Definitivamente no período do círio, a chamada Quadra Nazarena (quinze dias) modifica o ritmo da cidade: mais turistas circulando nas ruas; comércio em momento estratégico promocional; maior taxa de ocupação nos hotéis;a feira de artesanato de miriti; a maniçoba por sete dias no fogão a cozinhar; o pato no tucupi sendo preparado; barcos transportando pessoas e produtos do interior para a capital;
No mês de outubro, Belém do Pará recebe milhões de pessoas vindas de todas as partes do país e do mundo (municípios do próprio estado merecem destaque) para o tradicional Círio de Nossa Senhora de Nazaré – A Padroeira dos paraenses; manifestação religiosa, histórica e cultural que alcança este ano sua 213ª realização.
Definitivamente no período do círio, a chamada Quadra Nazarena (quinze dias) modifica o ritmo da cidade: mais turistas circulando nas ruas; comércio em momento estratégico promocional; maior taxa de ocupação nos hotéis; ornamentação urbana temática, as novenas nos bairros em pleno andamento; famílias recebendo parentes e amigos em seus lares envoltos naquele clima natalino do norte; os sacrifícios dos pagadores de promessas atrelados à famosa e grandiosa corda ou apenas caminhando com a multidão; a feira de artesanato de miriti; a maniçoba por sete dias no fogão a cozinhar; o pato no tucupi sendo preparado; barcos transportando pessoas e produtos do interior para a capital; Romaria Fluvial prolongada pelo “arrastão” do Arraial do Pavulagem; Romaria Rodoviária, Círio das Crianças, Trasladação (ocorre na noite de sábado anterior ao Círio de Nazaré, fazendo trajeto inverso, isto é, a caminho da Catedral da Sé – cuja obra em determinado tempo contou com a participação do arquiteto italiano Antônio Landi e decoração idealizada por De Angelis); o Auto do Círio, congregando múltiplos artistas e populares em cortejo pelas ruas da Cidade Velha; a espetacular pirotecnia à meia-noite (encerrando as festividades de modo triunfal) e o parque de diversões (que somado a barraquinhas diversas, transformam-se no Arraial de Nazaré) somente armado nessa época nas adjacências da Basílica de Nazaré – ponto de chegada da grande procissão do segundo domingo de outubro.
Sem sair do contexto do círio e da cidade das mangueiras, pode-se abordar o setor cinematográfico, sim... Aliás, Belém é considerada uma “praça fraca” pelo circuito comercial exibidor nacional, talvez a idéia seja reforçada pela tendência de salas de exibição serem convertidas em igrejas. Bem como, recentemente, o Cinema Olímpia (o mais antigo em funcionamento no Brasil – ainda herança do ciclo da borracha) ter encerrado suas atividades. Porém, já está voltando com nova proposta integrando muitas opções de lazer e cultura.
Ou ainda, porque os cines simplesmente não resistem ao maior poder de atração dos “modernos” que possuem altas tecnologias (geralmente localizados em shopping centers). Entretanto, considerações colocadas de lado, o Cine Ópera (dedicado ao gênero pornográfico) parece não sofrer muito com as regras e opiniões sobre o mercado. E, devido até contribuir para o paralelismo da festa e compartilhar da diversidade acolhida pela Quadra Nazarena, em razão do mesmo estar situado às proximidades da Praça Santuário de Nazaré, trecho-mor das procissões e manifestações do período.
Enfim, o Círio de Nazaré contempla muitos aspectos – a exemplo do profano. Evidente também nas várias festas realizadas por toda cidade, inclusive as de aparelhagem sonora, atualmente tão vibrantes e divulgadas na mídia televisiva e eletrônica.
Marcos Cesar Moura Ribeiro é aluno de turismo da UFPA - Belém/PA