia, a operadora, a reserva de hotéis, o voucher, o tour – antecedente do cheque de viagem –, foram elementos do turismo instituídos a partir de então. O turismo teve sua expansão nas sociedades industriais, na Modernidade do século XIX e XX, intensificando-se no século XXI.

Vem sendo chamado de indústria do turismo na perspectiva econômica, mas, na verdade, ele é uma prestação de serviço à própria indústria, uma atividade cultural ligada ao setor terciário. Do ponto de vista de negócio, o turista passa a ser visto como hóspede, consumidor ou cliente e o turismo uma fonte de renda e divisas. Do ponto de vista sociocultural, o turista é um visitante importante em contato com o território, a cultura e o cotidiano dos residentes. É uma prática social que reúne oportunidades de aquisição cultural, troca de experiências, realização de sonhos, busca de emoções e formas de aprendizagem. É negócio econômico para aqueles que o vendem e uma oportunidade de aprendizagem para os que o fazem.

Paralelamente ao trabalho, surgiram as atividades ligadas ao tempo livre, referente aos deslocamentos para o campo, às férias, às festas públicas e privadas, apareceram os divertimentos e, posteriormente, o turismo. Este foi absorvido pela sociedade moderna e assumiu toda a forma de ser da sociedade industrial. “Eu fabrico cosmético, mas vendo esperança” (SODRÉ, 1998, p. 101). A velha frase conhecida dos publicitários resume a noção de produto na moderna sociedade de mercado, quando o produto se definiu como desejo, sonho, imagem. O turismo é exatamente isso, pura abstração. Ele se materializa na lógica das diferenciações dos lugares e das regiões.

Os turistas exigem mais qualidade nos serviços e os residentes reivindicam o direito de viajar e de ampliar as formas de divertimentos. O lazer urbano foi redimensionado. As classes de menor poder aquisitivo descobrem o turismo social  e as populações das regiões não direcionadas ao turismo global descobrem formas de inclusão na cadeia produtiva do turismo e nos roteiros de visitação, com um turismo alternativo. Assim, ele chega aos lugares excluídos do modelo global, denotando a força de inércia e da inclusão em contraposição à força de exclusão. Isto fez surgir o chamado turismo solidário, participativo, comunitário, de inclusão, mostrando a dinâmica dessa atividade e a possibilidade de turistas para todos os segmentos. O turismo vem se expandindo pelo espaço geográfico de uma forma muito rápida, tendo o ambiente como matéria prima, reproduzindo essa contradição intrínseca à produção capitalista, referente a (in) sustentabilidade social e ambiental.

3. O Meio Ambiente e o Turismo

O meio ambiente é conceituado em diferentes perspectivas, indo das visões acadêmicas a jurídicas ou normativas. Algumas de escopo limitado, abrangendo apenas os componentes naturais, outras de concepções mais abrangentes, referindo ao meio ambiente como espaço social e político. Passou a ser entendido como espaço produto da interação entre os homens e a natureza e da interação entre os próprios homens, em espaços e tempos concretos, com dimensões históricas e culturais. Meio ambiente ou ambiente é o próprio espaço do turismo, seja natureza, campo ou cidade. Milton Santos (1997), o entende como o conjunto de complexos territoriais que constituem a base física do trabalho humano.

O meio ambiente é o conjunto, de um dado momento, dos agentes físicos, químicos, biológicos e dos fatores socioeconômicos susceptíveis de terem efeito direto ou indireto, imediato ou a termo, sobre os seres vivos e as atividades humanas (Poutrel e Wasserman,1977). A natureza, as praias, as cidades, os lugares visitados pelos turistas constituem o chamado meio ambiente. O meio ambiente é um espaço complexo, pois contêm o ar, o solo, a água, as plantas, os animais e o homem com todas as condições econômicas e sociais que influenciam a vida em geral. Deste ambiente depende a vida, em especial, a vida humana. Nele estão todas as construções, máquinas, estruturas e objetos feitos pelo homem ou objetos geográficos, assim como sólidos, líquidos, gases, odores, cores, calor, sons, vibrações, radiações e ações resultantes das atividades humanas e naturais. Portanto, ele é constantemente impactado, exigindo cuidados, ponderações e conhecimentos empíricos e científicos.

