Faz parte da nossa cultura a busca compreensiva de estruturas culturais que nos possibilitem entender nosso mundo
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Isso nos leva à busca de prazeres nos momentos de ócio que contemplem o entendimento de culturas, de valores históricos, de uma manifestação da tradição construída, de heranças culturais.
MENESES, J.N.C. História e Turismo Cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
A relação do homem com o passado existe há muito tempo, mas se intensificou a partir do que chamamos Turismo Moderno, onde temos a figura de Thomas Cook fazendo suas primeiras viagens organizadas no século XIX. Havia muitas dificuldades para o Turismo naquela época: vencer enormes distâncias, meios de locomoção precários e preços inacessíveis. Com o passar do tempo esse quadro foi-se modificando até se formatar no que temos hoje, um Turismo de fácil acesso com valores mais baixos, mas, infelizmente mesmo com as facilidades existentes, o chamado turismo cultural ainda não está ao alcance da classe baixa da população, mas isso é tema para outra discussão.
Diante de todo esse contexto histórico nos debatemos com uma pergunta que não se cala: “Como pensar a História e a Cultura como atrativo turístico?”.
O estudo da história e da cultura como atrativo turístico se mostra como uma problemática a ser discutida. Talvez por não se considerar o quanto é fundamental o estudo da historia e da cultura dentro da atividade. Muitas vezes descartamos o seu potencial em virtude de não compreendermos a sua real função. Para o turismo, a interpretação da História e da cultura é algo que deveria se tornar quase que obrigatório, visto que o Turismo em “cidades históricas” tem se mostrado um grande arrebanhador de visitantes.
Esses locais estão entre as áreas que mais apresentam crescimento no ramo do Turismo nos últimos anos e encontram-se entre as áreas que oferecem oportunidades dentro do Trade Turístico. Contudo, deve-se ter uma certeza, o produto do Turismo Histórico e Cultural não se dá apenas por meio das visitações aleatórias aos monumentos (Igrejas, Teatros, Museus, entre outros), mas sim, o principal produto parte de um completo conjunto que engloba o passado e presente vivido pelos moradores locais complementado pela sua cultura, que deve ser respeitada como tal e merece ser estudado nos mínimos critérios.
Mas, afinal o que é cultura? A “cultura é tudo aquilo que envolve relações humanas” e que a mesma revela direta ou indiretamente a identidade de um povo, sendo assim, pode-se levar em consideração a afirmativa de Della Mônica (2001, p.21):
O fenômeno folclórico é divulgado pelo homem no contato diário que mantém com seus semelhantes na prática da vida social. Seu habitat preferencial é constituído pelos agrupamentos humanos vivendo mais em função da cultura espontânea.
Entende-se, portanto que a “cultura popular” não é determinada, e sim espontânea acompanhada de dois importantes itens: naturalidade e informalidade. A cultura é transmitida pela oralidade, ou seja, dificilmente terá sua transmissão por “manuscritos”, pelo contrário, em sua simplicidade, costuma-se passar de “pai para filho” e assim por diante.
Quando se analisa a Cultura Popular aliada ao Turismo, pode-se perceber um novo horizonte a ser discutido. Apartir do momento que a Cultura Popular que era espontânea passa a ser utilizada com fins lucrativos, ela deixa sua espontaneidade e passa para um novo panorama, todavia não deixando de ser cultura popular.
A Manifestação da Cultura Popular quando voltada ao atendimento do Turista pode receber novos valores (diferentes de sua originalidade), passar por modificações (que podem ou não interferir no seu contexto histórico e cultural) e revigorar manifestações que já estavam esquecidas e que se perderiam no tempo.
Cabe, portanto ao Profissional de Turismo tomar uma posição antes que “os fenômenos sejam mal compreendidos, mal interpretados, mal aproveitados e, possivelmente, destruídos”.
O “espetáculo” (apresentação de manifestações culturais) feito ao visitante, como foi dito tem seus prós e contras, mas mesmo com todas as críticas existentes Saul Martins diz que
Turismo e Folclore devem estar de mãos dadas, aliados, inseparáveis (...) o Folclore estimula o Turismo, dá-lhe calor e vida. Em compensação, o aplauso do turista entusiasma o povo, dá-lhe prestígio, alimenta o Folclore.(Martins, Saul Alves apud Della Monica, Laura, 2001 p.42)
Contudo, mesmo a cultura se transformando em “rituais de entretenimento", o turismo é forte motivador para que a população local mantenha viva suas manifestações culturais, pois, como já foi dito na citação de Saul Martins, o Turismo e o Folclore devem caminhar juntos, mas ambos devem saber respeitar suas particularidades. Onde o Turismo ajuda a manter viva as manifestações culturais sem causar um grande impacto na Cultura Popular.
