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Impactos em ambientes urbanos: Jardim Botânico Benjamim Maranhão (primeira parte)
1/11/2009 - Natasha Marques de França e Edvania Gomes de Assis

O desenvolvimento sustentável aparece como uma necessidade de restabelecer o lugar da natureza na economia e nas práticas do desenvolvimento, proporcionando condições ecológicas da produção que assegurem a sobrevivência e um futuro pra a humanidade. A sustentabilidade converte-se num projeto destinado a erradicar a pobreza, satisfazer as necessidades básicas e a melhora da qualidade de vida da população. Nesse sentido o modelo de desenvolvimento sustentado vem para preservar a autonomia cultural, as identidades étnicas e as condições ecológicas de cada comunidade.



Natasha Marques de França
Edvania Gomes de Assis

 

RESUMO

 Este artigo discute o modelo de crescimento econômico que tem causado impactos socioambientais em ambientes urbanos adicionados pelo crescimento das sociedades modernas, modelo este, limitador, excludente e individualista da globalização econômica. O desenvolvimento da sociedade urbana, por não conhecer os limites, ocorreu de forma desordenada, à custa de níveis crescentes de poluição e degradação ambiental. A gestão ambiental surgiu com a crise ambiental que o mundo globalizado vem sofrendo no decorrer dos anos ao adotar os dogmas da racionalidade econômica. Nesse sentido, este estudo faz alusão ao fato de que a natureza é fator principal da vida humana como também aborda a questão da sustentabilidade e da preservação ambiental no Jardim Botânico Benjamim Maranhão (JBBM), com a finalidade mostrar os avanços da degradação ambiental e da qualidade de vida social e natural nesse ambiente, de forma a chamar a atenção para que esta discussão deva ser de grande significado na construção do pensamento dialético e da complexidade que é o meio ambiente.

Palavras-chave: Meio Ambiente. Sustentabilidade. Urbanização. Turismo.

 

ABSTRACT

This article argues the model of economical growth which has provoked a socio-environmental impact within urban environment added by the soaring of modern societies, a  bordering, abstaining and personal model of economical globalization. The development of urban society occurred in a clear disorder due it does not know its limits, with  high levels of pollution and environmental degradation. The environmental management came with the environmental crisis that the globalized world has suffering along the years when it adopted the dogmas of economical rationality. This paper also argues that the nature is a key factor of human life, it also comments the question of environment support and preservation in the botanic garden Benjamim Maranhão ( JBBM),  showing the advances of environmental degradation and  quality of life; social and natural, inside this environment. Thus, the articles that share this discussion should have an enormous meaning in the construction of dialectical  thought and about the complex issue that is the environment.

Key-words: Environment, Urbanization, Support. Tourism.

 

1 INTRODUÇÃO

 

O relacionamento da humanidade com a natureza teve início com o mínimo de interferência nos ecossistemas e, atualmente, tem culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais adicionado ao crescimento capitalista.

Dessa forma, são comuns a contaminação das florestas, a caça predatória, as diversas formas de poluição, entre outros, que causam agressão ao meio ambiente. Nesta discussão, o modelo de desenvolvimento predominante no planeta é um modelo exterminador da natureza, no qual o crescimento econômico possui uma força maior que a preservação ambiental, ou seja, a própria sobrevivência do ser vivo.

Este artigo discute os impactos ambientais em ambientes urbanos e em particular com relação a problemas gerados por ações antrópicas no Jardim Botânico Benjamim Maranhão (JBBM), considerando que nesse ambiente, projetos de contenção de degradação pelo avanço da urbanização nas áreas de entorno são pertinentes e vem gerando agravantes na sustentabilidade local, outro ponto abordado é o papel que a atividade turística exerce na área de preservação do meio ambiente, fonte para a sustentabilidade da vida no planeta

Portanto,  este texto reúne teorias, e aponta a crise ambiental tanto em escala global quanto local enfocando a gestão sustentável e as mudança educacionais como aportes importantes na qualidade e na sustentabilidade da vida futura.

 

 O HOMEM E A SUA RELAÇÃO COM A NATUREZA

 

A ecologia é a ciência que estuda as relações dos seres vivos e o lugar onde eles vivem,e em conseqüência, as influências que uns causam aos outros.

Ferreira (2001 p. 249) descreveu a ecologia como sendo o estudo das relações entre seres vivos e o meio onde vivem, bem como de suas recíprocas influências.

