De: Lúcio Wandeck
Data: 27/10/2008 00:40:34
Para: Undisclosed-Recipient:,
Assunto: [widebiz] A CRISE DA ECONOMIA AMERICANA
Repassando
Lúcio
A CRISE DA ECONOMIA AMERICANA (Explicada de forma didática)
(tradução)
Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares,
financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1
milhão de dólares. Aí, um banco perguntou para o Paul se ele não queria
uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento
como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os
800.000 dólares.
Com os 800.000 dólares, Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar,
comprou três casas em construção dando como entrada algo como 400.000
dólares. A diferença, 400.000 dólares, que Paul recebeu do banco, ele se
comprometeu: comprou carro novo (alemão) para ele, deu um carro (japonês)
para cada filho e com o resto do dinheiro comprou TV de plasma de 63
polegadas, notebooks, cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa
do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.
Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis
estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em
construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez.
O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar
outras casas e revender com lucro. Fácil! Parecia fácil. Só que todo
mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava
começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e Paul percebeu que seu
investimento em imóveis se transformara num desastre.
Milhões tiveram a mesma idéia do Paul. Tinha casa para vender como nunca.
Paul foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das
três casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender,
mais as prestações dos carros, das cuecas, dos notebooks, da TV de plasma
e do cartão de crédito.
Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha
que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já
teria revendido as três casas mas, ou não havia compradores ou os que
havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul se
danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava
e das três casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos
ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul.
Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos
que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as três casas que
comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul
quebrou. Ele e sua família pararam de consumir...
Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam
feito baseados nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os
empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos
passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos
Pauls esses títulos começaram a valer pó.
Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam
disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas
também em bancos europeus e asiáticos.
Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram
feitos baseados num preço de mercado desse imóvel... Preço que despencou.
Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e
de repente passou a valer 300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia
compradores.
Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como
os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de
Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de
bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba. Acabou.
Com a inadimplência dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar
por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham
crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e
quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado.
O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento,
é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.
O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de
juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a
injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush
lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do
imposto de renda pago, visando incrementar o consumo, porém essas ações
levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e,
até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em
recessão.
O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas.
Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para
uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para
sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da
América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda feira última, quebrado,
insolvente.
No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado
pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear
foi vendido para o JP Morgan por dois dólares por ação. Há um ano elas
valiam 160 dólares. Durante esta semana dezenas de boatos voltaram a
acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers,
um bancão. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na
próxima segunda-feira.
O que começou com o Paul hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar
apenas começando. Só o tempo dirá.
Castilho
Finabank CCTVM
E hoje, dia 15 de Setembro de 2008, o Lehman Brothers pediu falencia,
desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500
(quinhentos ) pontos no Índice Dow Jones, que mede o valor ponderado das
ações das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de New York -
a maior queda em um único dia, desde a quebra de 1929.
O dia de hoje, certamente, será lembrado para sempre na historia do
capitalismo.