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Entendendo o mundo atual – um roteiro de estudo





“Quanto tempo precisarão os europeus para compreender que trocaram um mundo com ameaça, mas sem risco, por um universo sem ameaça, mas com riscos?”   Alain Minc, 1994

“E nem mudou a nossa sociedade sibarítica. Após a Guerra Fria ela piorou. Em ambos os lados do Atlântico. Mais corrupta, introvertida, conformista, intolerante, isolacionista, presunçosa. Menos equitativa.”   John Le Carré, 1996

“Vivemos numa era insana, mas insana do que o normal, porque, apesar dos grandes avanços tecnológicos e científicos, o homem não tem a mínima idéia de quem é ou do que está fazendo.” Walker Percy, 1987

“Nunca chegamos a dar-lhe um bom nome, e agora ela acabou. A era pós-guerra fria – chamemo-la assim, na falta de denominação melhor – teve início com a queda de uma construção, o Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e chegou ao fim com o colapso de outra, as torres gêmeas do World Trade Center, a 11 de setembro de 2001.”   John Lewis Gaddis, 2002 

1. Introdução

Procurar entender o mundo e suas transformações foi sempre um preocupação de vários políticos, filósofos, historiadores, sociólogos, economistas e geógrafos. As reflexões sobre a conjuntura internacional podem ser encontradas em várias fontes: filósofos e cientistas sociais, historiadores, autores da literatura e artistas em geral. O conhecimento das realidades e nuances da problemática mundial pode ser enriquecido pela leitura de textos científicos ou literários, filmes, teatro, fotografias ou a produção da mídia em geral (jornais, revistas, histórias em quadrinhos, enciclopédias, etc.). Porém, a compreensão mais ampla e profunda da realidade deve ser embasada pela compreensão das estruturas ou dos paradigmas que formam o arcabouço teórico de toda tentativa de interpretação da realidade. Em suma, é preciso saber que tipo de discurso (paradigmas, metarrelatos) se insere – implícita ou explicitamente – nos diversos textos. A epistemologia é fundamental. É preciso usar a teoria do conhecimento para identificar as características estruturais dos vários discursos existentes, buscando assim alguma referência para navegar na chamada “nova (des)ordem internacional” que está sendo (des)construída.

Toda “visão de mundo” é parcial, fragmentada e subjetiva. Esta é uma visão particular que eu tenho de “ler” o mundo. Seja pelas minhas leituras ou pelo espaço restrito deste artigo, você tem em mãos apenas uma das muitas possibilidades, um dos muitos guias de estudo prováveis, para compreender melhor o mundo em que vive. Um mundo complexo, com várias interpretações, contradições e paradoxos. Por isso algumas lacunas são inevitáveis. Não foram citados o italiano Ítalo Calvino, o argentino Jorge Luis Borges ou o albanês Ismail Kadaré, simplesmente por ser impossível abarcar um universo de milhares de títulos publicados, mas o leitor curioso vai descobrir por sua própria conta outras preciosidades.

Este guia de leitura foi pensado para servir aos estudantes das áreas de comunicações em geral (relações públicas, publicidade e jornalismo), turismo, hotelaria e outras especialidades semelhantes. Os estudantes de disciplinas como história, sociologia, filosofia ou política possuem seu universo mais amplo de textos, autores e linhas de pensamento, mas também podem usar esse roteiro tendo-o como mais uma referência acadêmica.

2. A visão de mundo de Oswald Spengler (1880-1936)

Historiador alemão e filósofo da história, Spengler era admirador de Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Em seu livro A decadência do Ocidente  (1918), pode-se perceber como Spengler foi influenciado  pelos horrores da Primeira Guerra Mundial e pela derrota da Alemanha. Ele via a história não como progressão linear, mas como o desabrochar de várias culturas (nove ou dez), cada uma com características próprias. O trabalho foi importante ao romper decididamente com a concepção  hegeliana de história como um processo governado pela razão (do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedridh Hegel, (1770-1831). Para Spengler as culturas sofrem em processo de crescimento, desenvolvimento e colapso, mas ele não explica as causas que levariam à essa decadência. Foi criticado por não Ter sensibilidade à interação de culturas e aos agentes humanos envolvidos no processo.

3. A modernidade

O termo modernidade foi lançado por Charles Baudelaire (1821-1867) no artigo  Le peintre de la vie moderne,   publicado em 1863. O termo teve um sucesso inicial restrito aos ambientes literários e artísticos da segunda metade do século XIX e foi amplamente difundido após a II Guerra Mundial. Para ele a modernidade está ligada à moda, ao dandismo, ao esnobismo. A modernidade encontrou seu filósofo em Henri Lefebvre que distingue modernidade e modernismo: “A modernidade difere do modernismo, tal como um conceito em via de formulação na sociedade, difere dos fenômenos sociais, tal como uma reflexão difere dos fatos... A primeira tendência – certeza e arrogância – corresponde ao Modernismo; a Segunda – interrogação e reflexão já crítica – à Modernidade. As duas, inseparáveis, são dois aspectos do mundo moderno.”   (in Le Goff, Jacques. “História e Memória”, Campinas: Unicamp, 1994, p. 189-190).

“O tema (modernidade) segue imerso em uma nebulosa conceitual. Espíritos mais ousados chegam a recuar ao paleolítico para nele ver surgir a modernidade, outros preferem indicar épocas mais recentes, como a Renascença ou a Reforma; muitos, o século XVIII, a Era do Iluminismo; a maioria inclina-se a preferir a revolução, fixando-se no século XIX.” (Souza, 1994,p. 15).

