De: Mario Persona
Data: 9/10/2008 16:12:08
Para: widebiz@yahoogrupos.com.br
Assunto: [widebiz] O que fazer na crise - Kanitz
O que Fazer Nesta Crise?
http://www.kanitz.com/domes/crise.htm
Toda crise tem sete fases.
Fase 1. Não há problema na economia, diz a autoridade econômica, é tudo boato.
Fase 2. Sim, temos um problema mas tudo está sob controle.
Fase 3. O problema é grave mas medidas corretivas já foram tomadas.
Fase 4. O problema é muito grave mas as medidas emergenciais surtirão efeito.
Fase 5. Pânico geral e salve-se quem puder.
Fase 6. Comissões de inquérito e caça aos culpados.
Fase 7. Identificação e prisão dos inocentes.
Os Estados Unidos e a Europa estão na fase 5.
Brasil, China e Índia estão na Fase 3. Precisamos
nos proteger contra a possibilidade de chegarmos
na Fase 5, quando basta um entrevistado na
televisão afirmar “que esta crise é igual ou pior
que a de 1929”, como vários já falaram, ou
escrever no jornal “as conseqüências da crise
chegaram definitivamente no Brasil”, como já foi
publicado, e gerar pânico por aqui.
Não, a crise ainda não chegou no Brasil, ainda
estamos na Fase 3 e mesmo se crescermos 0% este
ano, o que ninguém prevê, toda empresa irá vender
a mesma coisa no ano que vem. Sua promoção pode
estar em risco mas não o seu emprego.
Ademais esta crise nada tem a ver, nem terá, com
a severidade da crise de 1929, quando 25% dos
trabalhadores perderam seus empregos e que durou
até 1940 com 14%. Na pior das hipóteses, o
desemprego nos Estados Unidos aumentará 3%, mesmo assim só por 24 meses.
Se tivessem líderes administrativos socialmente
responsáveis, eles já teriam ido a público
garantir que manteriam o nível de emprego de suas
empresas nos próximos 12 meses. Hoje custa mais
para se treinar um novo funcionário do que para
mantê-lo fazendo algo por 12 meses.
Depois que Alan Greenspan e Nouriel Roubini
saíram dizendo que a crise era igual à de 1929,
todos os americanos pararam de gastar, aumentando
sua poupança e prevendo o pior. Ninguém sabe
quem serão os 25% de desempregados. Quando 100%
dos consumidores param de gastar por um único
mês, cria-se uma espiral recessiva imprevisível.
Outra alternativa seria alertar os 3% que talvez
sejam demitidos para economizar, para que os 97%
possam manter normalmente suas compras evitando a espiral recessiva.
Na crise de 1929, 4.000 bancos quebraram, e a
mera referência a 1929 como fizeram Greenspan e
Roubini, leva pessoas leigas a correr para os
bancos, o que aconteceu agora na Europa.
A imprensa perdeu a capacidade de filtrar e
processar informação premida pelo tempo exíguo
para colocar tudo na internet. Publicam o que
vier, especialmente se for notícia ruim.
Nenhum banco comercial irá quebrar, nenhum ainda
quebrou nos EEUU, e mesmo se forem um ou dois,
nada se compara com 4.000. Bancos sempre quebram
mas ninguém percebe. Mesmo se quebrarem, o seu
dinheiro, ao contrário de 1929, está no fundo DI
e não no Banco. O Fundo DI está no SEU NOME e dos
demais cotistas, e se um banco brasileiro
quebrar, o que não vai acontecer, seu dinheiro
está salvo. No máximo você terá de esperar uma
semana para a troca de administrador do seu
fundo. O dinheiro está aplicado em títulos do
tesouro em SEU NOME, não do Banco.
Deixar o dinheiro onde está é o mais seguro. Se
você resgatar o seu fundo DI, o dinheiro cai na
sua conta, e se o banco quebrar justo neste dia,
você vira um credor do banco. Nossos bancos estão
recebendo depósitos dos apavorados estrangeiros.
Muita gente em pânico está saldando suas cotas em
fundos de ações e o seu gestor é OBRIGADO a
vender uma ação mesmo com ela caindo 20% no dia, algo que você jamais faria.
Acionistas majoritários não estão em pânico, nem
podem nem querem vender suas ações. Só os
minoritários se sentem uns idiotas porque não venderam na “alta”.
Não temos bancos de investimento no Brasil. De
fato, Roberto Campos implantou neste país este
mesmo modelo americano que está ruindo, mas
felizmente foi uma lei que “não pegou”. Problema a menos.
Só temos bancos comerciais, e estes são muito bem
controlados pelo Banco Central. Além do mais,
nossos bancos têm dono, e por isto estão pouco
alavancados, 4 a 5 vezes, contra 20 a 25 vezes
dos bancos de investimentos americanos.
O Brasil não está alavancado. Nossos créditos
diretos ao consumidor não passam de 36% do PIB, e
devem crescer para 40% no ano que vem. Os Estados
Unidos estão alavancados em 160% do PIB e é esta
desalavancagem súbita que está causando problemas.
Nosso Banco Central, adotou o que venho alertando
há anos a países e famílias - a política de ter
reservas para os dias de crise e hoje temos US$
200 bilhões. Pela primeira vez o Brasil tem
reservas para sustentar uma crise duradoura, sem
ter que se endividar para cobrir furos de caixa.
Temos um sistema financeiro dos mais modernos e
rápidos do mundo implantado devido à inflação
galopante dos anos 90. Nos Estados Unidos
demora-se duas semanas para se descontar um
cheque entre bancos, por isto o sistema travou.
Nenhum banco confia em outro banco numa crise destas.
Esta é a hora para disseminar a nossa força, as
nossas reservas, a competência de Henrique
Meirelles, primeiro administrador financeiro
(Coppead) a comandar o nosso Banco Central, e já
se nota a diferença. Está na hora de mostrarmos
ao mundo que como a China e Índia, nós vamos
crescer via mercado interno, com produtos
populares, tese que há anos venho defendendo.
Esta é a hora de mostrar o que DÁ CERTO no Brasil
em vez de conseguir fama no rádio e na televisão
mostrando o que poderia dar errado.
Lembre-se que os verdadeiros culpados já estão se
movimentando para culpar os inocentes, e assim
saírem incólumes e mais poderosos.
Stephen Kanitz
stephen@kanitz.com.br