O Turismo na Bahia - Prioridade Governamental
O turismo na Bahia retomou sua posição de destaque na agenda governamental a partir de 1991, quando voltou a ser considerado prioritário, tendo em vista a necessidade de recuperar o dinamismo e a liderança no cenário nacional e de promover condições para um incremento ainda maior dessa atividade econômica, de importância fundamental para o desenvolvimento do Estado.
Inicialmente, pretendeu-se possibilitar a implementação de uma estratégia com o objetivo de retomar o crescimento do turismo baiano, consolidando-se uma nova imagem do "produto Bahia" junto aos principais emissores internacionais e nacionais, e, assim, captando e cativando a demanda de um maior fluxo turístico pelos atrativos do Estado. Após o êxito alcançado, redefiniu-se o direcionamento da ação estratégica, buscando-se, através de um amplo e complexo conjunto de ações/investimentos, diversificar o "produto Bahia" em uma moderna e dinâmica concepção de espaços/produtos.
FIGURA 1
PÓLOS E ZONAS TURÍSTICAS DA BAHIA
A diversificação do "produto Bahia" orientou-se por uma dinâmica concepção de espaços/produtos:
Salvador e Entorno: oferecendo turismo histórico-cultural e de negócios, congressos e eventos, além de atrativos naturais, com tendência para o turismo de lazer / competições náuticas (Baía de Todos os Santos);
Costa dos Coqueiros: novos espaços e produtos para o turismo de lazer a partir do Litoral Norte / Linha Verde, complexos turísticos integrados (Praia do Forte / Sauípe);
Chapada Diamantina: oferta de aventuras, ecoturismo (Circuito do Diamante - Lençóis, Circuito do Ouro - Rio de Contas);
Costa do Dendê e Costa do Cacau: turismo de lazer, resorts (Morro de São Paulo, Ilhéus);
Costa do Descobrimento: opção internacional para lazer, Litoral Sul (Caraíva, Porto Seguro);
Costa das Baleias: eixo ecológico, Extremo Sul (Caravelas, Abrolhos).
Posteriormente, as Zonas Turísticas acima foram agrupadas em Pólos Turísticos, a saber: Pólo Salvador e Entorno, Pólo Chapada Diamantina - incluindo o Circuito da Chapada Norte, Pólo Litoral Sul e Pólo do Descobrimento, estes envolvendo as zonas já existentes, além de dois novos pólos incluindo zonas turísticas emergentes, o Pólo São Francisco e o Pólo Caminhos do Oeste. (Figura 1)
A amplitude e a complexidade das ações e dos investimentos requeridos para o êxito de semelhante estratégia, exigiram um aparato estrutural e organizacional, inclusive no âmbito dos municípios envolvidos. Esse aparato deverá ter um porte adequado às necessidades de mobilização e integração dos variados agentes, interesses e recursos influenciados pelo processo ou que o influenciem, bem como de obtenção da ação global.
Com a indispensável assunção, pelo Governo do Estado, da responsabilidade pelo redirecionamento dos rumos do turismo baiano, criou-se a necessidade de um enfoque local e regional no esforço de planificação do desenvolvimento turístico, como também de um maior poder de articulação municipal e de reivindicação junto à esfera federal de governo, visando ao atendimento das carências setoriais de maior dimensão, inclusive das que envolvem negociações com agências internacionais de financiamento/desenvolvimento.
Dessa orientação, emergiram as bases que vão resultar na presente tomada de consciência quanto à importância do cluster Cultura e Turismo para o planejamento e a dinâmica competitiva da economia da Bahia. Esse cluster pode ser enfocado desde uma perspectiva espacial - tomando como base de análise as zonas turísticas nas quais se divide o "produto Bahia" - mas pode também ser retratado a partir das diversas motivações de visita, o que nos levaria a tomar como foco central de análise os segmentos de mercado, nos quais, potencial ou efetivamente, os atrativos turísticos da Bahia têm competitividade para captar e cativar fluxos de visitantes.