Marshall Berman em “Tudo o que é sólido desmancha no ar”   (São Paulo: Companhia das Letras, 1986), trouxe mais teorias sobre o nascimento da modernidade. No prólogo ele já define a sensação de ser moderno: “...é viver uma vida de paradoxo e contradição. É sentir-se fortalecido pelas imensas organizações burocráticas que detém o poder de controlar e freqüentemente destruir comunidades, valores, vidas; e ainda sentir-se compelido a enfrentar essas forças, a lutar para mudar o seu mundo transformando-o em nosso mundo.” (p. 13). Berman dividiu sua análise em 3 períodos: do século XVI ao fim  do século XVIII;  da Revolução Francesa até o século XIX; o século XX. No século XIX autores como Nietzsche, Ibsen, Walt Whitman, Baudelaire, Melville, Calyle, Rimbaud, Stirner, Dostoievski e outros trabalham o conceito de modernidade. No século XX a lista infindável. Berman analisa o “Fausto” (escrito entre 1808 a 1833), de Goethe, e o “Manifesto do Partido Comunista” de Marx e Engels (1848), as transformações realizadas pelo prefeito Haussmann em Paris entre 1859 e 1870; as obras da cidade de São Petersburgo iniciadas pelo Czar Pedro I em 1703; e as mudanças de New York nos anos 1950.

4. Fausto e a modernidade

Para Berman e Spengler há uma figura importante que é usada como exemplo do homem moderno: Fausto, o principal personagem descrito por Goethe na obra do mesmo nome. Roger Shattck em seu livro Forbidden Knowledge (New York: St. Martin’s Press, 1996) explica as razões (em português o livro intitula-se “O conhecimento proibido). Para ele só existem dois mitos ocidentais relevantes depois de Cristo: o mito do Rei Arthur e seus cavaleiros e o mito de Fausto (Shattuck, 1996, p.100-107). Spengler foi o responsável pela popularização da expressão “homem fáustico”. Berman denomina Fausto de “tragédia do desenvolvimento”. É o princípio do excesso e o pragmatismo desenvolvimentista que permeiam a idéia do “homem fáustico”. Ele, como o homem moderno, tem uma perpétua busca além de qualquer satisfação humana. Fausto se diferencia de outras figuras místicas. Ele não roubou o fogo, como Prometeu, e nem fundou uma cidade, como Caim. Ele é aquele que age sem escrúpulos; só o que ele contempla é que possui consciência. Fausto pode ser articulado sob a forma desse paradoxo moral: experiência é o único caminho para o conhecimento humano, ainda que qualquer experiência, quando submetida à reflexão, possa trazer o sentimento de culpa.

5. O mal-estar na cultura I – Nietzsche (1844-1900) e Freud (1856-1939)

Nietzsche foi um pensador atípico. Utilizando-se de uma caracterização “arbitrária e fantástica” entre Apolíneo e Dionisíaco, colocou essas duas tendências como responsáveis pelas artes plásticas e pela arte musical, respectivamente, tomando como base o mundo grego clássico. Sua influência atual não apenas de sua celebração da vontade (vontade de poder), mas profundamente de seu ceticismo sobre as noções de verdade e fato. Ele antecipou vários dos princípios da pós-modernidade: a atitude estética frente ao mundo visto como “texto”; a contestação dos fatos e das essências; a celebração do pluralismo de interpretações e do ser fragmentado; e a redução da importância da razão e politização do discurso. Seu estilo literário, elegante e sofisticado, se valia do humor, ironia, exagero, aforismos, versos, diálogos e parodias. Sua crítica é feita ao império da razão na civilização humana: “Enquanto em todos os homens produtivos o instinto é exatamente uma força afirmativa e criadora, e a consciência, uma força crítica e desanimadora, em Sócrates é o instinto que se revela crítico e a razão que se manifesta criadora, uma verdadeira monstruosidade per defectum!”   (A origem da Tragédia). Essa é mais uma crítica ao racionalismo e uma percepção dos grandes problemas humanos existentes na história. Com o fim da tragédia (após o apogeu em Ésquilo e Sófocles e a decadência exemplificada por Eurípedes e a nova Comédia Ática) o otimismo teórico de Sócrates venceu o pessimismo prático dionisíaco. A cultura que surgiu a partir de Sócrates era decadente, feita da felicidade do conhecimento racional, da beleza equilibrada da arte e da noção metafísica da vida eterna. Posteriormente essa cultura seria moldada pelo cristianismo, paradigma da má-consciência no poder:

“Sem mulheres, mal comidos e contemplando o umbigo,
- as imagens da imundície, mal cheirosas!
Assim eles inventaram as delícias de Deus.” (Poemas)

Para Nietzsche os verdadeiros gregos são os pré-socráticos. Depois vem a doença e a decadência. Como a nossa civilização prevém de uma vertente greco-romana (pós-socrática, portanto) e judaico-cristã, vem daí a origem de nosso mal estar, de nossa moléstia existencial incurável e perene. Não é coincidência a admiração que Spengler tem por Nietzsche.

