O JARDIM BOTÂNICO BENJAMIM MARANHÃO COMO ATRATIVO NATURAL NA CIDADE DE JOAO PESSOA (continuação da primeira parte)
A cidade de João Pessoa possui um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica em área urbana do Brasil, conhecida popularmente como a Mata do Buraquinho, hoje, Jardim Botânico.
Está localizado próximo a Br 101, saída para o litoral sul e Recife e do Campus da Universidade Federal da Paraíba, construído onde existia parte da mata atlântica. A criação do Jardim Botânico na Mata do Buraquinho possibilitou, num só local, a preservação de muitas espécies nativas para diversos fins.
Os jardins botânicos diferem dos parques por possuírem coleções de plantas ordenadas e classificadas, devidamente registradas e documentadas, bem como, por oferecer aos visitantes informações sobre as espécies botânicas, suas origens, utilidades e curiosidades.
A exposição e divulgação da riquíssima flora da Mata Atlântica deverão conscientizar e gerar uma empatia positiva entre a população e as espécies que forma dentro da Mata, com efeitos bastantes positivos sobre a preservação e a valorização do meio ambiente.
O Jardim foi implantado para promover a pesquisa, a conservação, a educação ambiental e o lazer com a finalidade de difundir o valor multicultural das plantas e sua utilização sustentável. Em análise de área, o jardim possui 515 hectares de mata atlântica, considerada um universo inexplorado com fauna e flora abundantes, itens básicos da cadeia biológica. Presume-se possuir uma surpreendente diversidade animal, embora nenhum censo tenha sido, ainda, aplicado para uma identificação mais precisa sobre bichos, insetos e aves existentes na mata. Mas não é necessário muito esforço para se visualizar dezenas de espécies de borboletas, cobras, peixes, cágados, tamanduás, galinha d’água, garças e inúmeras outras aves de pequeno e grande portes.
Mas, mesmo diante de tanta beleza natural, problemas causados pela ação antrópica é o maior desafio do Jardim Botânico. Manter o nível de consciência ecológica, preparando as novas gerações para a guarda e a ampliação desse tesouro que passa a ter um valor agregado, pois deixa de ser apenas uma área de preservação permanente, para interagir no conhecimento e no desfrute de brasileiros e estrangeiros preocupados com o destino da natureza e, consequentemente, da raça humana.
Atualmente, há centenas de famílias de comunidades carentes instalados no entorno do Jardim Botânico e esses contribuem com ações depredatórias diretas a este ecossistema. A ocupação da circunscrição do Jardim vem desde 1975. Representantes da sociedade civil e da comunidade Jardim Paulo Afonso afirmam que os impactos continuam aumentando velozmente e a maior parte desses habitantes são de baixa renda, além de pouco instruídos sobre a questão da educação e em particular da educação ambiental.
Uma grande parte das famílias que está instalada no entorno do Jardim é oriunda das áreas rurais e atraída pela oportunidade de empregos e melhores condições de vida, vindo a ocupar áreas de riscos, insalubres ou, ainda, invadindo áreas de preservação não só no JBBM, mas, na grande João Pessoa.
Nos últimos trinta anos, a cidade de João Pessoa cresceu e o Jardim foi cercado de bairros residenciais. Mesmo dispondo, hoje, de melhores condições de vida, a população continua construindo habitações que provocam a degradação ambiental, devastam a floresta, e por conseqüência, acarreta a poluição do manancial do Jardim. Fiscalização tem sido feita por parte dos órgãos ambientais, mas a insuficiência de vigilância durante as 24 horas do dia provoca essa abertura para a ocupação e a degradação com fortes indícios de vandalismo.
Se não houver mudanças, com relação às atitudes exterminantes da natureza, a sociedade irá minar sua própria existência.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE
A problemática ambiental, um dos temas mais discutidos na atualidade, envolve todo tipo de problemas e discussão a respeito das condições socioambientais das áreas urbanas, incluindo questões como a qualidade de vida humana e os impactos da ação humana em todas as escalas de tempo e de espaço.
A crise ambiental que hoje se apresenta é conseqüência da profunda crise social, econômica, filosófica e política que atinge toda a humanidade, resultado de valores e praticas que estão em desacordo com as bases necessárias para a manutenção de um ambiente sadio, que possibilite uma boa qualidade de vida a todos os membros da sociedade.