Com esta definição, fica clara a compreensão que temos a frente um vasto campo de conhecimento, e que na realidade não se compõe de uma ciência isolada, mas está presente em todas as nossas ações e disciplinas de estudo não somente os animais e vegetais relacionam-se entre si e o ambiente, mas também, em que vivem o homem parte integrante desta comunidade.

Infelizmente, ao longo do tempo, o homem provocou mudanças nos diversos ecossistemas, à maioria das vezes, de forma negativa e que durante os quatros primeiros séculos de ocupação humana, no Centro-Sul e no Nordeste, o desenvolvimento do Brasil e dessas regiões se fazia à custa da derrubada das florestas com o propósito de crescimento expansionista com o desenvolvimento agrícola, que contribuiu como um dos pressupostos desse evento.

Essas características, muitos resumidas, de nossa evolução econômica, tiveram não apenas profundas conseqüências na aceleração do desenvolvimento do país, mas também causaram grandes impactos ambientais.

Nos últimos anos, a preocupação com o meio ambiente vem crescendo mundialmente e já não se pode pensar na natureza como fontes de recursos inesgotáveis, sendo assim, o meio ambiente é um bem público e que a sua conservação deve estar equilibrada com o uso comum pelo povo, possibilitando a todos o contato com a natureza.

De acordo com isso, Fonteles (2000, p.75) afirma que “grande parte dos países já despertaram para os riscos que o mundo corre se o desenvolvimento adotado pela economia capitalista não frear a degradação do meio ambiente, começando a agir a partir do seu espaço territorial.

O Brasil passou por dois fenômenos que merecem destaque quando se fala de ambientes urbanos: a rápida industrialização, experimentada a parti do pós-guerra, e a urbanização acelerada que se seguiu.

Sem o sucesso e a estabilidade econômica de países como Estados Unidos,Japão ou Alemanha, somente nos anos 70 o Brasil começou a voltar-se para as questões ambientais,de saneamento e de controle da poluição. A partir de então, os grandes problemas ambientais do país vem sendo identificados e controlados, porém não com a velocidade e intensidade que merecem.

Para Oliveira (2000, p.81) “as características ambientais, durante um prolongado processo histórico, condicionam a cultura, os costumes, os estilos de vida e os conhecimentos técnicos de uma sociedade”.

Dessa forma, o relacionamento da humanidade com a natureza, que teve início com o mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais.

Atualmente, são comuns a contaminação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição dos habitats faunisticos, além de muitas outras formas de agressão ao meio ambiente.

Na procura frenética de soluções rápidas e práticas para seus problemas, a sociedade promoveu avanço técnicos no qual a natureza saiu perdendo.

De acordo com Fonteles (2000, p. 79 apud LELIS, 1995, p. 24) :“(...) se não modificar o atual modelo de desenvolvimento econômico não se produzir uma aproximação entre critérios ecológicos e processos econômicos a espécie humana corre sérios riscos de sobrevivência a médio prazo.

Nesse contexto, é clara a necessidade de mudar o comportamento do homem em relação a natureza, no sentido de promover sob um modelo de desenvolvimento sustentável a compatibilização de praticas econômicas e conservacionistas, com reflexos positivos evidentes junto á qualidade de vida de todos.

O modelo de desenvolvimento predominante no planeta é um modelo exterminador da natureza, no qual o crescimento econômico tem uma força maior que a preservação ambiental, ou seja, a nossa própria existência.

As pessoas devem adotar alguns princípios elementares de comportamento em relação ao meio ambiente, dessa forma podemos alterar de maneira significativa a atual tendência de comprometimento da qualidade de vida.

Para que isso aconteça, é vital divulgar informações sobre a presente situação do meio ambiente e sobre o que é preciso ser feito para recuperá-lo.

No ambiente urbano das médias e grandes cidades, os meios de comunicação são responsáveis pela educação do individuo e conseqüentemente da sociedade, uma vez que há o repasse da informação, isso gera um sistema dinâmico e abrangente a todos.

A globalização dos mercados, o milagre das telecomunicações, a estabilização da economia são fatores que devem ser analisados cuidadosamente se o objetivo buscado é o chamado desenvolvimento sustentado.

A população está cada vez mais envolvida com as novas tecnologias e com cenários urbanos perdendo desta maneira, a relação natural que tinham com as terras e suas culturas.

