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  Geancarlo de Lima Merigue
 
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A participação da comunidade no processo de Desenvolvimento Local do turismo

Quando se aborda o planejamento como estratégia de desenvolvimento local, capaz de suprir as necessidades básicas das pessoas envolvidas com as atividades, no local de destino, a estratégia básica passa a ser, aquela de analisar a realidade abrangente, estabelecendo os meios que lhe permitirão transformá-la, adequando esses meios aos interesses e aspirações de quem nela vivem.



Em uma aula da disciplina de Planejamento e Organização do Turismo II, quando se discutia o tema “Planejamento Turístico e Desenvolvimento Local”, surge a seguinte pergunta: que tipo de participação da comunidade local é a adequada e necessária  no processo de desenvolvimento local do turismo? Partindo daí, surgiu a intenção de escrever algo que pudesse ser o início de uma discussão mais plena pelos estudiosos do turismo, a respeito da participação no processo de desenvolvimento do turismo sob a ótica do Desenvolvimento Local.

O planejamento estratégico tornou-se uma preocupação constante para todo tipo de atividade econômica, diante da lei de contingência gerada pela atual condição de globalidade do planeta terrestre, ou seja, da conectividade entre si de todos os lugares do mundo, tornando-o um sistema complexo. Essa condição amplia o leque de oportunidades locais, ao mesmo tempo em que amplia as situações de risco para cada localidade como demonstram alguns estudiosos (CAPRA, 1982; LÊ BOURLEGAT, 2001; SANTOS, 1996).

No turismo, esta preocupação aumenta, na medida em que a atividade turística produz, pela sua natureza, um setor constituído de uma complexidade de empreendimentos e ações, sob o efeito de variáveis, que produzem modificações da atividade no tempo e no espaço e nas atividades a ele correlacionadas. De  acordo com Dias (2003, p. 48):

O turismo, de modo geral, apresenta algumas características que devem ser levadas em consideração quando se efetua um planejamento do desenvolvimento turístico (...) Entre essas características, as principais são: a atividade turística apresenta caráter sazonal; o turismo apresenta uma demanda extremamente elástica; os bens e serviços turísticos são consumidos onde se localizam; o turismo provoca alterações na cultura local; o meio ambiente natural pode ser profundamente afetado, e; o turismo modifica a estrutura de trabalho na comunidade receptora.

Além da complexidade em sua organização espaço-temporal, o rompimento das fronteiras mundiais em termos econômicos, sociais, culturais, tem contribuído significativamente para a intensificação dessa atividade no mundo. Por outro lado, a revolução da comunicação e  informação, ao lado de outros processos, como o aumento da produtividade humana, diminuindo a jornada de trabalho, vêm contribuindo para ampliar o tempo livre da humanidade, disponibilizando um segmento muito maior de pessoas para as viagens, de modo a tornar os fluxos turísticos cada vez mais massivos (DIAS, 2003).

A necessidade de se planejar esta atividade, tem sido muito mais sentida por aqueles que se convenceram dos possíveis impactos negativos que o fluxo turístico pode causar aos locais de destino. A finalidade do planejamento turístico passou a ser vista por alguns estudiosos do Turismo, como sendo aquela do ordenamento das ações do homem sobre o território, direcionando a construção das facilidades e equipamentos necessários para o desenvolvimento da atividade (RUSCHMANN, 1997).

Entretanto, quando se aborda o planejamento como estratégia de desenvolvimento local, capaz de suprir as necessidades básicas das pessoas envolvidas com as atividades, no local de destino, a estratégia básica passa a ser, aquela de analisar a realidade abrangente, estabelecendo os meios que lhe permitirão transformá-la, adequando esses meios aos interesses e aspirações de quem nela vivem (MOLINA, 2001).

O planejamento turístico é visto, portanto, como um poderoso instrumento de fomento ao desenvolvimento socioeconômico, cultural e ambiental (IGNARRA, 1999), “uma ação racional dirigida à coletividade, na medida em que é através dele se estabelece uma série de decisões com um alto grau de racionalização” (BISSOLI, 1999, p. 34).

Um dos grandes problemas que vêm sendo enfrentados pelos planejadores é conseguir a participação necessária e adequada da comunidade local no processo de desenvolvimento do turismo. Esse é um dos fatores determinantes para que o turismo se desenvolva e fixe raízes fortes na destinação e, muitas vezes, sua busca é fundamentada somente nos esforços de sensibilização e aceitação do turismo pela comunidade autóctone.

É necessário que se tenha uma visão do turismo, aonde à comunidade local não seja semente uma espectadora sensibilizada frente à mudança, mas sim um agente desse processo, como propõe o Desenvolvimento Local, uma nova proposta de mudança que surgiu na Europa, chegando ao Brasil, aproximadamente, na década de 1980, que carrega em seu núcleo conceitual, características singulares que o diferencia de qualquer outro tipo de desenvolvimento já trabalhado.

Assim sendo, a participação, quando se fala em Desenvolvimento Local, reúne as características desse conceito, que é entendido como o fortalecimento das capacidades, competências e habilidades de uma coletividade, de interesses comuns e identificada em um mesmo território, envolvendo, através de processos de solidariedade, agentes internos e externos, para agenciar, gerenciar e usufruir das potencialidades locais, visando solucionar seus problemas, suprir suas necessidades e alcançar suas aspirações (ÁVILA, 2001). Para Martins (2002) esse conceito atribui e assegurar à comunidade-alvo o papel de agente e não apenas  de beneficiária do desenvolvimento.