Construir e manter comunidades sustentáveis são um dos nossos grandes desafios à medida que o nosso século se desdobra.
Para Philippi Júnior e Pelicioni (2005, p. 4 e 5 apud Mello e Souza 2000, p. 3 e 4),
(...) além das resistências sociais normais, do descaso de muitos e da indiferença de tantas empresas e instituições, constata-se o fato preocupante de haver, mesmo entre os interessados, confusão de discurso, imprecisão de conceitos, omissão de áreas de estudos. A Educação Ambiental sofre com essas ambivalências, essas omissões teóricas e o singular fracionamento de significações; seu propósito é danificado. O objetivo de contribuir para a melhoria da consciência crítica, em relação à crise ecológica, registra o dano. Pulveriza e debilita a ação corretiva.
Ainda há muita confusão a respeito do conceito de sustentabilidade ecológica, acredito que vale a pena refletir por um momento que seja a respeito do verdadeiro significado da palavra sustentabilidade.
Conforme Trigueiro (2003, p.19 ), “o conceito foi introduzido no início da década de 1980 por Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, que definiu comunidade sustentável como a que é capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras”.
Essa definição de sustentabilidade é uma grande encorajadora moral, pois ela nos faz lembrar da nossa responsabilidade de passar aos nossos filhos e netos um mundo com tantas oportunidades quanto aquele que herdamos. Mas não nos diz nada a respeito de como construir, na prática, uma sociedade sustentável.
O que necessitamos é de uma definição operacional de sustentabilidade ecológica. O caminho para se chegar a esta definição operacional está em reconhecer que não precisamos inventar as comunidades humanas sustentáveis a parti do zero, mas que podemos moldá-las de acordo com os ecossistemas naturais.
Para Oliveira (2000, p.3),”a educação deveria exercer um papel ético de fazer crescer, em cada um de nós, a consciência da existência do nosso ser, e, principalmente, a sabedoria de fazer respeitar o ser diferente”.
A educação profunda não separa o homem do ambiente. A educação ambiental se coloca numa posição contrária ao modelo de desenvolvimento econômico do sistema capitalista, em que os valores éticos, de justiça social e solidariedade não são considerados, mas prevalecem o lucro a qualquer preço.
Não observa o mundo como sendo apenas uma coleção de objetos isolados e sim como uma rede de fenômenos interligados e interdependentes.
È reconhecer que estamos inseridos nos processos da natureza e que deles dependemos para viver.
A educação ambiental busca um novo ideário comportamental, tanto no lado individualismo quanto no coletivismo. Ela deve começar dentro de casa, ganhar as praças e as ruas, atingir os bairros e as periferias, não esquecendo de evidenciar as peculiaridades regionais, apontando para o nacional e o global.
A ATIVIDADE TURISTICA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
O turismo é movimento de pessoas, antes de qualquer coisa, gente; é uma atividade reconhecida atualmente e de grande importância mundial, pois é um grande gerador de empregos, aumento de renda e concentração de capital e etc.
O turismo é uma atividade que ultrapassa os setores convencionais da economia. Ele requer dados de natureza econômica, social, cultural e ambiental. Nesse sentido, é freqüentemente descrito como uma atividade multifacetada, o problema da definição representa uma dificuldade séria e continua para os analistas do turismo (LICKORISH e JENKIS, 2000, p.9).
Segundo Cooper (2001 p. 41 – 42) o turismo é uma atividade multifacetada e multidimensional, que tem contato com muitas vidas e atividades econômicas diferentes. Não é surpreendente, portanto que tenha se mostrado muito difícil de definir – a palavra turista apareceu pela primeira vez na língua inglesa no século XIX, e quase dois séculos mais tarde, não temos um acordo sobre a definição de certo modo, isso reflete a complexidade do turismo, mas também é um indicativo de sua imaturidade.
O TURISMO SUSTENTÁVEL
O Turismo Sustentável pode ser compreendido como um segmento do turismo que tem apresentado altos índices de crescimento, sendo uma tendência atual. Isso significa que há uma demanda crescente de turistas que procuram áreas naturais, em busca de um maior contato com a natureza.