Ainda não temos consciência planetária que a degradação do ambiente provoca vários impactos, de baixa ou alta relevância, mas que somados podem levar ao desaparecimento de ecossistemas inteiros e de espécies vegetais e animais, além de muitos recursos naturais. Os impactos de baixa relevância são comuns e, até certo ponto aceitáveis, uma vez que não há como intervir em um ambiente sem lhe causar algum dano. Quanto aos impactos de alta relevância, ainda temos muito que fazer.

Já não se pode pensar apenas em riquezas e no crescimento econômico,e sim pensar, num desenvolvimento sustentável, como único meio de apaziguar os impactos causados a natureza afim de melhorar a qualidade de vida da população.

 De acordo com Leff (2001, p. 26) “o discurso da sustentabilidade busca reconciliar os contrários da dialética do desenvolvimento: o meio ambiente e o desenvolvimento econômico”.

A tecnologia seria responsável em reverter os impactos negativos causados ao meio ambiente; a tecnologia, que contribuiu para o esgotamento dos recursos naturais, resolveria o problema da escassez global.

 Leff (2001, p. 40) “ comenta que a racionalidade ambiental gera uma reorganização da produção baseada no potencial produtivo da natureza, no poder da ciência e da tecnologia modernas e nos processos de significação que definem identidades culturais e sentidos existenciais dos povos em diversas formas de relação entre os seres humanos e a natureza”.

Segundo Trigueiro (2003, p. 169)

pela primeira vez ao longo da historia da vida, uma espécie adquiriu, através do conhecimento cientifico e tecnológico, o assustador poder de alterar  em profundidade, para o bem ou para o mal, o próprio ambiente em que vive, afetando significativamente, em escala planetária, os processos físicos, químicos e biológicos da natureza.

 

O desenvolvimento sustentável aparece como uma necessidade de restabelecer o lugar da natureza na economia e nas práticas do desenvolvimento, proporcionando condições ecológicas da produção que assegurem a sobrevivência e um futuro pra a humanidade. A sustentabilidade converte-se num projeto destinado a erradicar a pobreza, satisfazer as necessidades básicas e a melhora da qualidade de vida da população. Nesse sentido o modelo de desenvolvimento sustentado vem para preservar a autonomia cultural, as identidades étnicas e as condições ecológicas de cada comunidade.

A humanidade, habitante deste planeta, necessita se unir, nesta consciência ecológica. O único meio é a informação e a educação, para isso, a solução da crise ambiental apenas será possível por via de uma gestão racional da natureza e dos possíveis riscos da mudança global.

A educação ambiental pode vir a proporcionar o florescimento de algo que estar dentro de cada individuo, de uma maneira virtual ou ainda em um estado latente, estabelecendo uma ligação entre o individuo e a natureza, e integrá-la a atividade turística, assim, poderemos pensá-lo de uma nova forma.

Para Lemos (1996, p.25)” a educação ambiental estará definitivamente ancorada no turismo se ambos tiverem como propósito a busca do outro, do diferente”.

A esperança está nos educadores ambientais em conscientizar um numero expressivo da população mundial, crianças e adultos, afim de que, num futuro próximo, os recursos naturais hoje existentes possam ser utilizados racionalmente e de forma sustentável.

Para Assis (2004)

 

 

caracterizar o meio natural sem destacar a sua real importância, seria a mesma coisa que sentenciar sua própria existência. Nos dias atuais se percebe que os avanços tecnológicos adicionados à competição de mercado inibem projetos que retratam sobre a sustentabilidade do meio ambiente. as discussões dos ambientalistas e defensores da natureza (ONG´s – organizações não governamentais) relatam a preocupação da aplicabilidade dos conceitos de desenvolvimento sustentável com relação as transformações rápidas do crescimento econômico que o mundo vem passando, e em torno das pressões dos mercados internacionais, frente a competição de mercado.

 

Nesse sentido a autora descreve que os problemas ambientais estão na natureza do cerne dos impactos e do aumento exacerbado do consumismo, posto que, os agravantes vão impactar diretamente o ambiente natural e o homem parte deste processo.

 

 

A LEIS COMO SUSTENTÁCULO PARA SUPERAÇÃO DE CRISES AMBIENTAIS

 

            As leis, decretos, protarias, resoluções, entre outros auxiliam na execução e determina a melhor forma de gestar e proteger a sustentabilidade socioambiental e socioeconômica.

