Segundo o dicionário Aurélio religião é a crença na existência de uma força (s) sobrenatural. A palavra religião vem do latim religio, formada pelo prefixo re (outra vez, de novo) e o verbo ligare (ligar, unir, vincular).
Nos séculos III e IV da Era Cristã os fiéis começaram a cultivar o hábito de viagens de caráter religioso à eremitérios, mosteiros e conventos da Síria, do Egito e de Belém a fim de encontrar-se com os "servos de Deus" para pedir-lhes conselhos, orações, bênçãos e curas. Também foi o início da longa série de visitas a igrejas e santuários em cujos terrenos encontravam-se os restos mortais de mártires célebres e aos locais por onde Cristo, seus apóstolos e discípulos passaram, viveram e morreram, além de outros lugares celebrizados por eventos importantes do Antigo Testamento.
Há registro de um roteiro datado do ano 333, com itinerário bem detalhado para as viagens de devotos e fiéis que partiram de Bordéus, na França, rumo a Jerusalém. Suas indicações assemelham-se às utilizadas nos modernos roteiros técnicos.
Atualmente a história se repete e multiplicam-se os destinos religiosos, à medida que surgem boatos ou fatos de aparições de seres celestiais ou de realizações de milagres e curas efetuadas por algum religioso ou místico. As notícias e o marketing direto ou indireto a cerca dos locais onde acontecem os "feitos extraordinários" atraem os agentes turísticos, que em geral, se antecipam a qualquer medida ou manifestação de autoridades religiosas.
Meca, Benarés, Jerusalém, Belém, Roma, Santiago de Compostela, Lourdes, Fátima, Medjugorie, Assis, Aparecida do Norte, Juazeiro, Iguape, Pirapora do Bom Jesus, Nova Trento e muitos outros lugares marcados por devoções oficiais ou populares de religiões são núcleos receptores importantes em termos da fé e, conseqüentemente, em termos de turismo, cujas dimensões, pela propaganda, superam as manifestações de fé e as próprias motivações religiosas.
“O grande nó desta modalidade de viagem encontra-se nas estruturas de conceituação que antepõe a perspectiva da necessidade enraizada na vivência religiosa contra a perspectiva da liberdade possibilitada pelo fazer (lazer) do turismo”. (Oliveira 2000)
O fato é que a motivação seja ela pelo lazer ou pela realização espiritual (religiosa) tem movimentado milhões de pessoas aos lugares mais inusitados, pessoas que percorrem horas, dias, em condições muitas vezes precárias de transporte, tudo para chegar aos lugares ditos sagrados.
O Turismo, se utiliza da religiosidade, da fé, de crenças, de superstições ou mesmo da simples curiosidade popular para atrair pessoas à lugares que se não fosse pela motivação espiritual não seriam um destino atrativo. Como em outros segmentos do turismo, o turismo religioso tem seus prós e contras. A massificação, congestionamentos, poluição, super lotação de Igrejas e Templos são algumas efeitos negativos desse tipo de turismo, uma vez que as cidades, em sua maioria, não possuem uma super estrutura para receber visitantes, são localidades simples, de comunidades humildes que com o tempo vão tomando dimensões maiores com a exploração turística. Por outro lado, este segmento é uma possibilidade de diversificação de renda e movimentação da economia local nas localidades receptoras.
Num momento em que a sociedade passa por profundas transformações religiosas, com a morte do Papa João Paulo II, com o surgimento de novas religiões e o fortalecimento de outras já existentes e até com brigas e guerrilhas onde a religião é o tema central, o turismo religioso está em alta. O que se espera é que os destinos sejam planejados, que as localidades “ganhem” com o turismo. Que seja uma troca justa, elas cedem seu espaço, sua espiritualidade, sua fé em algo sobrenatural e recebem em troca uma melhor qualidade de vida adquirida por meio do turismo.
O Portal Etur abre mais este espaço para que sejam discutidas questões sobre este segmento do turismo tão em alta na atualidade. Enviem seus artigos, divulguem suas localidades, critiquem, sugiram e aproveitem o canal!