Resumo
A pesquisa realizada tinha como principal função demonstrar a importância do turismo dentro do contexto escolar. Notamos que nos dias atuais vemos os educadores em uma busca de novas tecnologias para educar levando em conta o prazer e o aprender, desta forma, vemos o turismo como um possível aliado aos educadores formais. A metodologia aplicada foi: Uma pesquisa nas duais principais empresas de turismo escolar (Caravana turismo e Ostra Turismo) locadas na região metropolitana do grande Recife, com os dados em mãos procuramos embasar nossa pesquisa teórica em livros, sites alem de um filme. Nos dias atuais vemos no turismo escolar, essa possibilidade, as vivenciam turísticas, voltadas para a escola são formuladas de acordo com o objetivo dos docentes da instituição em questão que seguem as grades curriculares, desta forma procuram uma agencia especializada, onde ela indicando os possíveis temas a serem abordado na viajem que por sua vez cria ou indica alguns roteiros que vão suprir esta procura. Percebemos que o antigo turismo pedagógico, hoje chamado de Turismo escolar, vem ganhando um grande espaço no mercado, visto que, procura juntar, o prazer de estar viajando e a utilidade de estar educando, trabalhando os temas e assuntos numa sala de aula diferente onde o aluno vai interagir e integrar com o espaço estudado, transformando assim a educação mais lúdica e atrativa para os alunos contemplados.
Palavras-chaves: Turismo escolar, Lazer, Ludicidade
Metodologia
A pesquisa foi realizada em forma de entrevista nas duas maiores empresas especializadas em Turismo pedagógico sendo elas Caravana Viagens turismo e a Ostra turismo. Foi levado em conta, para a pesquisa, o trabalho realizado nos anos de 2003 e 2004 de uma forma comparativa a fim de verificar o possível aumento na procura por este tipo de oferta, isto é, tentar demonstrar que o turismo pedagógico vem ganhando força e reconhecimento perante a sociedade e as instituições de ensino.
A entrevista aconteceu de duas formas, sendo elas um primeiro contado por telefone onde procurei me identificar como estudante da Pós-graduação de Lazer, Recreação e Qualidade de Vida, alem de ser formado no curso de bacharelado em turismo onde relatei qual o propósito da pesquisa em questão. No segundo momento da pesquisa foi feita através da internet com o uso de e-mail entre os pesquisadores e pesquisados, podemos colher as seguintes informações:
No ano de 2003, pelos registros repassados pelo Gerente de Turismo Pedagógico George Medeiros, na Caravana Viajem e Turismo, foram feitos 116 (cento e desesseis) roteiros pedagógicos, onde em média tinham o numero de 40 (quarenta) alunos por passeio (roteiro) chegando assim a um total de 4.640 alunos.
Somando a estas excursões, ainda aconteceram os chamados “Grandes Eventos” como: A Semana do Folclore e a Semana do Índio, estes eventos tinham a seguinte metodologia: Foi estabelecido um local para o evento, nestes casos, Museu do Homem do Nordeste e Horto dos Dois irmãos, desta forma durante uma semana várias instituições educacionais, iam até o local podendo chegar a ter 3 (três) colégios no local.
Estes eventos tinham aproximadamente uma freqüência de 250 (duzentos e cinqüenta) crianças que somadas aos passeios pedagógicos “habituais” chegamos a um total de, aproximadamente, de 5 (cinco) mil alunos atendidos no ano de 2003. Já na Ostra turismo os números de 2003 chegaram a 125 roteiros ultrapassando a caravana turismo em 9 roteiros diferente, porem, a empresa em questão não realiza eventos similares aos eventos “grandes eventos” da Caravana e desta forma elas duas chegaram a mais ou menos o mesmo numero de 5000 crianças (em media).