Para Freud, nos textos “O futuro de uma ilusão”   e o “Mal estar na cultura” , o problema é que o indivíduo é, potencialmente, um inimigo da civilização. Isso acontece porque a civilização lhe impõe um peso intolerável para fazer possível a vida em comum. Por isso a cultura precisa ser defendida contra o indivíduo. A cultura repousa na imposição coercitiva do trabalho e na renúncia aos instintos humanos de destruição (canibalismo, incesto e homicídio). A coerção vai ser então equilibrada pela compensação, seja ela real ou, na maior parte das vezes, imaginária. Seria então a função do patrimônio espiritual da cultura composto `pela arte e pela religião. Para ele a religião tem uma função reguladora ética e moral, mas uma função baseada na ilusão porque “... a religião seria a neurose obsessiva da coletividade humana, e mesmo que a da criança, seria proveniente do Complexo de Édipo, na relação com seu pai. Conforme essa teoria temos que supor que o abandono da religião se cumprirá com toda a inexorável fatalidade de um processo de crescimento e que atualmente já nos encontramos nessa fase de evolução.” (El porvenir de una ilusion)

A vertente filosófica que vai originar o pensamento contemporâneo crítico em relação a religião, e consequentemente mudar profundamente os paradigmas centrados em uma cultura judaico-cristã, passa por Immanuel Kant  (1724-1804), que afirma ser a metafísica incognoscível, inescrutável para o homem, portanto de nada nos vale tentar compreender as esferas metafísicas ou teológicas; por Auguste Comte (1798-1857) substituindo os estados teológico e metafísico pelo estado positivo, garantido pela racionalidade e progresso científico; por Nietzsche (1844-1900), que declarou a morte de Deus e imputou à classe sacerdotal as piores perversões humanas; por Karl Marx (1818-1883), ao afirmar que a religião é o ópio do povo; por Charles Robert Darwin (1809-1882), autor da teoria da evolução; por Sigmund Freud (1856-1939), que encara a religião como uma neurose possível de cura, finalmente, por Jean-Paul Sartre (1905-1980), com o existencialismo ateu.

6. O mal-estar na cultura II – A França

No fim do século XIX, na França, uma série de escritores anunciavam uma revolução no fazer poético que influenciou várias manifestações literárias e filosóficas no século XX. Com suas “Flores do Mal”, Charles Baudelaire (1821-1867), já traduz a condição de tensão da modernidade através de um conjunto de poemas que exploram a natureza dupla do homem (divina e diabólica) e os cenários urbanos modernos. Em “Os paraísos artificiais”, uma parte da obra “As flores do mal”, depois de esgotadas as possibilidades terrestres usuais da busca de sensações, ele procura, através das drogas, um estado superior de consciência, O problema do mal, os estados alterados da consciência e os mistérios das metrópoles caóticas já são claramente perceptíveis em Baudelaire.

O poeta Arthur Rimbaud (1854-1891), o poeta tem que ser “vidente” como Baudelaire, procurar o novo e atingir o desconhecido. “Uma estadia no inferno”e “Iluminações” marcam uma revolução poética, uma nova alquimia do verbo. Sthéfane Mallarmé (!841-1898) tenta aprender na poesia hermética o vazio, o caos, uma harmonia intraduzível de caráter cristalino e impessoal. Villiers de L’Isle Adam (1839-1889) com seu “Axel”, combinou elementos do gótico, do terror, do decadentismo e constituiu a obra central do “Castelo de Axel” (1931), o brilhante livro do crítico norte-americano Edmund Wilson sobre o Modernismo e o Simbolismo.

A Paris dos anos 1920 tornou-se o centro do movimento modernista sediando exibições vanguardistas dos movimentos dadaísta e surrealista, gerando manifestos e escândalos, sendo o ponto de encontro de escritores exilados de várias partes do mundo. Foi na Paris de 1922 que surgiram escritores britânicos e irlandeses como James Joyce (autor de Ulisses), Jean Rhis, Lawrence Durrell e Samuel Beckett. T. S. Elliot publicou “Waste Land” (Terra Insólita) e outros escritores norte-americanos mergulham em um experimentalismo nunca visto anteriormente nos Estados Unidos: Ezra Pound, Ernest Hemingway, William Carlos Williams, William Faulkner, Gertrude Stein, e Henri Miller. Grandes escritores franceses também experimentavam novas formas, gêneros e manifestações literárias como André Breton, Louis Aragon, André Gide e Jean Cocteau.

No século XX André Malraux (1901-1976) procurou transformar em consciência uma vasta experiência. Ele foi ao Oriente, na década de 1920, estudar a arte cambojana da antiga civilização do Khmer, seguiu de perto os acontecimentos da Revolução Chinesa, participou da Guerra Civil espanhola combatendo o franquismo, engajou-de na Resistência Francesa contra a ocupação alemã e foi Ministro da Cultura de Charles de Gaulle. Seus romances (“A Condição Humana”, “A esperança”e “O caminho real”) são modernos por seu internacionalismo, sua temática, seu ritmo acelerado e sua descontinuidade. Albert Camus (1913-1960) explicitou a gratuidade das ações humanas (“O estrangeiro”, “As núpcias”, “O homem revoltado” e “A peste”) e traçou um panorama da França colonial em suas obras. André Breton (1896-1966), escreveu os dois manifestos do surrealismo (1924 e 1928) e Nadja, um dos primeiros romances surrealistas. Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Simone de Beauvoir (1908-1986) estruturaram o exixtencialismo francês. Após a segunda guerra mundial essa vertente filosófica encontrou terreno fértil para se propagar. Os horrores dos campos de concentração alemães e japoneses; os bombardeios devastadores de Dresden e Tóquio; as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasáki; e as imensas regiões devastadas da Europa oriental, da ex-União Soviética e da China, com suas multidões famintas e doentes, mostraram uma face nada agradável do ser humano no século XX.

No pós-guerra, um momento privilegiado para as relações entre literatura e filosofia, Sartre com “O ser e o nada” foi o principal filósofo do existencialismo francês. Para ele o homem se edifica na sua relação com o mundo exterior. A literatura proporcionou ao pensamento existencialista um modo de expressão importante no sentido de restituir o sentido à existência humana, explorando a angústia dos indivíduos confrontados com o absurdo, levado ao paroxismo pela experiência da guerra, da ocupação nazista e da Resistência.