            No Brasil, a legislação ambiental é um forte aliado na conjuntura para a  proteção ambiental de ecossistemas e biomas que cobrem a territorialidade do pais. Nesse contexto, o meio ambiente possui um valor que deve ser necessariamente assegurado e protegido para uso de todos. Como descrito pela Constituição Federal do Brasil (1988, p. 129) “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial á sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Nesse sentido, a extinção de espécies animais e vegetais, assim como a necessidade de melhorar a qualidade de vida do ser humano deixam claro que o fenômeno biológico e suas manifestações sobre o planeta estão perigosamente alterados. Tal crise é reflexo da consciência da verdadeira guerra existente em torno da apropriação dos recursos naturais limitados para satisfazer necessidades ilimitadas.

Sendo assim, Milaré (2005, p. 131) afirma que:  

 

Entre as várias terapias ecológicas sugeridas para a preservação e a cura da doença ressalta o recurso ao Direito como elemento essencial para coibir, com regras coercitivas, penalidades e imposições oficiais, a desordem e a prepotência dos poderosos (poluidores, no caso).

Começou, então, o legislador a transfundir em normas os valores da convivência harmoniosa do homem com a natureza, ensejando o aparecimento de uma nova disciplina jurídica – o Direito Ambiental -, nascida do inquestionável direito subjetivo a um ambiente ecologicamente equilibrado e de um direito objetivo cujos passos, ainda titubeantes, urge afirmar e acelerar. A crise ambiental é o resultado do desconhecimento da lei – limite da entropia. Que desencadeou no imaginário economicista a ilusão de um crescimento sem limites, de uma produção infinita.

 

Os interesses para a apropriação dos recursos naturais se processam em clima de guerra, o que provoca a ausência de postulados reguladores de conduta que poderia redundar numa luta permanente e desigual. Por isso, há grande necessidade de um regramento jurídico para que esse jogo de interesses possa se estabelecer com equilíbrio. E isso pode ser gerado pelas leis ambientais como uma ferramenta de cidadania.

Nesta discussão, é primordial o envolvimento da sociedade civil na implementação da política ambiental, pois o sucesso dela supõe que todas as categorias da população e todas as forças sociais, conscientes de suas responsabilidades, contribuem para a proteção e a melhora do ambiente, que, afinal, é bem e direito de todos.

Segundo Philippi Júnior e Pelicioni (2005, p. 6) afirma que “desde agosto de 1981, quando foi sancionado a lei Federal no. 6.938, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, incluindo as finalidades e os mecanismos de formulação e execução, a educação ambiental foi considerada como um de seus alicerces, devendo se voltar a todos os níveis de ensino, inclusive à educação da comunidade, a fim de capacita-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente.

Conforme a Lei Federal n. 9.795, de 1999, que dispõe sobre a Política Nacional de Educação Ambiental, todos tem direito a educação ambiental, componente essencial e permanente da educação nacional, que deve ser exercida de forma articulada em todos os níveis e modalidades de ensino, sendo de responsabilidade do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), do Sistema Educacional, dos meios de comunicação, do Poder Público e da sociedade em geral. Em seu art. 5º, a lei estabelece entre seus objetivos fundamentais:

O incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania(IV);

O fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade (VII)”.

A educação ambiental, ao formar para a cidadania ativa e igualitária, vai preparar homens e mulheres para exigir direitos e cumprir deveres, para a participação social e para a responsabilidade, de modo a contribuir e influenciar a formulação de políticas publicas e a construção de uma cultura de democracia.

 

Nesse sentido, a gestão federal, estadual e municipal tem procurado se adequar as mudanças globalizadas, com o propósito de minimizar os agravantes sofridos pelos ecossistemas tantos os terrestres quanto o aquáticos. É importante deixar claro que não há mudanças ambientais sem conscientização social e ambiental e vice-versa para que o equilíbrio do meio ambiente seja regulável assim descritas na legislação ambiental.

 

MEIO AMBIENTE, SUSTENTABILIDADE E A BUSCA POR UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA

 

A Constituição Federal do Brasil de 1988 é bastante atual quando trata da inserção do conceito de desenvolvimento sustentável em seu texto:

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

 

Enfim, o desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades. A crise ambiental, por sua vez, veio para questionar a racionalidade que impulsionou o crescimento econômico negando a natureza. E nesse patamar, tem-se o  princípio de sustentabilidade que surgiu para reorientar o processo de civilização da humanidade.

