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Dimensão e dinâmica de clusters no desenvolvimento sustentável do Turismo
24/4/2003 - Mario Carlos Beni

Cluster é o conjunto de atrativos com destacado diferencial turístico, concentrado num espaço geográfico delimitado, dotado de equipamentos e serviços de qualidade, eficiência coletiva, coesão social e política, articulação da cadeia produtiva e cultura



Mario Beni
Turismo é um elaborado e complexo processo de decisão sobre o que visitar, onde, como e a que preço. Neste processo intervêm inúmeros fatores de realização pessoal e social, de natureza motivacional, econômica, cultural, ecológica e científica que ditam a escolha dos destinos, a permanência, os meios de transporte e o alojamento, bem como o objetivo da viagem em si para a fruição tanto material como subjetiva dos conteúdos de sonhos, desejos, de imaginação projetiva, de enriquecimento existencial histórico-humanístico, profissional, e de expansão de negócios. Este consumo é feito por meio de roteiros interativos espontâneos ou dirigidos, compreendendo a compra de bens e serviços da oferta original e diferencial das atrações e dos equipamentos a ela agregados em mercados globais com produtos de qualidade e competitivos.

Como focalizar a atenção para o fato de o Turismo não ser manifestação isolada, demonstrando que todas as áreas do meio ambiente natural, cultural e artificial, da vida pessoal e da organização social – vistas sob a perspectiva das estratégias de internacionalização e de desenvolvimento sustentável – se coligam, mas sim um resultado singular e compósito que hoje se apresenta como destacado mercado captador de investimentos, de geração de empregos e renda, alinhando-se à indústria do petróleo e da informática?
Como formatar um modelo de desenvolvimento, gestão e controle do Turismo que resulte uma ação imediata que deverá ser compartilhada entre Estado e iniciativa privada, sabendo-se que estrutura e recursos de primeiro se encontram extremamente fragilizados?

A contínua integração da economia mundial, que se intensificou neste final de século com o advento da globalização, não tem resultado numa redução das desigualdades entre países e regiões. Ao contrário, o acirramento da concorrência, em nível internacional tem ocasionado um sensível aumento das disparidades internacionais e, sobretudo inter-regionais.

Mesmo no Interior dos países desenvolvidos, assumem uma posição de destaque aquelas regiões cujo sistema produtivo se encontra articulado internamente e apoiado por uma série de fatores externos que permitem a obtenção de elevados níveis de competitividade nos mercados globais.
Essa constatação denota um fenômeno aparentemente contraditório da globalização: o fortalecimento do papel das regiões como também o de espaços localizados.

Quanto maior a liberdade de atuação das forças de mercado e, quanto mais ampla a abertura da economia para o livre comércio e para a competição, mais eficiente e mais prós para a economia. A globalização significa a difusão do capitalismo de livre mercado para praticamente todos os países do mundo. ( Friedman, 1999)

Num momento em que o conhecimento assume uma função proeminente no processo produtivo e o ritmo das inovações intensifica-se, o global encontra seu contra ponto na emergência do regional e do local.

Esse fenômeno acontece porque o caráter global de competição não elimina a importância de base a partir da qual os produtos são lançados no mercado.

Em outras palavras, em mercados abertos os aspectos microeconômicos – aqueles referentes aos padrões de concorrência das diversas atividades da cadeia produtiva – são fundamentais, reforçando a dimensão espacial.

É essa característica do processo concorrencial que vem abrindo espaço para as políticas de formação de “clusters”.

Por mais dispostas a assimilar todas as regras do mercado, o que tem sido proposto com freqüência em vários cenários e discussões, é a certeza de que o sistema chegou de maneira prematura em muitos ambientes, e consequentemente também para o Turismo. Tratar da produtividade e competitividade, um binômio divisor de sucesso, é uma das mais altas e especializadas tarefas da atualidade.

A sociedade está passando por um momento diferenciado, em construção, em conseqüência de uma revisão geral do sistema, onde as sociedades estão cada vez mais bipolares, de um lado a rede e de outro o ser “cada vez mais as pessoas organizam seu significado não entorno do qual fazem, mas com base no que elas são ou acreditam que são.