“A morte não é nunca o que dá à vida o seu sentido: é, ao contrário, o que lhe tira por princípio toda significação. Se temos que morrer, nossa vida carece de sentido, porque seus problemas não recebem nenhuma solução e porque a significação mesma dos problemas permanece indeterminada... Não posso nem descobrir minha morte, nem esperá-la, nem adotar uma atitude contra ela, pois minha morte é o que se revela como incognoscível, o que desarma todas as esperas, o que se esvai em todas as atitudes, e particularmente nas que se adotaram para com ela. A morte é um puro fato, como o nascimento; nos vem desde fora e nos transforma de fora. No fundo não se distingue de modo algum do nascimento como fato e a esta identidade do nascimento e morte denominamos faticidade.”   (O ser e o nada)

Estava preparado o caminho para o pensamento contemporâneo francês, caracterizado pela pós-modernidade. Jean-François Lyotard (“O pós-moderno”); Jean Baudrillard (“América”, “A sombra das maiorias silenciosas”, “Partidos Comunistas – paraísos artificiais da política”); e Alain Touraine (“O pós-socialismo”) são alguns dos marcos desse pensamento contemporâneo, referências epistemológicas fundamentais para se compreender o quadro teórico atual.

Principais obras de Sartre (várias editoras)

Textos filosóficos:

O ser e o nada
O existencialismo é um humanismo

Peças de teatro:

Mortos sem sepultura
A prostituta respeitosa
As mãos sujas
Os seqüestrados de Altona
O Diabo e o bom Deus
As moscas
A engrenagem
Entre quatro paredes
As troianas
Os dados estão lançados

Romances:

A náusea
O muro
Os caminhos da liberdade
  (trilogia composta por “A idade da razão”, “Sursis” e “Com a morte na alma”

Principais obras de Simone de Beauvoir (ed. Nova Fronteira)

Romances:

Todos os homens são mortais
A convidada
Uma morte muito suave
Os mandarins
O sangue dos outros
Quando o espiritual domina
A cerimônia do adeus

Reflexões filosóficas:

Memórias de uma moça bem comportada
A força da idade
Balanço final
O segundo sexo
  (2 vol.)

7. O mal-estar na cultura III – América

A rebeldia no pensamento norte-americano pode Ter início demarcado com Thoreu e Whitman. Henry David Thoreau (1817-1862) escreveu Walden  (1854), um texto ainda utilizado por ambientalistas que propagam a volta à natureza e “A desobediência civil”   (1849), uma obra que influenciou a política de não-violência ativa de Gandhi na Índia e parte das atividades contestatórias juvenis da década de 1960. Walt Whitman (1819-1892) captou o espírito da revolução americana, assim como Maiakowski captou o espírito da revolução russa. Sua obra principal é Folha das folhas da relva.

“Sei que sou imortal,
sei que esta minha órbita não pode ser traçada
pelo compasso de um carpinteiro qualquer.
Sei que não passarei
Assim que vem verruga de criança
que à noite se remove
com um alfinete flambado.”

(Whitman, Canto a mim mesmo  – fragmento)

No século XX o romance de Salinger, O apanhador no campo de centeio,   publicado em 1945, inseriu o questionamento jovem na literatura norte-americana. Foi o primeiro indício da ruptura que estava por vir. Na década de 1950 explodiu o movimento beat  e na década de 1960 o movimento hippie. O sentimento presente nas obras dos beats é o tédio e o inconformismo com a mediocridade da classe média criada no american way of life. Foram influenciados pelas obras de Kafka, Céline e Rimbaud.

Principais autores e obras beats:

Jack Kerouac ( On the Road,   1957; The subterraneans, 1958)
Allen Ginsberg ( Uivo e outros poemas,   1956)
Charles Bukowski ( Crônica de um amor louco)
Gregory Corso ( The vestal lady of Brattle, 1955; Gasoline,   1958; Bomb,   1958)
Lawrence Ferlinghetti ( Pictures of the gone world,   1955; Routines,   1964)
William Burroughs ( Almoço nu,   1959; Junkie,   1951; The soft machine,   1961)
Neal Cassidy ( The first third, 1971)
Peter Orlovski ( Clean Asshole Poems & Smilling Vegetable Songs,   1969)
Gary Sneider ( Turtle Island,   1964; Range of poems,   1966)

A literatura note-americana atual, tem como tema vários modismos e dissidências tribais pós-hippies, e vários autores retratam friamente a realidade de suas cidades, os problemas sociais, a solidão e o abandono do ser humano em uma existência anódina, lembrando muito o enfoque existencialista.

Alguns autores norte-americanos atuais:

Paul Bowles ( Chá nas Montanhas; O amigo do mundo; O céu que nos protege)
Tom Wolfe ( A fogueira das vaidades)
Bret Easton Ellis ( O psicopara americano; Abaixo de zero; Os jogos da atração)
Thomas Pynchon ( V)
Peter Blauner ( O intruso)
Scott Smith ( Um plano simples)
Raymond Carver ( Short Cuts ou Cenas da Vida)
Donna Tart ( A história secreta)
Philip Roth ( A marca humana)

Dois ensaios críticos sobre a cultura norte-americana são importantes para entender a complexidade e as contradições dessa sociedade:

HUGHES, Robert – A cultura da reclamação  – São Paulo: Companhia das Letras,  
1993.

TAYLOR, John – O circo da ambição: cultura, riqueza e poder nos anos yuppies.
 São Paulo: Scritta, 1993.