Os atuais padrões de consumo e de produção das sociedades modernas alteram negativamente os ambientes naturais, aumentando assim, a exposição a doenças.

 É clara a necessidade de mudar o comportamento do homem em relação à natureza, no sentido de promover, sob um modelo de desenvolvimento sustentável, a compatibilização de práticas econômicas e conservacionistas com reflexos positivos e evidentes junto à qualidade de vida de todos.

Já não se pode pensar apenas em riquezas e no crescimento econômico, e sim, num desenvolvimento sustentável, como único meio de apaziguar os impactos causados a natureza a fim de melhorar a qualidade de vida da população.

Nesse sentido, Leff (2001, p. 26) afirma que o “discurso da sustentabilidade busca reconciliar os contrários da dialética do desenvolvimento: o meio ambiente e o desenvolvimento econômico”. A tecnologia seria responsável em reverter os impactos negativos causados ao meio ambiente; a tecnologia, que contribui para o esgotamento dos recursos naturais, resolveria o problema da escassez global.

(...) a racionalidade ambiental gera uma reorganização da produção baseada no potencial produtivo da natureza, no poder da ciência e da tecnologia modernas e nos processos de significação que definem identidades culturais e sentidos existenciais dos povos em diversas formas de relação entre os seres humanos e a natureza. (LEFF, 2001 p. 40)

 

Por outro lado, o desenvolvimento sustentável aparece como uma necessidade de restabelecer o lugar da natureza na economia e nas práticas do desenvolvimento, proporcionando condições ecológicas da produção que assegurem a sobrevivência e um futuro pra a humanidade.

Para Philippi Júnior e Pelicione (2005, p. 77):

A manutenção do meio ambiente é uma das condições necessárias para a qualidade de vida. É preciso então planejar o espaço, de modo a garantir a conservação e o controle do uso dos recursos naturais e artificiais, o gerenciamento de resíduos, o conforto térmico, acústico, visual e espacial, ou seja, condições ambientais que diminuam ou evitem o risco de exposição da população ao agravo á saúde.

 

Grande parte dos agravos da saúde está relacionada com a degradação ambiental, já que as alterações do meio ambiente interferem muito na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Saúde e meio ambiente são indissociáveis, e sua manutenção saudável  depende de uma constante vigilância.

A sustentabilidade converte-se num projeto destinado a erradicar a pobreza, satisfazer as necessidades básicas e a melhora da qualidade de vida da população. O que isso aponta é que um modelo de desenvolvimento sustentado vem para preservar a autonomia cultural, as identidades étnicas e as condições ecológicas de cada comunidade.

 

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL EM AMBIENTES URBANOS

 

O desenvolvimento industrial com sua força de produção e organização do trabalho, a concentração populacional nas grandes cidades, as interações natureza/sociedade adequada as relações de mercado, a exploração dos recursos naturais, causou ao longo dos anos, impactos sociais e ambientais responsáveis por desequilíbrios ambientais.

A deterioração das florestas tropicais, o aquecimento global, espécies em extinção e a crescente degradação ambiental estimularam o apoio público a conservação.

Para Neiman (2000, p. 41)

Os principais objetivos da criação das (UCs) Unidades de Conservação: a gestão de seus recursos naturais – renováveis ou não – e a conservação da biodiversidade, muitas vezes colidem com o interesse e aceitação das mesmas por parte das comunidades privadas direta ou indiretamente do acesso e uso dessas áreas.

 

 

As áreas protegidas constituem-se em um dos principais instrumentos para garantir a continuidade de espaços naturais primitivos, ou seja, sem a ação do homem, no planeta e sua importância baseia-se em preservar esses espaços para a qualidade de vida das gerações futuras.

De acordo com Beni (2003, p.65) “dificilmente se fará turismo no futuro sem levar em consideração a consagração e a preservação da natureza, pois, afinal, ela é o hábitat do ser humano e a garantia da nossa sobrevivência”.

Toda a sociedade é responsável pela degradação ambiental: os ricos poluem com a sua atividade industrial e comercial enquanto o pobre polui por falta de condições econômicas de viver condignamente e por falta de informações, já que a maioria da população é semi-analfabeta e ainda, o Estado polui por falta de informações ecológicas de seus administradores, gerando uma política desvinculada dos compromissos com o meio ambiente.

A devastação ambiental provocada pelo desejo de usar os recursos naturais para nossa própria satisfação vem trazendo um grande desequilíbrio ambiental, se não sanado, poderá tornar impossível a vida do ser humano no planeta.