Então, a Cultura Popular deve utilizar-se do Turismo como uma ferramenta de auxilio para não se perder nos tempos, dando-se o devido respeito de manter suas raízes e tradições, porque, o dia que deixarem suas verdadeiras raízes e suas particularidades, o turista não mais terá interesse em conhecê-los, pois serão iguais a qualquer outro lugar, sem qualquer atratividade.
Além do mais, a utilização do Turismo como incentivo para o crescimento e manutenção da Cultura de determinada localidade não pode servir de impulso para uma vulgarização Histórica Cultural do local. Onde, em vez de reatar os laços culturais de determinada comunidade, o Turismo age como um instrumento de exclusão da população local, além de provocar a monumentalização e a musealização, onde os atrativos se mostram como objetos sem vida e sem significados, e a população se torna peças nesse contexto, não estimulando assim, os turistas a compreenderem a cultura e por conseqüência, não participam dela.
Quando o turista tem contato com um atrativo que é dado como “morto”, sem dinamicidade - como monumentalização - ele normalmente guarda aquele momento somente em sua coleção de fotos, como mais uma, pois, dificilmente terá aquele momento em suas lembranças pelo fato de não ter entrado em contato com a cultura daquele povo e não ter visto os significados que aquele local teve no passado e tem no presente dos munícipes.
Por isso que no Planejamento Turístico é necessário pensar não só no turista, mas sim em três agentes: Turista, Profissional de Turismo (Guia, Turismólogo, etc) e por fim - com tanta importância quanto os demais - a população local. Para que a História e a Cultura sejam utilizadas e inseridas corretamente no contexto do atrativo turístico é necessário que os três agentes anteriormente citados cumpram seu papel dentro do Trade turístico.
O turista ao visitar um atrativo busca conhecer e vislumbrar o mesmo, mas internamente ele tem uma sede pelo exótico, pelo novo e pelo desconhecido. Ele sente necessidade de conhecer e participar da cultura local.
No principio o Guia tinha o papel de facilitar o contato do viajante com a comunidade receptiva, para CORIOLANO (2003) o “Guia era um intermediador de culturas”. Portanto, esse profissional tinha como função mostrar ao viajante as diferenças culturais e levar o visitante aos locais de maior expressividade, para que o mesmo tivesse formação de alta qualidade.
Hoje o Profissional de Turismo tem a função de ir além do visual, ele deve inserir na conjuntura da visitação, o significado de determinado atrativo para a população local, em dois tempos distintos - tanto no passado quanto no presente - apresentando assim, sua cultura e suas tradições de forma a valorizar os munícipes, sendo eles seu foco de inclusão.
Então, a população local deve ser inserida neste contexto, sendo que de acordo com MENESES (2004) ela é a responsável pela construção e preservação de todo o conjunto (atrativos e culturais). Essa inclusão sendo bem sucedida torna o Turismo uma atividade Sustentável, trazendo melhorias para todos envolvidos.
Turismo Sustentável, na visão de SWARBROOKE (2000) deve significar que a atividade Turística não pode impedir que a população nativa exerça seus direitos em benefício do Turista. Levando em consideração, a População Local tem seu direito resguardado pelo Código de Direitos Humanos, onde de forma alguma sua liberdade pode ser ameaçada pela presença de visitantes.
É necessário, então que os três agentes trabalhem para uma Democratização do desenvolvimento do Turismo Histórico Cultural de forma a não privar nenhuma das parcelas envolvidas. Trabalhando assim para um Resgate da memória coletiva, da interpretação e de critérios para reconstrução e preservação dos Significados mantendo-os vivos no dia-a-dia da População Local, para que essa venha participar do crescimento da atividade em seu município.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CORIOLANO, Luzia Neide Menezes Teixeira. O turismo de inclusão e o desenvolvimento local – Fortaleza: Funece, 2003.
Della Mônica, Laura. Turismo e Folclore: um binômio a ser cultuado. 2ed – São Paulo: Global, 2001.
MENESES, J.N.C. História e Turismo Cultural. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
SWARBROOKE, John. Turismo sustentável: gestão e marketing, vol 4. São Paulo: Aleph, 2000.
Notas
Ruschmann, Van Der Meene apud Della Monica, Laura, 2001 p.44