Enquanto isso, as redes globais de intercâmbios instrumentais conectam e desconectam indivíduos, grupos, regiões e até países, de acordo com sua pertinência na realização de objetivos processados em rede, um fluxo contínuo de decisões estratégicas. ( Castells 1999)


Esses estudos sobre a sociedade mostram a influência da evolução tecnológica, as situações paradoxais encontrando o isolamento do homem e do valor abstrato local. Assim Castells relembra o estudo de Hall e Peston, onde analisaram a mudança geográfica da inovação tecnológica entre 1846 a uma projeção até 2003. Nesse trabalho os estudiosos mostram a importância de fontes locais de inovação, o que nos chama a atenção como um primeiro sinal na discussão de clusters e sua temporaneidade.
Os antecedentes históricos da Teoria dos Aglomerados, apresentados por Michael Porter, indicam que há muito tempo estes são parte da paisagem econômica dotando de séculos as concentrações geográficas de atividades e empresas em determinados setores da economia. E entretanto, na globalização que cresce, extraordinariamente, a intensidade do conhecimento e da tecnologia, exercendo um enorme impacto sobre o papel dos aglomerados na competição.

Sejam quais forem as condições que determinam a principal lição que permanece é que a inovação tecnológica não é uma ocorrência isolada: reflete um determinado estágio de conhecimento; ambiente institucional e industrial específico; uma certa disponibilidade de talentos para definir problemas técnicos e resolvê-los; uma mentalidade econômica para dar a essa aplicação uma boa relação custo/benefício ; e uma rede de produtores e usuários capazes de comunicar suas experiências de

Modo cumulativo e aprender usando e fazendo. (Ex. Terza Itália - que já responde por 65% do PIB italiano).

“Quanto mais próxima for a relação entre os locais de inovação, produção e utilização das novas tecnologias mais rápida será a transformação da sociedade e maior será o retorno positivo das condições sociais sobre as condições gerais a favorecer futuras inovações”. (Castells, 1999).

As fronteiras de um aglomerado devem abranger todas as empresas, setores e instituições com fortes elos verticais, horizontais ou institucionais. Quando os elos forem fracos ou inexistentes, a entidade, sem dúvida, não é parte integrante do aglomerado.

O Turismo com amplas características intersetoriais tem relações estreitas com outros ambientes resultando em um sistema aberto e de grande amplitude que os demais setores da economia, consequentemente com extraordinária capacidade para captar importantes elos, de complementaridade e “extravasamentos” a efeitos colaterais, em termos de tecnologia qualificações, informação, marketing e necessidades dos clientes que transpõem as empresas e os setores.

O sinal característico dos aglomerados, ou clusters, está exatamente na concentração geográfica, que ocorre em função da proximidade que amplia toda a capacidade de gerar resultados relacionados a produtividade, inovações e competitividade.

Os aglomerados transmitem com maior clareza a congregação entre competição e cooperação, que coexistem. O que se visualiza são as amplas possibilidades de interconexões dentro do aglomerado, que por se constituir num sistema aberto responde de forma sempre reveladora.

A atuação como aglomerado faz com que este se apresente na figura de um agente que atuará na manutenção da diversidade, quebrando o foco introspectivo, a inércia, a inflexibilidade e a acomodação entre rivais, que retardam e bloqueiam o desenvolvimento sustentável da região e seu conseqüente aprimoramento competitivo.

Os investimentos públicos em instituições especializadas, programas educacionais, agências e cooperativas de desenvolvimento regional, de informação, feiras e exposições, e outras modalidades que beneficiam o aglomerado são estimulados pela quantidade e visibilidade dos participantes do cluster e pelo número de empresas e produtores sujeitos aos benefícios dos “extravasamentos” desses investimentos. Outros bens quase públicos disponíveis para os participantes do aglomerado surgem com subprodutos da competição.

Cluster é o esforço, mobilização e engajamento, da sociedade e das instituições de uma região no arranjo produtivo local para a consolidação de seu desenvolvimento sustentável.

Cluster é o conjunto de atrativos com destacado diferencial turístico, concentrado num espaço geográfico delimitado, dotado de equipamentos e serviços de qualidade, eficiência coletiva, coesão social e política, articulação da cadeia produtiva e cultura associativa, com excelência gerencial em redes de empresas que geram vantagens estratégicas comparativas e competitivas.

