Uma nova reunião com o segmento artístico-visual da cidade discutiu ontem, na sede da Fumbel, a gestão municipal do espaço com o setor cinematográfico de Belém para definir os rumos da sala de cinema, que deve reabrir no próximo dia 23. Na reunião foram formados grupos de trabalho que vão gerenciar o espaço após sua reabertura.
Um dos grupos, formado por Pedro Veriano, presidente da Associação Paraense de Críticos Cinematográficos (APCC), e Mariano Klautau, do Cine Estação, ficou encarregado de montar uma programação de filmes a serem exibidos, mesmo que em caráter experimental e temporário. A Fumbel, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e sociedade civil discutirão a possibilidade de adaptação do espaço para que não funcione mais somente como sala de projeção, mas também passe a abrigar outras atividades de cunho artístico e cultural.
Um terceiro grupo de trabalho discutirá o modelo do projeto pedagógico a ser implantado no Olímpia, ou seja, se o lugar será usado para consolidação de platéia já existente e a formação de novos grupos de espectadores, e também se será usado efetivamente como espaço para inclusão social. Fazem parte do grupo Beth Almeida, do Ministério da Cultura (Minc), e o produtor cultural Emanuel Freitas.
Pela Fumbel, participou da reunião a diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, Filomena Longo, e ainda Luzia Álvares, Januário Guedes, a cineasta Jorane Castro; Afonso Galindo, da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas - Secção Pará; e Hermógenes Vasconcelos, da Associação de Amigos do Cinema Olímpia. “Formar esses grupos de trabalho significa agilizar o processo de reabertura do Cine Olímpia. Estamos concentrando esforços para isto junto ao segmento cinematográfico da cidade e também da sociedade civil organizada”, explica Filomena Longo.
CINEMA - No início do século XX, em virtude do intercâmbio econômico com a Europa e Estados Unidos, advindo das exportações da borracha, Belém sofria também uma forte influência cultural. Esta influência fez com que a elite local adquirisse novos hábitos e costumes como a criação de concertos e óperas no Theatro da Paz. O cinema, que se expandia pelo mundo, era considerado umas das maiores invenções. Neste contexto, nasceu, em 24 de abril de 1912, o Cine Olímpia, no auge do cinema mudo mundial. Na época, a sala era considerada uma das melhores, mais luxuosas e modernas de seu tempo. Desde 1946, o Olímpia é administrado pelo exibidor nacional, Grupo Severiano Ribeiro.