Dessa maneira, pode-se notar que o papel da comunidade local, em um processo de desenvolvimento turístico embasado nas teorias acima citadas, difere de outros que têm como base outro tipo de desenvolvimento. Aqui a comunidade passa a ser o agente do próprio desenvolvimento, que através de suas capacidades, competências e habilidades e mediante ativa colaboração de agentes externos, deve incrementar a cultura do turismo em seu meio e se tornar gradativamente apta a agenciar e gerenciar o aproveitamento dos próprios potenciais, para isso, ela deve estar envolvida e comprometida com o desenvolvimento do turismo.

Envolver-se significa estar consciente e sensibilizada para a mudança, saber das novas possibilidades que irão surgir com a atividade turística e como esta disposto no Dicionário da Língua Portuguesa On-line (Disponível em http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx -  31/12/2004 às 00h12m), intrometer-se e tomar parte no processo. Isso significa que a comunidade deve buscar conhecer o que é o turismo, como essa atividade irá fortalecer o conceito de qualidade de vida seu meio e principalmente buscar sentir-se parte integrante e necessária para o sucesso futuro do turismo local. Dessa maneira, a comunidade local estará se envolvendo de forma efetiva e afetiva nesse movimento.

Comprometer-se requererá da comunidade um sentimento de pertença ao local, ou seja, a vontade não só de fazê-lo desenvolver, mais também, procurar “vestir a camisa” da atividade turística buscando uma integração solidária entre o setor e os que se reúnem para desenvolvê-lo. Esses sentimentos, de envolvimento e comprometimento com o desenvolvimento do turismo, irão fortalecer gradativamente o setor revelando o capital social acumulado, considerado por Putnam (1994) o principal fator de desenvolvimento local, segundo ele, decorrente do grau de confiança entre as pessoas da comunidade e com o turismo como atividade promotora do ser humano, um processo construído socialmente e que faz parte da cultura local.

Dessa forma, mais do que ser ouvida ou apontar problemas, necessidades e/ou anseios, a comunidade deve unir forças para ser capaz de “tomar as rédeas” da mudança, confiante em si e na atividade, pois sem este espírito, as relações, associações, partilhas de valores e outros resultados típicos da existência do capital social serão prejudicados (CUNHA, 2000). Nesse sentido, Martins (2002) aponta que a participação no processo de desenvolvimento local do turismo não pode ser vista somente como uma etapa metodológica dentro de um planejamento turístico, buscando simplesmente a sensibilização ou conscientização popular.

Concluindo, entende-se que essa é uma busca laboriosa e ponto importante para o sucesso ou fracasso de um plano de desenvolvimento turístico devendo ser tomada todas as providências para que a comunidade, muito mais que sensibilizada e consciente, se envolva e se comprometa com o próprio desenvolvimento.

Reportando-se ao conceito de desenvolvimento local citado anteriormente, pode-se entender com mais clareza o sentido de participação neste processo e ver que ela não é apenas a cultura da ajuda aos necessitados, mais sim, a ação conjunta no combate aos problemas que causam o mal-estar, como salienta  Verhelst (1992:133) “devem acrescentar-se novas formas de solidariedade que completarão, reforçarão, corrigirão, ou até substituirão aquelas ações de solidariedade e de parceira que estão sendo levadas a termo”. Assim sendo, busca-se uma comunidade conhecedora, satisfeita, ativa e integrada no processo de desenvolvimento turístico.

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 

ÁVILA, Vicente F. de. Pressupostos para formação educacional em Desenvolvimento Local. Interações Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Campo Grande: UCDB, v.1, n.1, p.63-76, setembro de 2000.

BISSOLI, Maria Angela M. A. Planejamento turístico municipal com suporte em sistemas de informação. São Paulo: Futura, 1999.

CAPRA, F. O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Cultrix, 1982.

CUNHA, L. A. G. Confiança, capital social e desenvolvimento territorial. R R’EGA. Curitiba, n. 4, p. 49-60, 2000.

DIAS, Reinaldo. Planejamento do turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.

IGNARRA, Luiz R. Fundamentos do turismo. São Paulo: Pioneira, 1999.

LE BOURLEGAT, Cleonice Alexandre. Ordem local como força interna de desenvolvimento. Interações - Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Campo Grande: UCDB, vol. 1, número 1, setembro 2001.

MARTINS, Sérgio Ricardo O. Desenvolvimento local: questões conceituais e metodológicas. Interações - Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Campo Grande: UCDB, v.3, n.5, p.51-58, setembro de 2002.

MOLINA, Sérgio E. Planejamento integral do turismo: um enfoque para a América Latina. Bauru, SP: EDUSC, 2001.

PUTNAM, Robert D. Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna. 2 ed. Rio de Janeiro: FGV, 2000.

RUSCHMANN, Doris van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996

VERHELST, Thierry G. O direito à diferença: sul-note – identidades culturais e desenvolvimento. Rio de Janeiro, RJ: Vozes, 1992.


 
 

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