Trata-se de um espaço geográfico simultaneamente natural, social, econômico, político e cultural, espaço que contém todos os seres vivos em interação. Um espaço político e não neutro, pois, está sob o controle do homem. É onde se desenvolvem as atividades humanas e dos animais e vegetais, oferecendo condições para essa dinâmica natural e social. São espaços com sucessivas transformações, com formas de apropriação, usos variados, degradações, ou que as normas exigem que sejam conservados e preservados. Não é o espaço absoluto de uma natureza infinita e passiva, mas o espaço relativo produzido e reprodutor de relações sociais do modo de produção e de consumo dominante (o capitalista). O espaço é transformado em mercadoria.

Meio Ambiente é, portanto, o território, alvo de políticas não só ambientais como territoriais. As questões ambientais ampliam-se para sociais e territoriais, incluindo as interações entre a sociedade e a natureza. Moraes (2002, p. 30), entende o ambiental para além de um vetor reestruturador da lógica cientifica (a razão ambientalista como propõem alguns), ou seja, como mais um fator a ser considerado na modelagem do espaço terrestre. Entretanto, a preocupação ambiental se dessacraliza, circunscrevendo um campo teórico mais restrito que o almejado pelas proposições holísticas. A redução ambientalista e a presunção holística acabam por gerar um empobrecimento significativo na análise dos processos políticos e econômicos do ambiente.
O capitalismo transforma o meio ambiente natural em recurso econômico como força produtiva geradora de riqueza e acumulação, explorando-os até a exaustão. Por conseguinte, acaba levando a destruição da natureza e deterioração das condições de vida no planeta. Cria a ideologia de que a natureza está disponível a serviço do homem, uma visão utilitária, mesmo que no limite comprometa sua sobrevivência.

O modo de produzir e de consumir considerou a natureza recurso, portanto, tornou-a mercadoria, degradando-a até a exaustão, fazendo emergir na pauta das discussões mundiais a sustentabilidade. O turismo, que faz parte desse modelo econômico com vistas à acumulação, facilmente concentrou riqueza, especulou, segregou espaços, degradou ambientes e explorou trabalhadores. Como e porque o turismo haveria de ser diferente? Basta contextualizá-lo para entender que sua lógica capitalista é similar as demais atividades. O que o diferencia é que as contradições fazem surgir contra propostas de políticas de turismo, chamadas alternativas ao modelo hegemônico, elegendo outras prioridades, o bem estar social das comunidades acima da acumulação capitalista.

Desde os meados do século XX, verifica-se o fortalecimento da consciência ambiental (incluindo o social e o político) de grupos que se solidarizam com pessoas de todo o mundo, exigindo mudanças comportamentais, produção ecologicamente correta, responsabilidade social das empresas e modelos alternativos de turismo. Busca-se avaliar os empreendimentos a partir desses fatores. Tomou-se consciência de que o planeta é a casa de todos, surgindo a consciência planetária, tão discutida por Leonardo Boff (1999). Esta consciência diz respeito às habilidades, responsabilidades, atitudes e visão de mundo e do cosmo, responsabilidade diante do planeta e senso de cidadania.

Capra (2003), acredita que a chave para tal definição operacional é a tomada de consciência de que não precisamos inventar comunidades humanas sustentáveis a partir do zero, mas que podemos modelá-las, seguindo os ecossistemas da natureza que são comunidades sustentáveis de plantas, animais e micro-organismos. Uma vez que a característica principal da biosfera consiste em sua habilidade para sustentar a vida, uma comunidade humana sustentável deve ser planejada de forma que suas formas de vida, negócios, economia, estruturas físicas e tecnológicas não venham a interferir com a habilidade inerente à Natureza ou à sustentação da vida. Mesmo que a natureza não ofereça modelos para todos os comportamentos sociais, como acreditam cientistas de visão crítica, todos são unânimes em admitir que a transição para um futuro sustentável ou uma sociedade sustentável se configura como postura política pautada em visão de mundo e de valores éticos.

O turismo é uma atividade que depende do espaço geográfico, do ambiente entendido dessa forma mais ampla. Os turistas buscam paisagens, cultura, patrimônio histórico, tudo que faz parte dos ambientes, dos lugares e territórios e que esta atividade econômica se apropria.  É um tipo de consumo do espaço (natureza), portanto, vender turismo (mesmo ecoturismo) significa “vender” ou consumir a própria natureza. Mesmo protegendo-a, é sempre uma atividade de risco que implica em uma (in) sustentabilidade ou em um permanente controle das políticas territoriais ou ambientais.