8. As perspectivas do futuro – década de 1980

No segundo semestre de 1986, o professor de literatura José Miguel Wisnik, da Universidade de São Paulo, inaugurou uma série de debates em São Paulo intitulada Virada do Século XX. Com base em suas análises pode-se estruturar o seguinte quadro de tendências para o final do século, com seus principais autores e obras:

a) Uma das vertentes é a de que a evolução tecnológica leva, por si só, a um novo estágio na história da humanidade. Tanto as utopias socialistas como capitalistas enveredam por esse caminho, sendo a história redimida pela ciência. São otimistas em relação ao futuro e ao desenvolvimento. Umberto Eco os chamaria de “integrados” a esse novo mundo que desejam ver surgir no seio da tecnologia.

FERGUNSON, Marilyn – The aquarian conspiracy: personal and social
 transformations in the 1980’s
– Los Angeles: J. P. Tarcher, 1980.

NAISBITT, John e ABURDENE, Patricia – Megatrends 2000  – São Paulo: Amana-
 Key, 1990.

NAISBITT, John –  Paradoxo Global  – Rio de Janeiro: Campus, 1994. (*)

SERVAIN-SCHREIBER, Jean-Jacques – O desafio mundial  – Rio de Janeiro: Nova
 Fronteira, 1980.(**)

TOFFLER, Alvin –  A terceira onda; O choque do futuro; Poweshift – mundança de
 Poder.

* Apesar do livro ser de 1994, continua a manter o tom de otimismo da década de 1980.

** O autor era otimista em relação à informatização, pois liberaria horas de serviço para serem usadas pelos trabalhadores em atividades de lazer ou capacitação profissional e/ou pessoal. “Quanto mais microprocessadores e telecomunicações existirem, mais necessidade de uma imensa contribuição humana.”   (p. 379). Os anos 1990 mostraram uma realidade bem diferente, com desemprego estrutural e diminuição de salários em geral.

b) Outra vertente seria a de recuperação das tradições. Teríamos que recuperar a natureza perdida, como se o progresso fosse um erro que tivesse tirado a história de seu desenvolvimento natural. Ecologistas e ambientalistas radicais, pacifistas, gente de movimentos alternativos, grupos contra qualquer tipo de uso da energia nuclear, todos eles têm sérias restrições ao desenvolvimento tecnológico a ao progresso.

c) Outras utopias seriam as ligadas ao socialismo libertário (anarquismo) ou a micro-políticas grupais como as feministas, minorias étnicas e sexuais, grupos culturais e artísticos etc. Não são ligados ao movimento hippie e nem se prendem, necessariamente, a partidos políticos ou sindicatos para exercerem sua atividade social e política. Preferem associações e organizações quase informais e com um poder de pressão organizado para determinados alvos específicos.

d) Os pessimistas. Bastante numerosos, foram criados na leitura de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley e 1984, de George Orwell e não vêem o futuro da humanidade de forma otimista. O armazenamento de armas nucleares, as novas armas químicas e bacteriológicas, a poluição industrial, efeito estufa, pesquisas genéticas, a perda do controle da tecnologia, colapsos econômicos, instabilidades sociais, desastres naturais, tudo pode levar a civilização à barbárie. Para eles nossa civilização está em estado terminal, cumprindo os desígnios de Spengler e Nietzsche. Essa sensação está também no cinema. Filmes como Blade Runner, a trilogia australiana Mad Max,   o filme de Denys Arcand O declínio do império americano,   e o escatológico The day afte r fazem parte da cultura de massa dessas pessoas. Entre o livros destaca-se a história em quadrinhos “When the wind blows” , de Raymond Briggs (London: Penguin Books, 1982), sobre os efeitos da guerra nuclear e “Life after domsday” , de Bruce D. Clayton (New York: The Dial Press, 1980), um guia de sobrevivência à guerra nuclear e outros grandes desastres, como o autor mesmo denomina o subtítulo da obra. Até o lado socialista (a ex-União Soviética) entrou na guerra propagandística editando o manual “Quem ameaça a paz”   (Lisboa: Ed. Avante, 1982), acusando ocidente capitalista pela iniciativa da corrida armamentista.

e) Finalmente, existe a idéia, também certamente influenciada por Nietzsche Spengles e os existencialistas, de que a história não tem finalidade, portanto não tem um fim. Não haveria, portanto, utopias. Talvez seja um melancólico desfecho para os sonhos humanos. O filósofo Karl Popper defende que “... a história não tem qualquer significação.”   (Popper. A sociedade aberta e seus inimigos,   São Paulo: Edup, 1974 – vol. II, p. 278).

9. As perspectivas do futuro e as visões do presente – década de 1990

Em 1992 o norte-americano Francis Fukuyama publicou um artigo intitulado O fim da história,   posteriormente transformado em livro. Estava movido pelo entusiasmo do final da Guerra Fria (1947-1991) e pelo delírio de que o nazismo e o fascismo, de direita , e o socialismo, de esquerda, representavam as ideologias fracassadas e desaparecidas ao longo do século XX. O capitalismo democrático teria a responsabilidade de administrar o mundo, preconizando o encerramento de experiências políticas, econômicas e sociais pelo fato de a humanidade ter alcançado o sistema adequado. Os anos seguintes não mostraram exatamente o cumprimento dessa “profecia”.

