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Convention & Visitors Bureaux
11/7/2004 - Lilia Tanner

Os CVB’S, para o exercício pleno de suas atividades, devem ter um banco de dados atualizado, com todas as informações de interesse da atividade turística local. Devem servir de elo entre a iniciativa privada e o poder público, agilizando, assistindo e cooperando com as entidades nacionais e internacionais, promotoras de congressos, viagens de incentivo e outros eventos, com o objetivo de atrair a sua realização para a localidade e garantir o sucesso, a qualidade e à adequação dos eventos aos equipamentos disponíveis e às suas sazonalidades, permitindo, assim, o perfeito equilíbrio entre demanda e a oferta turística.



A origem dos CVB’s ainda é controvertida. Uma teria origem em Londres, quando dois hotéis concorrentes contataram uma empresa de marketing para trazer eventos. Conta-se que, na época, começavam a se organizar as associações médicas e os eventos, como meio de transmissão do conhecimento e esses eventos conferiam prestígio a quem os realizava.

Outra versão está ligada ao comércio. Um comerciante de sapatos percebeu que quando havia eventos em sua cidade, a venda de sapatos crescia assustadoramente. Assim, animado com essa constatação, criou juntamente com outros comerciantes, um comitê para estimular a realização de eventos em sua cidade, dando origem ao primeiro Bureau.

Por fim, a terceira versão, e mais aceita, é atribuída a um grupo de empresários de Detroit, que teve a iniciativa de contratar um profissional de vendas com a função exclusiva de convidar, para a sua cidade, as convenções a serem realizadas. Assim, em 1896, foi formado o primeiro Convention Bureau, e uma nova indústria emergiu. Várias cidades seguiram-se a Detroit e hoje, os chamados Bureaux tornaram-se parte essencial da identidade e de venda de um destino ou cidade.

Os Convention & Visitors Bureaux são, normalmente, entidades de direito privado, caracterizadas como fundações sem fins lucrativos.

Seus organogramas são normalmente compostos de um Conselho Curador, de um Conselho Consultivo, e de uma Diretoria Executiva ou Superintendência e equipe técnica. Fazem parte dessas cadeiras nos Conselhos, representantes de entidades importantes do trade de turismo como ABEOC, ABIH, EMBRATUR, SEBRAE, Secretarias de Turismo, Sindicatos de ligados à área de bares e restaurantes e de entretenimento, de companhias aéreas, federações e confederações ligadas ao comércio, de universidades, de shoppings, da imprensa, etc.

Criados a partir do interesse do trade de turismo da localidade funcionam como organizações independentes, que tem por finalidade:

  • A geração de eventos;
  • A captação de eventos;
  • A promoção mercadológica - destacar o destino como ideal para realização de eventos, viagens de lazer e de incentivo;
  • A divulgação da imagem e da qualidade do destino, em âmbito nacional e internacional, bem como, dos seus recursos, sua infra-estrutura e seus atrativos.
  • As atividades de Visitors
  • Os CVB’S, para o exercício pleno de suas atividades, devem ter um banco de dados atualizado, com todas as informações de interesse da atividade turística local. Devem servir de elo entre a iniciativa privada e o poder público, agilizando, assistindo e cooperando com as entidades nacionais e internacionais, promotoras de congressos, viagens de incentivo e outros eventos, com o objetivo de atrair a sua realização para a localidade e garantir o sucesso, a qualidade e à adequação dos eventos aos equipamentos disponíveis e às suas sazonalidades, permitindo, assim, o perfeito equilíbrio entre demanda e a oferta turística.

    A importância dos CVB’s, que buscam estimular o fluxo turístico, pode ser sentida no surgimento de novas oportunidades de vendas e prestação de serviços para a indústria turística. Através do consumo direto dos serviços dos hotéis, transportes, comércio, e em todas as atividades do turismo receptivo. No lucro obtido pelas empresas, quer na prestação de serviços ou venda de produtos, com os recursos provenientes dos gastos dos turistas, congressistas e participantes de feiras que são atraídos para a localidade, e também com a redução das chamadas baixas estações do turismo.

    A localidade que conta com um CVB está garantindo uma fatia do competitivo mercado de eventos, e isso significa dizer, geração de empregos, de salários, de renda, em postos diretos ou indiretos, através da movimentação de uma extensa lista de segmentos envolvidos, chamada de cadeia produtiva.

    A Manutenção dos CVB’s é garantida pela iniciativa privada através de contribuições mensais realizadas por empresas, geralmente ligadas ao trade de turismo, como empresas organizadoras de eventos, montadoras, empresas de filmagem, tradução simultânea, aluguel de equipamentos, transportes, agências de viagens, operadoras de turismo, agências de receptivo, shoppings, empresas de comunicação, que recebem a denominação de "empresas mantenedoras". Muitas outras categorias ainda podem ser inseridas nessa lista.

    Outra fonte de recursos é a arrecadação do room tax, popularmente conhecido como taxa de turismo. Paga pelos turistas é arrecadada pelos hotéis que assim se tornam fiéis depositários. Essa taxa, é fruto de acordo entre a Entidade que os representa, a ABIH, a autoridade do estado e o CVB. O valor varia de local para local e também de acordo com o tipo de hotel. Normalmente comparada com a arrecadação dos mantenedores o somatório do room tax é mais significativo e pode determinar o nível de atuação dos CVB’s no mercado de eventos, oferecer maior ou menor lastro para as ações de marketing a serem implementadas em prol das captações ou da estratégias de venda dos destinos.


    Os recursos públicos também podem compor o caixa dos CVB’s, que podem ser oriundos de taxas municipais e/ou estaduais, dotação de verbas para projetos especiais, contratos de prestação de serviços, convênios, etc.