4. A utopia da sustentabilidade no Turismo

A idéia de sustentabilidade surgiu em 1983 na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Comissão Brundtland - CMMAD/ONU – com o relatório Nosso Futuro Comum – apresentando os princípios: Equidade social: direito de cada um (de todos) se inserir no processo de desenvolvimento, Eficiência econômica: gestão dos recursos econômicos e financeiros para garantir o funcionamento eficiente da sociedade e Prudência ecológica: a racionalização do consumo, usos de tecnologias limpas, definição de regras para a proteção ambiental. Portanto, há mais de duas décadas, se discute este tema, levantando algumas preocupações em relação a natureza e sociedade.

Sustentabilidade significa política e estratégia de desenvolvimento econômico e social contínuo, sem prejuízo do ambiente (inclusive dos recursos naturais), cuja qualidade depende a continuidade da vida, da atividade humana, do desenvolvimento e a capacidade dos animais e das plantas se reproduzirem ao longo do tempo. Sustentabilidade e capitalismo estão sempre em contradição, mas, como pólo dialético, é possível apontar caminhos, portanto, sustentabilidade é um conceito e uma realidade em construção. Buscar sustentabilidade significa evitar a degradação socioambiental e as injustiças sociais. Portanto, implica negar o modelo de sociedade imposto (neoliberal). Trata-se de uma decisão política, não só do Estado ou dos trabalhadores, mas da sociedade civil, – o Estado ampliado. Em particular, estas questões exigem responsabilidades dos agentes do capital, tanto quanto do Estado e da sociedade civil, enquanto co-participantes da degradação planetária. Mudar mentalidades, entender estes valores e mudar o rumo das políticas econômicas e das políticas de turismo é um desafio aos governos, empresários, planejadores, investidores, e às comunidades receptoras.

A "Carta da Terra" documento da UNESCO (2000) é uma tentativa de complementar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, agregando a dimensão planetária, partindo do princípio de que não adianta garantir os direitos humanos, se o planeta continuar em processo de devastação. O grande desafio é a defesa do homem, de seu trabalho, de sua dignidade, da extinção das desigualdades sociais e o da conservação do ambiente onde se vive. Este documento afirma que humanidade é parte de um vasto universo em evolução. Que a Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. Erradicar a pobreza é um imperativo ético, social, econômico e ambiental. 

A Agenda 21, transformada em um Programa procura integrar as atividades relativas ao desenvolvimento e meio ambiente, ou seja quer realizar o desenvolvimento sustentável, evitando o esgotamento da natureza, e redirecionar as políticas.  Existem propostas e legislações, mas a busca do crescimento econômico a qualquer preço e o endeusamento do mercado dificultam as transformações necessárias.  

Alguns empresários, que entenderam estes questionamentos, buscam agregar valor ambiental e social a seus produtos, utilizando tecnologias brandas e políticas para diminuir impactos negativos, assumindo uma responsabilidade social, embora muitos outros permaneçam utilizando apenas a propaganda e o marketing da maquiagem verde para tentar passar imagem positiva.
Responsabilidade Social é o compromisso contínuo da empresa em adotar a ética do desenvolvimento social, sustentada sobre o tripé da qualidade de vida, inclusão social e respeito a natureza e as gerações futuras.

Responsabilidade ambiental é mais do que o compromisso voltado para a natureza (flora, fauna, ar e água), se estende aos recursos culturais, históricos e sociais. Não se deve poluir a praia, o ambiente, assim como não se pode depredar o patrimônio histórico, os modos de vida e as culturas.

Em alguns empreendimentos turísticos pode-se encontrar exemplos indicativos de ser possível acreditar em mudanças sociais diferentes dos modelos vigentes. Algumas iniciativas, em Fortaleza, mostram responsabilidade social, e outras caminham em busca de economias mais solidárias:


  •  Combatendo e denunciando o trabalho infantil nos empreendimentos;
  •  Capacitando trabalhadores de bares e restaurantes populares localizados no entorno dos grandes hotéis e resorts;
  •  Patrocinando empreendimentos culturais e de lazer popular;
  •  Combatendo a prática de esportes inseguros, oferecendo condição para aqueles passíveis de controle de segurança;
  •  Combatendo a displicência e a desonestidade praticada contra o turista;
  •  Ajudando a organização comunitária na luta por seus direitos e concretização de sua cidadania;
  •  Apoiando a realização de estudos, pesquisas e programas com objetivos de desenvolvimento sustentável, de melhoria de ambientes, de recuperação ambiental;
  •  Discutindo a possibilidade de geração de oportunidades para os considerados excluídos do trabalho, da chamada cadeia produtiva do turismo;
  •  Tornando a qualidade de vida mais viável nas cidades, com políticas alternativas de habitação, de educação e de pequenos negócios;
  •  Participando da implementação local da Agenda 21 seguindo os princípios de sustentabilidade estabelecidos na Conferencia Rio/92.
  • A expansão e o crescimento do turismo no mundo contemporâneo decorrem desse processo histórico, das relações de trabalho que criaram o tempo livre, o tempo liberado, propiciado pelo desenvolvimento tecnológico. Ainda assim, pode-se ressaltar que, diante das críticas que o turismo tem recebido, surgem indícios de mudanças no desenvolvimento desta atividade no esforço para passar de vítima a protagonista da proteção ao ambiente, entendendo que o meio ambiente é sua matéria prima: cidades, paisagens, serras, litorais, sertões, natureza, uma variedade de geosistemas ou espaços geográficos. As ações neste direcionamento são ainda incipientes, mas estes questionamentos estão fazendo surgir políticas alternativas de turismo.