Para Corner (2001 p.230),no campo do turismo,se introduz o conceito de turismo sustentável, com a pretensão de compatibilizar o desenvolvimento turístico e a conservação dos recursos utilizados para ele.
A localidade que explorar a atividade turística e que tem por finalidade adotar práticas voltadas ao desenvolvimento sustentado é necessário dedicar especial atenção á forma de desenvolvimento que estar sendo utilizada.
Segundo Swarbrooke (2000, p. 29):
Muitos analistas vêem a indústria do turismo como a vilã no melodrama do turismo sustentável. Com freqüência, e corretamente ou não, considera-se que as empresas de turismo estejam interessadas somente em seus lucros e com perspectivas de curto prazo. Todavia, mesmo sendo essa indústria uma das principais causas dos impactos negativos do turismo, é óbvio que ela também deve ter um papel fundamental na tentativa de criar formas mais sustentáveis de turismo.
O turismo é uma atividade que deve se desenvolver de maneira planejada, deve ser utilizada na tentativa de também solucionar problemas e/ou apaziguar impactos causados por essa atividade.
Para Petrocchi (2000 p. 59), a expansão do turismo deve ocorrer até o limite da capacidade territorial de receber visitantes. Devem–se impor limites ao crescimento do turismo, pela preservação do meio ambiente, tanto do ponto de vista físico como do social.
Por isso, é necessário que seu desenvolvimento ocorra da maneira mais ordenada possível, tentando reduzir todos aqueles impactos que possam repercutir negativamente no meio ambiente.
Segundo Dias (2003, p. 21)
O impacto do turismo sobre o meio ambiente é inevitável. O que se pretende é mantê-lo dentro de limites aceitáveis, para que não provoque modificações ambientais irreversíveis e não prejudique o prazer do visitante ao usufruir o lugar. Devemos considerar, por outro lado, que o turismo não pode ser tratado como o único vilão, pois existem outro processo econômicos que contribuem para as modificações ambientais nos locais turísticos, e que muitas vezes deixam de ser considerados pela dificuldade em isolá-los do processo principal, que sem dúvida é a atividade turística.
A qualidade ambiental está cada vez mais sendo vista não apenas como um bem público, mas sim, como uma fonte de valores econômicos e sociais.
Para Corson (1996 p. 317) “atividade econômica, em particular, necessita de orientação ética; os negócios precisam começar a avaliar os impactos a longo prazo de suas ações, bem como os resultados a curto prazo”.
O Turismo sustentável deve garantir a proteção dos recursos naturais das áreas e também gerar renda para as mesmas, com a finalidade de tornar esta preservação possível. O Turismo ecológico ou sustentável não se restringe apenas a uma viagem com o objetivo de contemplar a natureza, pois os pilares que sustentam essa atividade turística é ecológica, social e holística, sendo exeqüível se houver respeito ao meio ambiente, eliminação ou redução da pobreza, implantação de programas educacionais eficientes, resgate e fortalecimento da cultura local, criação de postos de trabalho e valorização do trabalho já existente, enfim, é um turismo que tem lugar em ecossistemas, em ambientes naturais, e, por outro lado, que busca favorecer o conhecimento e aprendizado de manifestações naturais, mediante certas interações de baixo impacto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As questões ambientais em áreas urbanos são notórias e crescem cada vez mais, independente da hierarquia urbana das cidades. O JBBM é uma área de 515 hectares de mata atlântica em ambiente urbano da cidade de João Pessoa que proporciona um bem estar à população, tendo sido criado exclusivamente para incentivar a pesquisa, a educação ambiental e o lazer. Mas, é notório que, em se tratando de um Patrimônio Natural, precisa de cuidados e atenção dos órgãos competentes responsáveis pela fiscalização e manutenção do mesmo.
Na produção deste estudo, verificou-se que a legislação de proteção ambiental tem sido usada em todos os tipos variados de impactos causados a natureza, porém no que tange ao trabalho de conscientização, esse é lento, merecendo que, além da paciência em implanta-lo, também exista a perseverança por parte dos envolvidos no .
Este artigo procurou, a partir das informações e dados apresentados, mostrar a necessidade de existência de relatos e de discussões que possibilitem a criação de planos e projetos que busquem a sustentabilidade futura dos ecossistemas em ambientes urbanos.
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