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"Inclusão implica em transformação" - Entrevista Romeu Kazumi Sassaki

Se o leitor leu essa entrevista vai captar várias mensagens. Sem querer ser repetitivo, precisamos lutar por uma sociedade justa, igualitária, uma sociedade que aceite todos, que não imponha condições. Isso é inclusão. Devemos cada um procurar meios de fazer isso, porque hoje não se discute mais se a sociedade tem que ser aberta, inclusiva. Isso é fato, tem que ser assim.



O consultor Romeu Kazumi Sassaki revela em entrevista ao Jornal da AME - Amigos Metroviários dos Excepcionais os conceitos fundamentais que diferenciam os termos "integração" e "inclusão". Autor de "Inclusão, construindo uma sociedade para todos" e "Inclusão no lazer e turismo - em busca da qualidade de vida", atua há 43 anos na promoção e inclusão social de pessoas com deficiência. Possui formação em Serviço Social e especialização, nos Estados Unidos, em Aconselhamento Psicológico de Reabilitação na Área da Deficiência.


AME - Fale um pouco sobre seu trabalho.
Romeu Kazumi Sassaki - Comecei em 1960, com a colocação profissional de uma pessoa numa empresa, um caso bem difícil, depois disso nunca mais parei. Hoje, faço três tipos de trabalho. Um deles é consultoria a empresas, órgãos do governo e organizações não-governamentais, escolas, etc., auxiliando a delinear estratégias, em função da área de atuação, de como adotar uma política inclusiva. O que faço é acompanhar a equipe técnica, ajudar a propor, fornecer subsídios para implantação da inclusão. Outro trabalho são os cursos na área da inclusão: educação, trabalho, lazer, mídia e acessibilidade arquitetônica. São cursos de curta duração, realizados no local de quem pede. Um terceiro trabalho que realizo são palestras em eventos como congressos, seminários ou mesmo individualmente, quando sou convidado.

AME - Qual é sua avaliação sobre a inclusão hoje: há uma preocupação efetiva com a inclusão em si ou há uma preocupação maior em se cumprir a lei que estabelece percentual de vagas no mercado de trabalho para pessoas com deficiência?
Romeu - Percebo as duas coisas. Inclusão, em rápidas palavras, é um processo de mudança do sistema social comum, para acolher toda a diversidade humana. Para a maioria das pessoas, quando se fala em inclusão, muitas vezes pensa-se no aspecto de uma pessoa que estava excluída ser "colocada dentro", para não ser marginalizada, discriminada. Uma empresa que não tem visão de inclusão, vai querer encaixar uma pessoa com deficiência exatamente naquela vaga ou função, cujos requisitos estejam na pessoa que vai ocupar o lugar, sem requerer nenhuma adaptação no local. Isso é integração e não inclusão. Inclusão é moldar a empresa, seu sistema e fluxos de trabalho, sua política interna, suas normas, modo de produção e equipamentos, tudo para acolher a pessoa, independente de suas limitações. Isso não quer dizer que tudo deva ser feito para cada pessoa que vai entrar, mas, em função de cada pessoa, é necessário adaptar o espaço e não o contrário. A empresa se torna mais adequada, acolhedora, receptiva, para qualquer tipo de pessoa, independente de suas características que a diferenciam das demais. É uma questão de mentalidade, de visão. O verbo "incluir" aqui tem outro sentido.

AME - Isso se aplica a outras áreas como a Educação, por exemplo?
Romeu - É a mesma coisa na escola. A integradora diz o seguinte: "nós aceitamos uma pessoa com deficiência, só que essa pessoa tem que ser muito capaz, com condições de acompanhar a turma, de entender a professora, porque não temos professores especializados, nossa escola nunca teve portador de deficiência, nós vamos continuar dando aula do nosso jeito, o currículo é esse, as técnicas de ensino são essas, se essa pessoa tem capacidade de adaptação a tudo isso, ela pode entrar." Uma escola inclusiva parte do pressuposto que toda criança poderá estudar nela. A escola está disposta a se modificar para aceitar qualquer pessoa. Há uma outra maneira de ensinar, avaliar, designar atividades. É aquela que sente que é papel da escola se adaptar aos alunos. Diante de uma criança surda, contrata-se um intérprete de sinais, ao cego oferece-se material em braile; ao cadeirante, carteiras compatíveis; à pessoa que necessita de digitar o aprendizado, providencia-se um computador... Além disso, à criança com dificuldade de aprendizado, adapta-se a metodologia de ensino, para que possa alcançar todo o conteúdo.

AME - As adaptações beneficiam somente a pessoa com necessidades especiais?
Romeu - Não. Todo o grupo. Na inclusão, falamos na pessoa com deficiência como exemplo, porque uma sociedade inclusiva considera todas as pessoas. Muitas vezes, o professor não se dá conta da diferença, da limitação de cada um, pensa que o aluno é preguiçoso, não presta atenção, é problemático e não se dá conta da origem dele, do contexto onde mora, sua história de vida. Pode ser uma menina que saiu da prostituição, um egresso da Febem que está entrando no ensino médio, um adulto egresso de penitenciária, um negro, um favelado, um índio, etc... A escola inclusiva identifica, respeita e atende essa diversidade humana. É necessário mudar o enfoque que as pessoas têm a respeito da Educação. Não adianta mais um diretor, uma professora, um funcionário, a secretária de educação continuar com a mesma visão, usando o paradigma tradicional, de que a criança é que deve se adaptar à escola.