    Torna-se crescente a exigência para a diminuição das desigualdades regionais, disparidades sociais, conservação ambiental, manutenção de lugares saudáveis, mudança da economia liberal para uma economia solidária e mudanças no e do turismo. A sustentabilidade no turismo passa por decisões políticas visando:
  •  Um novo modelo de produção e desenvolvimento;
  •  Uma sociedade justa e solidária;
  •  Redução do consumo supérfluo e do desperdício;
  •  Aumento da consciência ecológica, da cidadania, da educação ambiental dos visitantes e visitados;
  •  Uso da biodiversidade não como recurso produtivo, mas como patrimônio da humanidade;
  •  Planejamento participativo com base local ou das comunidades receptoras em todos os níveis, e clara definição de objetivos e resultados;
  •  Qualificação dos trabalhadores em serviços de qualidade e com retorno para sua reprodução;
  •  Operadores e agências especializadas – comprometidos com o turismo responsável;
  •  Definição de sistema de promoção e marketing turístico adequado aos ambientes frágeis utilizados para o ecoturismo;
  •  Apoio às pequenas e médias empresas;
  •  Proteção / conservação dos recursos naturais / culturais;
  •  Investimento em pesquisas cientificas, voltadas ao turismo.
  • Esta é uma utopia, enquanto possibilidade, sonho e desejo de emancipação humana, de liberdade e de felicidade. Muitos movimentos socioambientais buscam transformar esta utopia em realidade, como é o caso da coalizão globalizada de ONGs, pautadas nos valores centrais da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica e social. Em 1999, estas organizações realizaram protesto ao modelo de consumo insustentável da sociedade capitalista, na reunião da Organização Mundial do Comércio, em Seattle. A “Coalizão de Seattle”, como foi chamado este movimento (paralelo ao da Organização Mundial do Comércio), é a luta por uma outra globalização. Trata-se de um movimento global pela justiça social, pela busca da sustentabilidade social que vem realizando os Fóruns Sociais Mundiais, em Porto Alegre, Brasil.

    Estes encontros sistemáticos, vêm estimulando o surgimento de contra propostas políticas em busca de meios ambientes sustentáveis e de sociedades sustentáveis.

    Bibliografia
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    BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. Ética do Humano – Compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
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    COMISSÃO Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: Ed Fundação Getulio Vargas,1991
    CORIOLANO, Luzia Neide M. T. Do local ao global: O Turismo litorâneo cearense. Campinas-SP: Papirus, 1998.
    _____. Turismo de inclusão e Desenvolvimento Local. Fortaleza: FUNECE, 2003.
    CORIOLANO, Luzia Neide M. T, LIMA, Luiz Cruz (orgs.). Turismo Comunitário e Responsabilidade Socioambiental. Fortaleza: EDUECE, 2003a.
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    _____. Turismo, territórios e sujeitos nos discursos e práticas políticas. Tese de doutorado. Aracaju: UFS / NPGEO, 2004. 295p.
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    DOWBOR, Ladislau. A Reprodução Social: proposta para uma gestão descentralizada. Petrópolis: Vozes, 1998.
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    _____.  Técnica Espaço Tempo. São Paulo: Hucitec, 1994.
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    _____. O mundo, o Brasil e a globalização: o horror não dura eternamente. Rev. Rumos do Desenvolvimento, Rio de Janeiro: n. 137. Jun/1997
    _____. Por uma outra Globalização: Do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.
    _____. O País distorcido. São Paulo: Publifolha, 2002.
    SODRÉ, Muniz. Reinventando a cultura. Petrópolis: RJ, Vozes, 1998.
    SOJA, Edward W. Geografias pós-modernas: a reafirmação do espaço na teoria sócio-crítica. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.


     


     
     

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