    A contrapartida da obrigação de pagamento mensal das empresas mantenedoras se dá nos seguintes aspectos:

    1. Marketing relacionado; Os CVB’s divulgam em seu material promocional e institucional (folderes, show cases, e jornal institucional, etc) as empresas que o mantém. Com a crescente profissionalização do setor, as entidades promotoras já reconhecem nos CVB’s uma referência na informação de prestadores de serviços e/ou produtos que são sinônimos de qualidade.

    2. Prioridade de Contratação: Na atividade de captação de eventos, quando o há a escolha do destino do evento naquela edição, os CVB’s firmam um convênio com o presidente do evento, através de um termo de compromisso, onde há a prioridade de contratação de prestação de serviços junto ao elenco de empresas mantenedoras. Essa é a contrapartida da entidade promotora do evento, pois a assistência recebida do CVB não lhe tem custo algum.

    3. Informação privilegiada: no mundo moderno, o circuito de relacionamentos, as associações e a informação em primeira mão é chave segura para o sucesso. Assim, tão logo é confirmada a captação do evento, os mantenedores recebem a informação dos dados do evento, podendo contatar a entidade em primeira mão para oferecer seus produtos e/ou serviços.

    Para o exercício pleno de suas atividades é fundamental para um CVB: 

    · Desenvolver pesquisa para captação de eventos;

    · Formar de um banco de dados - entidade e eventos associados;

    · Elaborar um dossiê técnico ou book de captação, contendo informações gerais e específicas da localidade bem como o registro das entidades e órgão públicos que apoiarão a entidade promotora do evento;

    · Produzir de peças publicitárias para a promoção e divulgação, como vídeos institucionais ou cd’s rom, folders, mapas, cartazes, banners, teasers, showcase, campanhas de divulgação para televisão, cinema, etc;

    · Realizar ações junto aos travel visitors, como road shows, e promover fam-tours, press trips, e coletivas de imprensa sempre que ações importantes forem realizadas;

    · Participar de feiras, congressos e workshops nacionais e internacionais;

    · Intercambiar com entidades congêneres, de âmbito nacional e internacional, com diversas finalidades, como o desenvolvimento de pesquisas, por exemplo;

    · Orientar e acompanhar as visitas de inspeção pelas entidades promotoras de eventos;

    · Promover ações de integração dos diversos segmentos que atuam no mercado de turismo;

    · Organizar, produzir e distribuir o calendário anual de eventos;

    · Realizar treinamentos e palestras que visem à capacitação técnica dos integrantes do trade e de estudantes de turismo e áreas afins;

    · Realizar reuniões de briefing para organizadores de evento e montadores;

    · Manter ágil canal de comunicação com os mantenedores, através de comunicados, reuniões anuais, semestrais ou mensais, jornal institucional, website;

    · Ter um banco de imagens completo e atualizado da sua localidade.

    · Integrar como membro entidades como a ICCA, a FBC&VB, e outras congêneres.

    Para obter sucesso e garantir a realização de eventos com qualidade os CVB’s devem apoiar as entidades promotoras de eventos, através de:

    · Colaboração na busca de apoio institucional, junto aos órgãos oficiais ligados ao turismo;

    · Fornecimento de material promocional;

    · Fornecimento de dados estatísticos;

    · Acesso ao banco de fotos (cromos);

    · Fornecimento de dados sobre a infra-estrutura da localidade;

    · Consultoria Técnica;

    · Divulgação do evento em calendários internacionais, e nos instrumentos de comunicação instituídos;

    · Organização e acompanhamento de visitas de inspeção;

    · Elaboração das estratégias de captação;

    · Administração de contratos e convênios cuja origem de recursos seja oriunda de órgãos públicos.

    Os CVB’s atuam, ainda, em cooperação técnica com órgãos públicos e grandes entidades, para superar, por vezes, limitações de ordem técnica e/ou financeira, guardando e zelando pela qualidade técnica, operacional e pelos interesses do seu trade turístico.

    Desde abril de 1999 os CVB’s tem um fórum de discussão que em dezembro de 2003, se tornou a Federação Brasíleira de Convention & Visitors Bureau - FBC&VB que tem a seguinte finalidade conforme extraída de seu Estatuto:

    I - Promover e cultivar o inter-relacionamento das entidades associadas, incentivando, em especial, o intercâmbio de experiências e informações;

    II - Diligenciar junto aos poderes públicos, apresentando-lhes alternativas e auxiliando na tomada de decisões que visem ao fomento do Turismo Brasileiro, particularmente o Turismo de Eventos;

    III - Apoiar a formulação e implementação da Política Nacional de Turismo, como fator de desenvolvimento social e econômico;

    IV - Promover as ofertas de destinos, produtos e serviços turísticos do Brasil nos mercados Nacional e Internacional;

    V - Incrementar os fluxos de turistas nacionais e internacionais em suas várias modalidades;

    VI - Avaliar critérios, parâmetros e métodos para o controle e consolidação da base de dados gerenciais e estatísticos do turismo nacional;

    VII - Implementar, controlar e supervisionar as ações para o incremento da qualidade e competitividade do turismo nacional;

    VIII- Contribuir para o aperfeiçoamento das entidades associadas, visando à qualificação no desempenho de suas atividades;

    IX - Exercer, de modo geral, as atribuições que, por lei e pelos usos e costumes de nosso País, sejam reservadas às associações civis.

    Os Convention & Visitors Bureaux, por sua estrutura e por sua personalidade jurídica, têm agilidade e competência para ser importante instrumento, que ultrapassa em muito, apenas o mérito do turismo, mas que diretamente no desenvolvimento econômico das localidades onde são fundados.


     
     

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