Alain Minc publicou A nova idade média  (São Paulo: Ática, 1994), onde aponta o perigo gerado pela fragmentação de nações, hipertrofia das máfias em vários pontos do planeta e o esvaziamento das ideologias tradicionais e do racionalismo: “Um caldeirão ideológico borbulha com ingredientes de populismo, nacionalismo, tribalismo, mas também de ecologia e individualismo: assim como em certos momentos o extremismo de esquerda e o extremismo de direita intercambiaram alguns de seus ancestrais, o etnicismo e a ecologia podem, inadvertida ou deliberadamente, fazer um bom casamento. O perigo está nessa alquimia intelectual nova e não no resurgimento das cruzes gamadas rabiscadas por skinheads incultos e bêbados.”   (p. 31) Tudo isso levaria a uma nova idade média, marcada por uma desagregação nacional e pelo tribalismo predatório e caótico. O curioso nesse livro são as comparações feitas entre o bloco ex-socialista e a América latina: “Se a Rússia conseguir algum dia trocar seu caos por uma desordem como a do Brasil, terá ganho a partida.”   (p. 41). Minc publicou em 1.999 um livro importante chamado As vantagens da globalização  onde ele critica a posição reticente dos franceses em relação à chamada Nova Economia global.

Os franceses Ignacio Ramonet e Alain Gresch são os organizadores do livro A desordem das nações  (Petrópolis: Vozes, 1996), uma crítica com visão européia da situação mundial. Ainda sobre o problema da modernidade, no final do século XX, há os livros de Jean Chesnaux, Modernidade – Mundo  (Petrópolis: Vozes, 1995) e de Alain Touraine, Crítica da modernidade  (Petrópolis: Vozes, 1994). São críticos rigorosos porém não totalmente pessimistas em relação ao futuro, apenas céticos.

*** O livro de Ignácio Ramonet, Geopolítica do caos,   Petrópolis: Vozes, 1998, foi um importante documento sobre a situação sócio-política e econômica global da época.

Jeremy Rifkin, no livro O fim do trabalho,   preocupa-se com o desemprego estrutural e com as novas tecnologias e métodos de gestão que estão eliminando postos de trabalho, assim como a dificuldade da re-inserção dos desempregos no mercado. Sua visão não é otimista. Fica claro que o desemprego ocorre em todos os níveis e que se torna necessário investimentos volumosos para recapacitação e recolocação em setores terciários ou até mesmo nas Organizações Não-Governamentais (ONGs). A elite privilegiada pelo emprego garantido seriam os analistas simbólicos, muito bem treinados e remunerados.

Robert Reich, ex-secretário do comércio dos Estados Unidos, possui uma visão mais otimista da conjuntura internacional em seu livro O trabalho das nações  (São Paulo: Educator, 1994). Defende o enfraquecimento do estado-nação em benefício das relações internacionais de comércio e das empresas transnacionais. Ele divide os trabalhadores em Serviços rotineiros de produção; Serviços pessoais; e Serviços simbólicos analíticos. Esses últimos seriam os privilegiados, bem educados (sua divisão é similar à de Rifkin) e responsáveis por tarefas mais complexas como identificação e solução de problemas, além do planejamento estratégico. São os pesquisadores, engenheiros, executivos de relações públicas, financistas, advogados, promotores de imóveis, consultores em geral, especialistas, headhunters, analistas de sistemas, publicitários, arquitetos, cinegrafistas, editores, escritores, jornalistas, produtores de TV e vídeo, professores universitários (p. 162-165).

John Naisbitt escreveu Paradoxo Global  (Rio de Janeiro: Campus, 1994), um texto já clássico na área de lazer e turismo, pois o capítulo 3 (Turismo: a globalização da maior indústria mundial) trouxe dados importantes sobre a importância do setor. Possui uma visão otimista do futuro.

Peter Drucker, o pai da moderna administração de empresas, possui vários livros sobre análises conjunturais. Entre os últimos destacam-se As novas realidades  (São Paulo: Pioneira, 1991) e A sociedade pós-capitalista  (São Paulo: Pioneira, 1993). Visão empresarial e otimista do futuro, apesar das mudanças.

Paul Kennedy escreveu dois textos que, infelizmente, foram atropelados pelo colapso do socialismo, mas nem por isso perdem a importância por sua análise histórica rigorosa. Ascensão e queda das grandes potências  (Rio de Janeiro: Campus, 1989) traz em seu primeiro capítulo, intitulado A ascensão do mundo ocidental   (p. 13-38), informações fundamentais para se entender como a Europa sobrepujou as outras civilizações nos séculos 15 e 16 e tornou-se hegemônica no mundo. Entender claramente esse processo ajudará a compreender melhor o texto de Samuel P. Huntington. Outro livro importante de Kennedy é Preparando para o século XXI  (Rio de Janeiro: Campus, 1993), onde ele analisa o que leva as nações a serem “vencedoras” ou “perdedoras” na virada do século XX para o século XXI.

Para entender o século XX em toda sua complexidade um livro já clássico é A era dos extremos – o breve século XX (1914-1991),   de Eric Hobsbawn (São Paulo: Companhia das Letras, 1995), historiador inglês e marxista não-ortodoxo.

William Bridges é mais um dos consultores de empresas que faz análises conjunturais e propõe soluções em seu livro Mudanças nas relações de trabalho  (São Paulo: Makron, 1995). Sua visão de futuro não é pessimista mas assume que as mudanças estruturais são profundas.

Charles Handy retorna a discussão já realizada anteriormente em  The age of unreason  (Boston: Harvard, 1989) no seu livro mais recente “A era do paradoxo”   (São Paulo: Makron, 1995). É importante para se compreender a velocidade e a instabilidade paradoxal das mudanças contemporâneas. É uma visão otimista e empresarial da conjuntura, mas reconhece a profundidade das mudanças estruturais.

Robert Kurtz (alemão) escreveu O colapso da modernização – da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial  (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993). Para Kurz a crise do capitalismo é um processo contínuo que começou nos países sub-desenvolvidos, ceifou os países do socialismo real e atingirá, antes do final do século, os países capitalistas desenvolvidos. Sua visão é pessimista e propõe o advento da barbárie em vários pontos do planeta. Kurz teve outro livro publicado no Brasil, Os últimos combates.   (Petrópolis RJ: Vozes, 1997) onde aprofunda as análises realizadas no texto de 1993.