Para Serrano (2000, p. 50) o aumento de carga de impactos causados pela visitação deve ser gerenciado de modo a não afetar a conservação dos ambientes naturais. Para isso, a educação do visitante e o planejamento da visitação tornam-se atividades fundamentais e deve utilizar-se de ferramenta e métodos que conciliem uso e conservação.

È preciso utilizar os recursos naturais de forma planejada  afim de  apaziguar os impactos causados.

Segundo Neiman (2000, p.43) :

 

Estas preocupações tiveram como conseqüências práticas a criação de áreas com ecossistemas “intocados” pelo ser humano, decretando-se parques, reservas além do desenvolvimento do conhecimento cientifico da ecologia. A eles somaram-se os ideais de um “movimento ambientalista” que lutava pela diminuição do ritmo acelerado de destruição dos recursos naturais ainda existentes e buscava alternativas que conciliassem, na prática, a conservação da natureza com a qualidade de vida das populações que dela dependessem, e que, num determinado momento, colocaram em xeque a idéia desenvolvimentistas em que a qualidade de vida dependia unicamente do avanço da ciência  e da tecnologia,fazendo surgi a necessidade de repensar o conceito de desenvolvimento.

 

Esse novo comportamento do ser humano que passa a se preocupar com as suas ações entendendo que ele também faz parte da natureza.

Aceitando que a Natureza não está ali apenas para servi-lo,mas para que ele possa sobreviver em harmonia com os demais seres.

Percebendo isso, o ser humano passou a se preocupar com suas ações.

Passou a ter ações coerentes em relação à Natureza. Mesmo as suas ações intersociais passam a ser direcionadas à causa de preservação da vida global.

A criação e manutenção de Unidades de Conservação é apoiada por larga parcela da sociedade, na maioria dos países, pois a necessidade de proteção de lugares especiais, por motivos diversos,é universal.

Para Milaré (2005, p.196)

 

As unidades de conservação, conforme o art. 2.,I, da lei 9.985, de 18,07.2000, são os espaços territoriais e seus respectivos recursos ambientais,incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, aos quais se aplicam garantias adequadas  de proteção.

 

 

O modelo de proteção da natureza deve levar em conta a escolha da área  geográfica que será protegida,os aspectos ecológicos, econômicos e político-institucionais, o número e a localização de outras unidades que formariam um possível conjunto, a eficiência econômica,segurança, a presença da população e a participação no caso de existência de comunidades  próximas as áreas.

No Brasil, em nível federal, as mais significativas unidades de conservação são os Parques Nacionais e Estaduais, as Reservas Biológicas, as Reservas Ecológicas, as Estações Ecológicas e as Áreas de Proteção Ambiental.

O conjunto das unidades de conservação federal, estaduais e municipais forma o SNUC, sistemas que devem incluir comunidades bióticas geneticamente sustentáveis, abrangendo a maior diversidade possível de ecossistemas existentes no território brasileiro e nas águas territoriais, com prioridade aos que se encontrarem mais ameaçados de degradação ou eliminação.

Segundo Serrano e Bruhns (1999 p.109) Pela nova definição do SNUC, parques nacionais “são constituídos por ecossistemas naturais e, em menor escala, por ecossistemas modificados, em geral de grande beleza cênica, e tem como objetivo preservar a natureza e proporcionar oportunidade para a pesquisa cientifica, a educação ambiental, o lazer e o turismo ecológico”.

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza foi instituído, no Brasil,no dia 18 de Julho de 2000,através da Lei N 9.985 e estar se consolidando de modo a ordenar as áreas protegidas, nos níveis federal, estadual e municipal.

No Brasil, as Unidades de Conservação têm surgido sem as mínimas condições para garantir a sua conservação.

Não existem recursos humanos, planos de manejo, previsão orçamentária pra investimentos em equipamentos e outras necessidades. São poucas as Unidades de Conservação que possuem estruturas mínimas para se manterem em funcionamento, sendo que a maioria encontra-se abandonada ou ainda não saíram do papel.

A idéia de sustentabilidade é entendida como um senso profundamente de integridade ecológica, preservação da integridade cultural, de autodeterminação das comunidades, de igualdade e justiça.

A questão primordial agora, não é mais viver melhor amanhã, mas viver de modo diferente hoje, aqui e agora, e para que isso aconteça exige grandes mudanças na forma de pensar, viver, produzir e consumir.

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