Apresenta-se aos distintos mercados consumidores de Turismo como produto acabado, final, com tarifas diferenciadas na forma de package tours (pacotes) em alto nível de competitividade internacional. (Exemplos: Caribe, Bariloche, Cancún.)

A expectativa do consumidor e seu grau de satisfação dependem dos elementos que influirão em sua percepção final da qualidade do cluster. Esses elementos compreendem: aeroporto, translado, estética do entorno, equipamentos receptivos, gastronomia, hospitalidade da comunidade receptora, informação e sinalização dos atrativos, centros comerciais, serviços de assistência em geral aliados ao motivador essencial já citado, qual seja, a competitividade dos preços.

Os clusters competem entre si em diferentes segmentos de mercado, e cada um deles enfrenta concorrentes também diferentes.

Cada cluster pode, às vezes, compor-se de microclusters diferenciados que competem em mercados distintos.

Esta situação complexa de concorrência real conduz a planejamentos incorretos de marketing competitivo.

Esta possibilidade leva a uma maior dificuldade na identificação exata dos concorrentes de referência de cada cluster.

A concorrência portanto, nos mercados regionais, nacionais e internacionais realiza-se entre clusters.

Os produtos turísticos que realmente competem em diferentes níveis nesses mercados são os clusters de um país ou região, e não os próprios países como tais.

É necessário analisar todos os fatores que influenciam o grau de satisfação de um turista em um determinado “cluster”, e não apenas a sua oferta, pois para competir em um determinado mercado, é necessário, além dos atrativos naturais, a presença de infra-estrutura e serviços que permitam que a destinação tenha uma vantagem competitiva sustentável a longo prazo.
Na base de todas essas considerações, porém, dominando todas as ações, desde as de planejamento até as de execução de programas integrados e estratégicos, deve estar o conceito de turismo sustentável para, preliminarmente, garantir e assegurar os componentes dos diferenciais turísticos, o processo racional de exploração dos recursos ambientais naturais, histórico-culturais e temático-artificiais.

Nos primeiros, exige-se, no processo de ocupação espacial, a preservação máxima possível de suas característica originais. Nos segundos, requer-se após tombamento, o restauro e a conservação de sua integridade patrimonial e cultural. Levando em conta sua reutilização e ressignificação, poderão sofrer alterações estruturais de adaptabilidade e funcionalidade, mantendo obrigatoriamente a arquitetura de época e os elementos culturais na parte construtiva externa. Nos terceiros, flexibiliza-se o tratamento dos temas e o aproveitamento do espaço, com estrita observância da legislação ambiental. O ecossistema empresarial no conceito de James Moore – permite mostrar cada fase distinta da cadeia de produção e das atividades que agregam valores, desde a aquisição da matéria-prima, até a venda e os serviços de pós-venda.

O elemento concreto da atividade turística traduz-se no equipamento receptivo e no fornecimento dos serviços para a satisfação das necessidades do turista, que se denomina “empresa de turismo”. Ela é complexa e, em grande parte, responsável pela produção, preparação e distribuição dos bens e serviços turísticos.
O processo produtivo da atividade turística realiza-se mediante a exploração dos recursos turísticos, ou sejam, os atrativos naturais e culturais de uma região. As unidades em que se organiza esse processo são as empresas prestadoras de serviços turísticos, e seu resultado chama-se “produto turístico”.
A cadeia produtiva constitui-se na rede integrada de setores e subsetores econômicos que possibilitam a elaboração de um produto (bem ou serviço), por meio da interação de processos e decisões harmônicos em relação ao objeto final.
O estudo da cadeia produtiva envolve a produção de um relatório analítico compreendendo os seguintes tópicos:

  • no nível macroeconômico, a discussão das questões estruturais, econômicas, sociais e tecnológicas que afetam o desempenho da cadeia e comprometem sua competitividade;


  • no nível mesoeconômico, o estudo da própria cadeia em relação a competitividade e estratégia;


  • no nível microeconômico, verificar o grau de competitividade do conjunto de empresas existentes dentro de cada um de seus elos.