A francesa Viviane Forrester publicou o livro, O horror econômico  (São Paulo: UNESP, 1997) lançado no Brasil em junho de 1997. É um texto com uma visão nada otimista do presente e do futuro do mundo.  Obs.: A autora Susan George publicou um texto intitulado em espanhol “Informe Lugano”   (2001) e está relacionado ao tema, pois trata da exclusão, poluição e violência gerados pelo capitalismo atual. Susan George faz parte do grupo francês ATTACC que se preocupa em regulamentar globalmente leis que dificultem a lavagem de dinheiro, remessas de valores sem controle ou fiscalização e investimentos com recursos de origem desconhecida.

Ricardo Antunes, economista da UNICAMP, possui uma visão pessimista do presente, marcada por uma análise marxista da conjuntura. Seu livro Adeus ao trabalho?   (São Paulo: Cortez; Campinas: Unicamp, 1995) apóia as idéias de Kurz e critica a situação atual. Não aceita a idéia de “sociedades pós-industriais” e defende o paradigma marxista da importância do setor secundário. Consequentemente não pode compreender a importância do setor terciário da economia, pois, para ele, os serviços teriam um caráter improdutivo. É uma visão dogmática da realidade. Nelson Mello e Souza em seu livro Modernidade: desacertos de um consenso  (Campinas: Unicamp, 1994) partilha de postura semelhante: “O que começa a ganhar espaço na cultura da modernidade é outra ordem de serviços. Serviços ‘inúteis’ sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico, ligados principalmente ao lazer, ao cultivo da beleza física, aos imperativos da moda etc.”   (p. 75). Evidentemente o autor desconhece os números do lazer e do turismo internacionais e seu impacto nas economias dos países desenvolvidos. Esse tipo de preconceito é extremamente prejudicial à área de serviços de ponta como lazer, turismo , entretenimento etc.

Um texto que cobre a formação histórica do empresariado mundial é A internacional capitalista – estratégias e táticas do empresariado transnacional (1918-1986),   de René Dreifuss  (Rio de Janeiro: Espaço e tempo, 1987), serve como referência histórica, pois as mudanças da década de 1990 alteraram algumas conclusões e desdobramentos de questões inseridas na obra.

Um livro que tornou-se muito discutido após os atentados de 11 de setembro de 2001 é O choque de civilizações e a recomposição da ordem Mundial,   de Samuel P. Huntington (Rio de Janeiro: Objetiva, 1997). Assim como os problemas geopolíticos foram substituídos pelos geoeconômicos, após o final da Guerra Fria, surgem agora problemas geoculturais. A questão cultural na globalização já havia sido apontada, de forma superficial, por John Naisbitt em Paradoxo Global,   ao afirmar que à medida que a globalização econômica se processava, as culturas locais eram cada vez mais valorizadas regionalmente e por Paul Kennedy, em Ascensão e queda das grandes potências.   Samuel Huntington aprofunda as questões analisando os movimentos civilizatórios interdependentes especialmente do ocidente, do Islã e da Ásia e como se processarão suas relações futuras, tanto entre si como com outras civilizações do planeta. A nova ordem mundial passa pela reorganização cultural.

*** Uma publicação fundamental é A era da informação,   em 3 volumes (1. A sociedade em rede; 2. O poder da Identidade; e 3. Fim do Milênio), escrito por Manuel Castells (São Paulo: Paz e Terra,  1999). Há uma edição atualizada de 2004.

*** Outro texto fundamental é The age of access,   de Jeremy Rifkin, New york: Penguin Putnam, 2000. Publicado em português com o nome de “A era do acesso” pela Makron Books é importante para se entender a lógica do turismo e do entretenimento em uma sociedade preocupada com a experiência e o acesso à ela.

Ainda sobre as questões culturais e internacionais deve ser consultado o Informe mundial sobre la cultura – cultura, creatividad y mercados, publicado pela UNESCO (Paris, 1998) e El Atlas  de Le Monde Diplomatique (***), edição especial de março 2003, org. Gilbert Achcar, Jean Radvanyi, Philippe Rekacewicz, Alain Gresc e Dominique Vidal. Edição para o Cone Sul (Argentina). E-mail: secretaria@eldiplo.org  ou www.eldiplo.org

Obs.: Os textos marcados por (***) são muito importantes para pesquisa e consulta.

Para entender as mudanças no bloco soviético os textos básicos são:

ARBEX Jr., José. Revolução em 3 tempos: Rússia, Alemanha, China. São
   Paulo: Moderna, 1993.
OLIC, Nelson Bacic. A desintegração do leste: Iugoslávia, Europa Oriental.
   São Paulo: Moderna, 1993.
SCHNAIDERMAN, Boris – Os escombros e o mito. A cultura e o fim da União
    Soviética
. São Paulo: Brasiliense, 1997.
TRATENGBERG, Maurício- Reflexões sobre o socialismo  – São Paulo: Moderna,
     1986.

Um dos melhores texto sobre a situação atual da ex-União Soviética, atual Comunidade dos Estados Independentes, é o livro do brilhante jornalista polonês Ryszard Kapuscinski, Imperium  (São Paulo: Companhia das Letras, 1994). Ele cobriu várias revoluções e golpes de estado nos países sub-desenvolvidos e no mundo ex-socialista e possui uma sensibilidade excepcional para enxergar os meandros e nuances do poder. Escreveu também The emperor (New York: Vintage, 1989), sobre Hailé Selassie da Etiópia e Shah of Shahs (New York: Vintage, 1985), sobre o último Xá do Irã.