Desta forma totalizamos o número de aproximadamente 10 mil crianças no ano de 2003, número este que vem crescendo, para confirmar estes números, perguntamos as agencias em questão quais eram os números de roteiros deste ano (2004) e chegamos a os seguintes números:
Na Caravana Turismo os números chegaram há 143 (cento e quarenta e três) roteiros pedagógicos e seguindo a mesma filosofia de 40 alunos de por “roteiros” chegando assim a marca de 5720 (cinco mil setecentas e vinte) crianças, alem dos roteiros também tivemos os “Grandes Eventos” onde seguiram a mesma lógica, totalizando 500 (quinhentas) crianças, que somando as outras do “roteiro normal“ chegaríamos a incrível marca de 6220 (seis mil duzentos e vinte) “’clientes infantis”. Na Ostra turismo, recebemos os seguintes dados: 142 roteiros pedagógicos, chegando assim e um total de 5680 crianças. Desta forma fechamos os dados em setembro deste ano o total de 11900 crianças.
O Turismo como lazer
“O turismo é um fator que por se só motiva a pessoa a praticar a aventura de sair da sua rotina, buscando por novas paisagens, novas pessoas, costumes, culturas dentre tantos outros anseios do turista”.(MARCELLINO). Por muito o turismo e o lazer são confundidos, haja vista que, eles são muitos parecidos até em seu conceitos podemos dizer que os dois tem em comum uma fuga de realidade cotidiana, buscando o prazer através de atividades artísticas, físicas, intelectuais, e sociais.
O fenômeno do turismo teve em um dos seus prováveis inicio as viagens particulares que tinham um cunho educativo. Já na metade do século XVIII, difundiu-se na Europa o Grand Tour, destinado, principalmente, a grupos de jovens estudantes ingleses que viajavam acompanhados por um tutor. Desta forma podemos afirma que o turismo tem algumas bases nas vivencias fora da escola, isto é, em contato direto com os recursos naturais, históricas, culturais e sócias. Podemos dizer que os estudantes ingleses que participaram deste tipo de aprendizagem se desenvolveram sua educação, in loco, através destas viagens, como podemos ver em alguns filmes entre ele: O nome da Rosa.
Brincando na escola
A fim de demonstrar a importância do brincar no processo educacional, procuramos levar em conta a teoria construtivista defendida por Jean Piaget, isto é, para ele “quando a criança esta brincando ela assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade”. O lazer proporciona não só prazer mais, tambem pode auxiliar no desenvolvimento educacional criando assim um ambiente perfeito para a sociabilização e a prática da ludicidade.
Entendemos que o brinquedo é o objeto “escolhido” pela criança, para que, ela possa vivenciar as relações humanas, provando dos “sabores” da vida sem correr os riscos que esta vida possa vim a trazer para ela, Kishimoto afirma que “o brinquedo representa certas realidades. Uma representação é algo presente no lugar de algo. Representar é corresponder a alguma coisa e permite sua evocação mesmo em sua ausência. O brinquedo coloca a criança na presença das reproduções: tudo o que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar a criança um substituto dos objetos reais, para que possa manipula-los”.
Para Maranhão é por meio da curiosidade, a criança, é capaz de romper os esquemas já existentes, ela estará mais questionadora, gostará de resolver desafios, de resolver situações problemas, desta forma vemos que o jogo esta, carregado de informações implícitas que vão desenvolver a auxiliar no desenvolvimento educacional. “Pode-se propor que não existe brinquedo sem regras. A situação imaginária de qualquer forma de brinquedo já que contem regras de comportamento, embora possa ser um jogo com regras formais estabelecidas a priori. A criança imagina-se como mãe e a boneca como criança e, desta forma, deve-se obedecer às regras do comportamento maternal... o que na vida real passa despercebido pela criança torna-se uma regra de comportamento no brinquedo” (VYGOTSKY 1991).
É com essas afirmações que vemos o ato de brincar numa coisa séria, onde a criança sofre todo o processo de aprendizagem e sociabilização em sei meio de vida, vemos tambem que privar a criança deste processo pode causar grandes danos ao seu envolvimento, então por que tirar da criança, das séries do ensino fundamental, por que a partir destas séries estamos tirando da criança a ludicidade?
O Turismo escolar
O Turismo escolar, antigamente chamado de turismo pedagógico, é uma modalidade relativamente recente no Brasil, quando comprada aos outros tipos tradicionais de turismo. Sua preocupação básica centra-se na melhor maneira de conduzir a atividade educativa, de forma a alcançar finalidades pedagógicas, por meio da experiência turística e de atividades recreativas.