  • Segundo Castells em sua teoria social de espaço e de fluxos, alguns lugares são centros de comunicação intercambiadores, desempenhando papel coordenador para a perfeita interação de todos os elementos integrados na rede. Outros lugares são os nós ou centros de rede, isto é, a localização de funções estrategicamente importantes que constróem uma série de atividades e organizações locais em torno de uma função chave na rede. O posicionamento no nó conecta a localidade com toda a rede Os nós e os centros de comunicação seguem uma hierarquia organizacional de acordo com seu valor relativo na rede.

    Por sustentabilidade devemos entender “desenvolvimento que satisfaz nossas necessidades hoje, sem comprometer a capacidade das pessoas satisfazerem as suas no futuro”. Trata-se, portanto, de uma perspectiva a um prazo mais longo que o usual ao tomarmos decisões, e envolve a necessidade de política e gestão estratégica com o necessário planejamento integrado do cluster turístico.
    O conceito de sustentabilidade envolve claramente o meio ambiente, a população autóctone e residente e os sistemas econômicos.

    O Turismo sustentável:

  • estimula uma compreensão dos impactos do turismo nos ambientes natural, cultural e social;

  • assegura a distribuição justa de custos e benefícios;

  • gera empregos locais, tanto diretos no setor de Turismo, como indiretos em vários setores de suporte e de gestão de recursos;

  • estimula nichos de negócios lucrativos – hotéis e outras modalidades de alojamento, restaurantes e outros serviços de alimentação, sistemas integrados e intermodais de transportes, artesanato e serviços de guias locais;

  • injeta capital e dinheiro novo na economia local (gera entrada de divisas para o país);

  • diversifica a economia local (principalmente em área rurais, onde o emprego agrícola pode ser esporádico ou insuficiente);

  • toma decisões entre todos os segmentos da sociedade, inclusive populações locais, de forma que o turismo e outros usuários de recursos possam coexistir;

  • incorpora planejamento e zoneamento assegurando o desenvolvimento do turismo adequado à capacidade de suporte do ecossistema;

  • estimula o desenvolvimento estratégico e logístico da intermodalidade de transportes regional e local, das comunicações e de outras infra-estruturas básicas da comunidade;

  • cria facilidades de recreação e entretenimento que podem ser usadas pelas comunidades locais e não só por turistas domésticos ou internacionais;

  • auxilia a cobrir gastos com a restauração, preservação de sítios arqueológicos, construções e locais histórico-culturais.


  • O PLANEJAMENTO DO MARKETING ESTRATÉGICO MARKETSTRAT)
    O planejamento do marketing estratégico visa definir, para cada microcluster de cada cluster, três elementos:

  • o portfólio de negócios;

  • as estratégias de mercado;

  • as estratégias de marketing.


  • Esse planejamento do marketing estratégico deve constituir o programa direcionador do desenvolvimento tanto para o setor público quanto para o privado, e suas diretrizes devem abranger todos os elementos e áreas envolvidos.

    Isso tudo deverá integrar no nível regional (e até dos países compreendidos), um plano geral (marketstrat) que estabeleça o seguinte conteúdo:


  • os clusters que compõem ou comporão a destinação.

  • os mercados e segmentos estratégicos nos quais cada cluster deve concentrar seus esforços competitivos.

  • as estratégias competitivas e de crescimento de cada cluster.

  • os produtos prioritários a serem desenvolvidos em cada cluster.

  • a ordenação física do território de cada cluster e suas etapas ou planos de ação de desenvolvimento.

  • o modelo de gestão turística do cluster.

  • o plano de competitividade de cada cluster e seus microclusters.


  • Se o Marketstrat for executado desta forma, trará os seguintes benefícios:

  • para as empresas de turismo: um conhecimento detalhado da ação de marketing do setor público e, consequentemente, a possibilidade de planejar melhor seus esforços de marketing de forma coordenada com o cluster e a região;

  • para os clusters: um plano de ação coerente com o planejamento regional e a possibilidade de coordenar melhor suas atividades com as de outros órgãos envolvidos;

  • para o governo: um guia prático para orientar toda a ação de marketing de forma coerente e rentável;

  • para a região: mais benefícios derivados da atividade de Turismo sustentável.


  • A POLÍTICA TURÍSTICA DE COMPETIÇÃO ESTRATÉGICA
    (COMPETSTRAT)

    Definido o planejamento do marketing estratégico, as autoridades devem concentrar seus esforços na criação de um entorno competitivo, o qual deverá constituir a base da política turística.