10.  O século 21

Sobre globalização há vários textos a favor ou contra. Sugestões:

FEATHERSTONE, Mike (org.) Global culture – nationalism, globalization
    an modemity
  – London: Sage, 1990.

IANNI, Octavio. Teorias da Globalização.   Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
     1996.

MARTIN, Hans-Peter e SCHUMANN, Harald. A armadilha da globalização.   São
     Paulo: Globo, 1997.

RAMONET, Ignácio. Geopolítica do caos.   Petrópolis RJ: Vozes, 1998.

Pensamiento crítico vs. Pensamiento único,   (em espanhol) publicado por Le Monde
Diplomatique (VEGAP, Madrid 2000).

STIGLITZ, Joseph E. A globalização e seus malefícios. São Paulo: Futura, 2002.

SOROS, George. Globalização.   Rio de Janeiro: Campus, 2003.

Sites sobre globalização e anti-globalização (a maioria em inglês):

www.globalisationguide.org – questões básicas sobre globalização
htto://globalize.kub.nl/ - questões sobre globalização
www.forumsocialmundial.org.br – Fórum Social Mundial, de Porto Alegre
www.broadleft.org  - partidos de esquerda no mundo)
www.weforum.org  - Fórum Econômico Mundial, em Davos
www.corporatewatch.org - monitoramento das grandes corporações
www.imf.org - Fundo monetário Internacional – FMI
www.worldbank.org  - Banco Mundial
www.wto.org – Organização Mundial do Comércio
www.oecd.org – Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica, reunião dos 30 países mais ricos do mundo
www.unctad.org – United Nations Conference on Trade and Development
www.eldiplo.org – Le Monde diplomatique – periódico francês crítico sobre a globalização

A editora Vozes possui a coleção Zero à Esquerda com vários títulos publicados sobre vários temas atuais, escritos por vários autores do Brasil e do exterior. É uma coleção atual com temas analisados sob a ótica da esquerda política.

A editora Conrad Livros publica a coleção Baderna sobre os situacionistas e anarquistas contemporâneos como os black blocks  e Reclaim the streets  (www.baderna.org) ou (www.conradeditora.com.br). É possível fazer download gratuito de alguns textos anarquistas através dos links no site.

Para consultar temas mais polêmicos sobre Brasil ou exterior a Editora SENAC São Paulo lançou séries como Ponto Futuro e Livre Pensar (www.sp.senac.br ou  eds@sp.senac.br).

Após os atentados de 11 de setembro de 2002 saíram vários livros sobre terrorismo e os Estados Unidos:

BERGEN, Peter L. Guerra Santa S.A. - La red terrorista de Osama Bin Laden.
Barcelona: Grijalbo, 2001.

CHOMSKI, Noam. 11 de setembro,   com as costumeiras considerações amargas e
parciais do autor sobre os EUA.

HOFFMAN, Bruce. A mano armada – história del terrorismo.   Madrid: Espasa, 1999.

MELO NETO, Francisco Paulo de. Marketing do terror.   São Paulo: Contexto, 2002.

TALBOTT, Strobe e CHANDA, Nayan (org.) A era do terror – o mundo depois de 11
de setembro.
  Rio de Janeiro: Campus, 2002.

TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. América e outras viagens.   Campinas: Papirus, 2002.

PANOSSO NETTO, Alexandre e TRIGO, Luiz G. G. Reflexões sobre um novo turismo.  
São Paulo: Aleph, 2003.

Para entender o pensamento científico um dos melhores livros é SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos demônios.   São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Arthur Clarke afirmou que esse livro deveria ser obrigatório em todos os cursos de graduação ou pós-graduação para estimular o pensamento científico e a criticidade. Concordo com ele.

Um destaque na categoria romance é “Plataforma” , de Michel Houelebeq (São Paulo: Record, 2002).  O autor é francês e já publicou “Ampliação do campo de batalha”   e “Partículas elementares”. “Plataforma”   é um texto polêmico passado na França e na Tailândia (como o romance “A Praia”   de Alex Garland que se passa na Tailândia) e trata da vida em solidão, do turismo sexual e de como o vazio existencial assola as vidas das pessoas. Imperdível.

Sobre a discussão posterior à pós-modernidade há “Os tempos hipermodernos” , de Gilles Lipovestsky (São Paulo: Barcarolla, 2004).

Após as duas guerras dos Estados Unidos contra países islâmicos (Afeganistão em 2001/2002 e Iraque em 2003/2006), a série de atentados terroristas islâmicos em vários países e a atual crise no Líbano (julho 2006) é preciso acompanhar a rearticulação da política internacional. Os EUA saem dessas guerras como potência militar hegemônica. Para ler mais sobre a imagem dos Estados Unidos no mundo ver “América e outras viagens”, de Luiz Gonzaga Godoi Trigo (Campinas: Papirus, 2002).

Obs. Os textos publicados antes de 2002 estão defasados em relação à atualidade dos acontecimentos mais recentes que influenciam o mundo, mas são importantes para se conhecer a dinâmica dos processos históricos e conceituais que formam as atuais estruturas globais. Os textos mais antigos precisam ser lidos com a consciência do contexto histórico no qual foram escritos.

Duas publicações são fundamentais para se compreender a dinâmica do mundo atual:

El Atlas de Le Monde diplomatique – março de 2003
El Atlas  de Le Monde diplomatique II – 2006
www.eldiplo.org
Ambos podem ser encontrados em espanhol.


Luiz Gonzaga Godoi Trigo: perfil, clique aqui.
Maristela Gonçalves Sousa Machado é Doutora em Literatura pela UFRS e professora da Universidade Federal de Pelotas (RS)

 


 
 

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