AME - Qual é a vantagem ou benefícios que se pode constatar numa escola ou empresa que adota critérios inclusivos, comparando-se a quem não os adota?
Romeu - Do ponto de vista do dia a dia, a escola ou empresa inclusiva apresenta vantagens e benefícios para aqueles que se encontravam excluídos, pois passaram a fazer parte de uma sociedade que os considera, os acolheu, se modificou, porque se assim não fosse, continuariam excluídos. É muito vantajoso para todos os alunos e funcionários de toda a instituição, porque está provado que a diversidade humana quando devidamente valorizada, produz relações positivas de amizade, respeito mútuo, convivência positiva, aprendizado, em que todos saem ganhando. Se não há contato com a diversidade, a visão é limitada, restrita.

AME - Em sua opinião, a lei de cotas contribui para a inclusão?
Romeu - Não, não acredito porque o percentual estipulado é muito pequeno. Pela lei, uma empresa com 100 empregados é obrigada a empregar 2% de pessoas com deficiência, o que significa somente duas pessoas. A lei é discriminatória e não resolve, porque impõe, obriga. Mesmo que a empresa não queira, muitas vezes contrata por medo, pela obrigação, porque não quer ser "fora da lei". A empresa inclusiva contrata mais do que a lei a obriga, e contrata entendendo que não é obrigada, mas porque tem provas científicas que a diversidade humana enriquece seu ambiente, em termos de experiência, e enriquece as análises de problemas, gerando soluções mais criativas, tornando-se mais competitiva. Há harmonia e respeito.

AME - Em suas palestras e livros, há alguns conceitos utilizados, como "empoderamento" e "equiparação de oportunidades" que ainda não foram claramente assimilados por todos. Fale-me um pouco sobre eles.
Romeu - Sobre empoderamento, por exemplo, trata-se de uma palavra nova, cuja raiz está em "poder". Quando a uso, me refiro ao poder pessoal, inerente a todo ser humano, que permite que se faça as próprias escolhas, não deixando que outros escolham por você. Quando se é muito pequeno, os pais fazem escolhas pela pessoa. Ocorre, porém, que muitos pais esquecem que a criança cresceu e continuam a fazer escolhas por ela, mesmo depois de crescida. Quando o filho tem deficiência, isso é ainda pior, o filho é o "eterno bebezinho", não para todos, mas para muitos. Há opções de escolhas, diante das quais, a pessoa deve tomar uma decisão, o que leva à independência. O chefe ou o professor que não entende o sentido do empoderamento, pode fazer escolhas e tomar decisões por outra pessoa. Outro aspecto do empoderamento é assumir o controle da situação. Você escolhe, decide e assume as conseqüências de sua decisão. Muitas famílias continuam controlando a vida da pessoa com deficiência, se acham na obrigação de fazer suas escolhas e tomar decisões por ela. Isso pode ocorrer também nas empresas. Empoderamento é um processo de poder pessoal muito importante que se faz no dia a dia. É um direito de todos. A equiparação de oportunidades é um conceito muito importante, cuja raiz nasceu há cerca de 22 anos, no Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, em 1981. Trata-se de um processo que exige que a sociedade inteira se torne acessível a todas as pessoas, principalmente a quem possui deficiência. É a semente da inclusão. Antigamente as pessoas com deficiência estavam excluídas da sociedade porque havia uma série de barreiras. Esse conceito surgiu para mostrar que se a sociedade não mudar, aquelas pessoas vão continuar excluídas, exatamente porque a sociedade é cheia de barreiras. Com a equiparação de oportunidades, há igualdade de condições, eliminam-se todas as barreiras que bloqueiam o caminho da inclusão.

AME - Quais são as barreiras que contribuem para efetivar a exclusão social?
Romeu - Há seis tipos de barreiras excludentes: arquitetônica (não permite a acessibilidade da pessoa com dificuldade de locomoção), comunicacional (a linguagem verbal ou visual utilizada não alcança todas as pessoas), atitudinal (atitude preconceituosa), metodológica (métodos de ensino, trabalho e lazer homogêneos), instrumental (instrumentos utilizados para trabalhar, brincar que não atendem as limitações), programática (leis, portarias, regulamentos e políticas que perpetuam a exclusão). Enquanto a sociedade não remover as barreiras nessas seis áreas, essas pessoas vão continuar excluídas.

AME - Deixe uma mensagem para nossos leitores.
Romeu - Se o leitor leu essa entrevista vai captar várias mensagens. Sem querer ser repetitivo, precisamos lutar por uma sociedade justa, igualitária, uma sociedade que aceite todos, que não imponha condições. Isso é inclusão. Devemos cada um procurar meios de fazer isso, porque hoje não se discute mais se a sociedade tem que ser aberta, inclusiva. Isso é fato, tem que ser assim. O problema é como fazer isso, e o como está em cada um de nós. A inclusão não é feita pelo governador, o consultor, o papa. Isso tem que ser mudado, cada um pode fazer um pouco. É preciso cada um fazer sua parte.

 
 

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