    Hoje, o êxito de um cluster nos mercados turísticos regionais, nacionais e internacionais depende cada vez menos de suas vantagens comparativas e cada vez mais de suas vantagens competitivas.

    A empresa de turismo deve aprender a competir em mercados tradicionais cada vez mais sofisticados e a desenvolver sua capacidade de competir em mercados novos, nos quais os custos dos competidores são altos mas em que também é alta sua produtividade.

    Competstrat trará os seguintes benefícios:

  • para o setor privado : a descoberta nele de uma definição clara de decisão política e um programa bem preciso e objetivo de apoio a determinados investimentos;

  • para o setor público em parceria com a iniciativa privada: um guia prático para seus empreendimentos e gestão em importantes aspectos do Sistema de Turismo (tais como educação, infra-estrutura, urbanismo e outros);

  • que disporá assim, de uma definição precisa de suas políticas de atuação e de um programa de coordenação de todas suas políticas nos diferentes níveis da administração, com critérios específicos e coerentes.


  • GESTÃO ESTRATÉGICA DO TURISMO
    A abordagem vê a política, o planejamento e a administração como apropriados, e, realmente, como respostas essenciais aos problemas de mal uso de recursos naturais e humanos no turismo.

    A abordagem, geralmente, não é contra o crescimento, mas enfatiza que há limites a ele, e que o turismo deve ser administrado dentro desses limites.

    É necessário um pensamento a longo prazo e não a curto prazo.

    A preocupação da gestão do turismo sustentável não é apenas ambiental, mas também econômica, social, cultural, política e administrativa.

    A abordagem enfatiza a importância de satisfazer necessidades e aspirações humanas, o que implica uma preocupação notória com igualdade e justiça.
    Todos os participantes precisam ser consultados e imbuídos de poder para tomarem decisões na área de turismo, e também precisam estar informados sobre questões de desenvolvimento sustentável.

    Desenvolvimento pressupõe mudança, transformação positiva, desejada e desejável.

    Embora o desenvolvimento sustentável deva ser um objetivo para todas as políticas e ações, pôr em prática as idéias de turismo sustentável significa reconhecer que na realidade há quase sempre limites para o que será alcançado a curto e médio prazos.

    É necessária uma compreensão de como funcionam as economias de mercado e conhecer os procedimentos de gestão de negócios do setor privado, as organizações do setor voluntário e os valores e atitudes do público a fim de transformar boas intenções em medidas práticas.

    Há freqüentes conflitos de interesse sobre o uso de recursos, o que significa que na prática pode ser necessário abrir mão de vantagens e estabelecer compromissos.

    O balanço de custos e benefícios nas decisões sobre diferentes cursos de ação deve abranger até a verificação de quanto os diferentes indivíduos e grupos ganharão ou perderão.

    O primeiro desafio a ser vencido é tornar clara a opção pelo turismo, como expressão do conjunto da comunidade, como fator de desenvolvimento local e regional certificando-a que muitas alterações positivas e negativas estarão ocorrendo no cotidiano. É ao morador da região que competirá conviver e estabelecer as prioridades sociais, culturais e econômicas decorrentes.

    SISTEMA INSTITUCIONAL DE TURISMO E AÇÃO ADMINISTRATIVA INTERSETORIAL
    Em vista de seus importantes efeitos econômicos, sociais, ambientais, políticos e culturais, o Turismo, organizado e planejado, é poderoso instrumento de aceleração ou complementação do processo de desenvolvimento. No entanto, ao estabelecer a hierarquia de prioridades no planejamento da economia, os órgãos governamentais não têm considerado a atividade, na medida desejada e potencialmente possível, entre as principais alternativas da política de desenvolvimento regional ou nacional.

    É forçoso reconhecer que o progresso do setor, nos últimos anos, deve-se muito mais à decorrência de programas e iniciativas isolados do que a uma atuação coordenada que reflita claramente seus benefícios socioeconômicos, culturais e humanos. Por isso, os governos que pretendam dinamizar uma estratégia de ação para ele, devem congregar todos os esforços disponíveis a fim de inseri-lo nos objetivos básicos de planejamento global, integrando-o efetivamente às demais atividades produtivas da economia.