O Turismo escolar se apresenta como uma possibilidade de tornar o conhecimento pertinente, contextualizado e real. A viagem é o elemento motivador alem de dar encanto à educação desta forma desenvolvendo um trabalho em um ambiente de divertido e prazeroso. Este tipo de atividade desenvolverá no aluno um vinculo mais afetivo com o tema, visto que, a aula esta sendo passada do local estudado, valorizando assim, os patrimônios históricos, os estuários, cultura do local ou outros focos de estudos abordados no desenvolvimento desta atividade.
Durante a pesquisa o gerente George Medeiros da Caravana Turismo nos informou que “o desenvolvimento de boas atividades pedagógicas são necessárias seguir alguns passos básicos” como: Planejar a viagem, isto é, que se deve levar em conta contexto e o currículo escolar; O translado deve ser feito por um guia d turismo especializado; O retorno deve ser conduzido por um Animador pedagógico, que tem, a função de trabalhar os assuntos abordados uma forma de brincadeira, vivenciando a ludicidade.
Nas empresas entrevistadas o trabalho foi desenvolvido tinha uma metodologia muito parecida dividindo a viajem em dois momentos distintos e trabalhadas por dois profissionais diferentes e especialistas em sua área de atuação que vão buscar atender a necessidade da instituição, porem, estes dois momentos estão interligados e trabalhados com uma sintonia fina entre o Guia e o Recreador Pedagógico.
No primeiro momento fica a cargo e de responsabilidade do Guia de turismo especializado e devidamente credenciado no sindicato da categoria a qual eles pertencem, alem de ter facilidade de trabalhar com crianças, desenvolvendo assim uma alua sobre o tema desejado falando sobre vegetação, clima, relevo, historia, atualidades dentre outros temas, contudo, levando em conta o tema central da “aula”, porem, sempre assessorado pelo Recreador que naquele momento fica com a responsabilidade de auxiliar no desenvolvimento da “aula”.
No segundo momento as atividades ficam a cargo do Recreador ou Animador Pedagógico que utilizando os artifícios da recreação (jogos, brincadeiras, atividades) desenvolve a sua atividade com a maestria que é necessária. Estas atividades têm um cunho pedagógico onde ele procura utilizar os temas abordados pelo Guia é neste momento o Guia se torna um facilitador das atividades propostas pelo animador, dando informações preciosas para o desenvolvimento das atividades sempre que necessário criando assim a sintonia supracitada.
Conclusão
Concluímos então que a prática deste estudo nos trás contribuições em vários campos alem do pedagógico, verificamos um desenvolvimento humano, aumentando os laços afetivos entre os alunos e a criação de responsabilidade sócio-ambiental-histórica.
O educador tem em suas mãos novas tecnologias para enfrentar o cenário ameaçador e desmotivador que são os métodos de ensino mais antigos, presos às carteiras e enjaulados em salas de aula. Vemos que esta nova tecnologia aliada às experiências anteriores pode-se demonstrar aos alunos uma forma mais motivadora, lúdica e alegre de aprender onde todos estarão aprendendo juntos, com caminhos trilhados pelos próprios alunos durante o desenvolvimento deste tipo de turismo, aqui chamado de turismo escolar.
Bibliografia
SWARBROOKE, John. Turismo sustentável: Turismo cultural, ecoturismo e ética. Coleção turismo sustentável. Vol 5. São Paulo, Ed. Aleph 2000.
MARANHÃO, Diva. Ensinar Brincando: A aprendizagem pode ser uma grande brincadeira. Rio de Janeiro, Ed. WAK, 2003.
BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do Turismo. 7º Edição, Campinas – SP, Ed. Papirus, 1995.
ANDRADE, José Vicente. Turismo: Fundamentos e dimensões. 7º Edição, São Paulo – SP, Ed. Ática, 2000.
MARDELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer uma introdução. Campinas-SP, Ed. Autores associados, 1950.
Turismo Escolar. Disponível em < http:// www.turismoescolar.com.br >. Acesso em 15 de Setembro de 2004.
Filme: O nome da rosa
Sérgio Henrique Verçosa Xavier é bacharel em turismo e Especialista em Lazer Recreação e atividade física para qualidade de vida. PUC-PR