Os segmentos de mercado mais relevantes são: lazer; ecoturismo; turismo rural; aventura; náutico; saúde; cultural; religioso; negócios; congressos e eventos; intercâmbio científico.
O Governo do Estado percebeu e investiu na estreita vinculação entre o turismo e a cultura, e na sua importância como fator indispensável para uma sólida composição e divulgação da imagem turística da Bahia. Desde a formulação de sua estratégia para o período 1994/2000, elegeu a sua capital, a cidade do Salvador, como ofertante de turismo cultural e de eventos (congressos/feiras), buscando a melhoria do produto a partir de ações e investimentos que a qualificassem como destinação cultural por excelência. São exemplos dessas ações:
a recuperação do Pelourinho/Centro Histórico (ênfase no patrimônio histórico e arquitetônico);
a reforma do Solar do Unhão e do Teatro Castro Alves (ênfase na cultura);
a reforma do Centro de Convenções e a construção do Pavilhão de Feiras (ênfase em eventos).
O Governo Municipal deve assumir essas diretrizes como orientadoras das intervenções a serem implementadas em Salvador, visando a maximização dos benefícios do turismo para a população soteropolitana, tendo por eixo fundamental a revitalização de áreas da cidade que ficaram à margem do progresso e modernização da cidade.
Dispondo de um produto peculiar e diferenciado quanto à atratividade e apelo motivacional, o turismo na Bahia, e em Salvador, necessita de um trabalho integrado e participativo, em parceria, visando dotar este produto de uma imagem sempre renovada e de alta qualidade em seus diversos elementos constitutivos, para assim se alcançar a concretização definitiva do potencial que detém o turismo como atividade alavancadora e difusora do desenvolvimento social e econômico, em benefício do Estado e da sua população.
O processo evolutivo do turismo na Bahia, e em Salvador, reflete-se nos números registrados em 2002 e se refletirá nos que poderão ser alcançados nos anos de 2005, 2010 e 2015, conforme dados da Secretaria da Cultura e Turismo (SCT) e da Empresa de Turismo da Bahia S/A - BAHIATURSA. (Quadro 1).
Uma deliberada e estratégica implementação de políticas e ações que visem atrair turistas detentores de elevado poder aquisitivo e que conformem nichos de mercado mais qualificados, seletivos e exigentes, resultará em efeitos positivos nas taxas de permanência e ocupação nos destinos baianos, levando a um melhor nível de remuneração dos trabalhadores direta e indiretamente vinculados à atividade turística e a um crescimento do número de postos de trabalho nessa e nas demais atividades componentes da cadeia de valor e do conjunto ou aglomerado econômico focado ou permeado pelo turismo, o lazer e a cultura - o cluster do entretenimento.
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Nota Técnica: As taxas de crescimento acima, foram delimitadas levando-se em conta:
- a conjuntura econômica do país e do estado;
- a perspectiva de crescimento do PIB brasileiro e baiano;
- a política de desregulamentação do espaço/mercado aéreo do Brasil;
- as tendências dos fluxos turísticos mundiais projetadas pela OMT;
- o nível de atratividade e competitividade da Bahia em relação a outros destinos;
- aspectos específicos da dinâmica social, cultural e econômica de âmbito estadual.
Nesse sentido, o Governo do Estado decidiu transformar a Bahia no primeiro pólo de entretenimento do Brasil no ano 2010, com o projeto "Criando o Cluster de Entretenimento do Estado da Bahia", contando, inicialmente, com a consultoria da Monitor Group, empresa do renomado "guru" de estratégia e competitividade, Michael Porter.
Tal projeto tem por objeto central o mapeamento da cadeia de valor do Complexo Cultura e Turismo, abordando-a na perspectiva de cluster econômico e procurando identificar os componentes de seus subconjuntos e os problemas tradutores de obstáculos aos elos de encadeamento, de modo a sinalizar áreas vitais e estratégicas carentes de um esforço sistematizado de investigação científica.