    Só assim poder-se-ão definir políticas coerentes e realistas considerando as condicionantes geoeconômicas e geoestratégicas do País e de suas regiões, bem como investigando e contemplando os múltiplos aspectos que compõem o fenômeno turístico.

    É justamente nessa intersetorialidade de ação conjunta e integrada que reside, até hoje, o obstáculo maior que vem inviabilizando uma atuação eficaz dos órgãos públicos de Turismo no Brasil.

    Na verdade, privatização refere-se, de maneira geral, a uma situação econômica em que os principais desenvolvimentos da economia são estimulados por investidores do setor privado, situação clássica na maioria dos países desenvolvidos do mundo. O argumento que a rege é o da sensibilidade (sintonia) ao mercado, essencial para o desenvolvimento sustentado, que só pode ser conseguida ou conquistada por investidores e empresários diretamente mais envolvidas no próprio mercado.

    Pelo que vim expondo, chegou a hora de declarar que nenhuma instituição pública de Turismo no país poderá prescindir, na atual conjuntura socioeconômica nacional e mundial, da cooperação direta e eficaz da iniciativa privada.
    O momento presente não é mais uma seqüência temporal linear. Houve no mundo todo um corte institucional e social para a adaptação a um novo tempo de mudança desafiante: o da globalização, e o da totalidade também.

    Acredito que o sistema de parceria com a iniciativa privada é o único meio, a curto e médio prazo, para enfrentar: a escassez pública de recursos financeiros disponíveis; a quase ausência de recursos humanos realmente especializados mas centrados na concepção e ágil atuação holística, com conhecimento de fato de seus setores de intervenção;

    o recuo do espírito de risco e inovação do empresariado em face de alterações súbitas no mercado financeiro internacional e nacional; uma política inidentificável que está a marcar os países emergentes em comparação com a rápida reação positiva dos assim chamados desenvolvidos.

    No cenário nacional, surgiu recentemente um avanço no sistema de parceria em virtude da falência do Estado na solução dos problemas sociais com responsabilidade e justiça. O próprio Governo Federal vem conferindo ênfase à formação de Organizações Sociais, ainda tema de farta discussão.

    Parte-se, agora, para o denominado terceiro setor, formado pelas diversas organizações da sociedade civil, que em conjunto com o setor privado e o Estado deverá pactuar um novo contrato social, com a redefinição de suas próprias responsabilidades. Esse é um esforço tremendo que busca construir um modelo de desenvolvimento integral, integrado e sustentável, possibilitando superar a reprodução da pobreza e da exclusão social causada pelo aumento das desigualdades provocado pela globalização e esgotamento das verbas públicas. O terceiro setor não pode ter como objetivo substituir o Estado. Nem deve ser visto como mero amortecedor dos efeitos do desemprego ou agente da administração pública que busca parceiros para terceirizar seus serviços. Deve ter como missão impulsionar a co-responsabilização social solidária.

    A participação social é fator fundamental de reordenamento das relações de poder e de uma nova articulação entre os diferentes atores sociais para possibilitar maior acesso aos serviços de forma geral, maior integração nos processos coletivos e aumentar a auto-estima e a constituição de cada um como sujeito de sua história.

    Considerando que a atual situação econômica e social fará sentir seus drásticos efeitos até a primeira década do Século 21, mantendo-se inalteráveis todas as condições vigentes, proponho a adoção de uma gestão mista para os órgãos públicos de Turismo.

    A vantagem da nova fórmula, constituída por uma organização social é o contrato de gestão, que necessariamente será renovado a cada período, revisto e julgado, podendo remover estruturas ultrapassadas e incluir novas, que venham a enfrentar dificuldades recém identificadas.

    CONCLUSÃO
    Creio ter dado uma contribuição para o despertar e o realizar de um Turismo institucional público e privado, considerado sob o mais moderno e rentável modelo de gestão compartilhada hoje disponível no mundo.

    Para atingi-lo não é necessário demolir instituições e desfigurar o trade turístico. É necessário sim atualizá-los para a realidade mundial, prepará-los para uma mudança e motivá-los para auferir agilidade e eficácia.

    A nova Economia, ganhar disciplina e ajustar currículos e práticas em que vivemos é toda ela estratégia. Planejar e administrar hoje e amanhã e fazer a ação instaurar-se é inspirar-se para a ação e fazê-la acontecer.

     
     

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