Página Principal | Pesquise | Fórum | Chat | Aniversariantes | Cadastre-se | Confirmação de Cadastro
Login :  Senha :  
 EXPEDIENTE
 Quem somos
 PROCURE MATÉRIA
 Por autor
 Por data
 Por assunto
 CANAIS
 Biblioteca
 BrasilZÃO
 Código IATA
 Cursos de graduação  e pós reconhecidos
 Cursos livres
 Entidades de Turismo
 EturZinho
 Eventos
 Fala Secretário!
 Humor
 Links recomendados
 Listas de discussão
 Órgãos de Turismo
 Rodarabaiana
 Serviços
 Tudo do Etur
 
 
  Artigos
 
PUBLIQUE SEU ARTIGO
Publique seu artigo
  
ÍNDICE DOS ARTIGOS
Índice dos artigos
  

A Valorização – Preservação e Conservação dos Bens Culturais

O tombamento apenas não resolve o problema, ele indica que o bem fica sujeito à preservação, contudo, não significa que o mesmo será mantido ao processo de conservação. Ou seja, manutenção preventiva e permanente. Este é um dos acontecimentos ocasionados pela falta de monitoramento destes processos por parte do poder público em geral e da sociedade. Juiz de Fora não foge a regra. Apesar do empenho dos órgãos competentes, é ainda insuficiente o quadro pessoal qualificado para atender e acompanhar estes bens tombados, além de não dispor de um maior número de profissionais de áreas interdisciplinares que, estejam habilitados e registrados para avaliar e analisar com maiores critérios científicos, toda e qualquer intervenção humana e ambiental.



Atribuir valor a um bem cultural é reconhecer o seu significado, construído pelo senso comum de qualquer sociedade, organizado por elementos relevantes ao contexto histórico de qualquer época. A importância da preservação e da conservação faz-se necessária, a fim de manter dentro das possibilidades, a  integridade e a autenticidade do bem cultural no decorrer do fator  tempo. O bem não pode ser visto de forma isolada, e sim no conjunto da trama histórica em que foi construído. Portanto, vale considerar o entorno do espaço que ocupa da localidade a que se destina, no sentido de compreender modos de vida, formas de produção, tecnologias aplicadas, comportamentos coletivos - o saber e o saber fazer. São relações estabelecidas no meio social, entendendo que o patrimônio cultural conforme PESTANA (2005) se reporta como a base e sustentação de qualquer sociedade.

A localidade escolhida, a cidade de Juiz de Fora, compreende um patrimônio cultural de considerável admiração pela sua diversidade no aspecto arquitetônico, evidenciando diversos períodos e estilos de vida desta sociedade. Haja vista, a existência de acervos relacionados a outros bens, como bens móveis advindos da produção artística, literária, e de outros bens - os imateriais. É nesta relação estabelecida entre a sociedade e o seu patrimônio cultural que permeiam todas as esferas da vida social de Juiz de Fora, em que nutre do seu passado, vive o seu presente e vislumbra o seu futuro no fortalecimento da sua identidade cultural.
 
A valorização do patrimônio cultural, ainda não corresponde a real necessidade e prioridade que deve ser tratada. Inicialmente conceituar a preservação é referir como um processo de resguardo da identidade cultural, em que a localidade referida, encontre a sua  independência, compreendendo a sua história, o seu modo de viver e de fazer as coisas, além de incentivar a produção cultural.

A Legislação que trata do Decreto Lei, n. 25 de 30 de novembro de 1937, sobre Tombamento de Bens Culturais, Juiz de Fora é uma das cidades expoentes em termos quantitativos, comparando a sua territorialidade e de bens existentes, com os demais municípios do Estado de Minas Gerais. Atualmente conforme registros da FUNALFA (2006) são cento e cinqüenta e oito (158) bens imóveis e móveis tombados e dois (2) bens imateriais –  a saber, a banda Daki local e som do sirene na Galeria Pio X herdado pela extinta  fábrica têxtil no centro da cidade. 

O tombamento apenas não resolve o problema, ele indica que o bem fica sujeito à preservação, contudo, não significa que o mesmo será mantido ao processo de conservação. Ou seja, manutenção preventiva e permanente. Este é um dos acontecimentos ocasionados pela falta de monitoramento destes processos por parte do poder público em geral e da sociedade. Juiz de Fora não foge a regra. Apesar do empenho dos órgãos competentes, é ainda insuficiente o quadro pessoal qualificado para atender e acompanhar estes bens tombados, além de não dispor de um maior número de profissionais de áreas interdisciplinares que, estejam habilitados e registrados para avaliar e analisar com maiores critérios científicos, toda e qualquer intervenção humana e ambiental.

Um outro indicador é ainda possibilitar, a participação da sociedade com maior efetividade no processo do reconhecimento e valor do bem cultural. Entende-se que a sociedade Juiz Forana dispõe de considerável consciência quanto a este aspecto. Em especial, as classes voltadas para o processo educacional, ou seja, preocupadas com a preservação de um modo geral. Para tanto, identifica-se a necessidade de um trabalho voltado para a Educação Patrimonial, vista como base sustentável de todo o processo da preservação e da conservação.

“Pode se dizer que o legado cultural mantém a continuidade cultural, sendo um nexo dos povos com o passado, e essa contigüidade com o passado dão certezas, permitindo se traçar uma linha na qual nosso presente se encaixe, possibilitando-nos a compreensão de onde viemos, quem somos, ou seja, tenhamos uma identidade”. (BARRETO, 2001)Algumas iniciativas têm sido adotadas a nível municipal, O Departamento do Patrimônio Cultural do município, elaborou um projeto que tem por objetivo, criar uma rede de Instituições Culturais e Museus da Cidade, com fins de se trabalhar com a educação patrimonial nas escolas da rede pública.  O objetivo maior é iniciar a educação patrimonial com crianças e o público jovem. O projeto chama-se “Semana da Cultura” através de um circuito elaborado com visitas técnicas e aulas expositivas. O intuito é de manter este projeto para dar  acessibilidade ao conhecimento do seu patrimônio cultural.

Acredita ser grande abertura para a democratização do conhecimento na preservação e conservação dos bens culturais. Contudo, torna-se ainda de fundamental importância, inserir o papel econômico e social com maior avaliação quanto a adotar uma política própria a nível municipal, com fins de integrar a preservação aos programas governamentais e de planejamento geral do município. Neste aspecto, ainda tem muito a se concretizar.

Outro ponto questionável, é a escassez de maiores estudos e pesquisas das Instituições, como as Universidades que podem contribuir em parceria com o poder público, aperfeiçoar os métodos na área da preservação, bem como, qualificar os profissionais de áreas específicas, com o intuito de evitar intervenções desastrosas que comprometam danos irreparáveis ao Patrimônio Cultural. Percebe-se visualmente, com sensibilidade e sem necessário conhecimento na área da conservação, algumas intervenções que ocorreram e que ainda ocorrem ao bem cultural local.

Em Juiz de Fora pode se exemplificar a intervenção ocorrida no Cine Theatro Central construído em 1929, obra do arquiteto Rafael Arcuri, que apesar de ter sido tombado a nível nacional em 1995, e ter passado por um processo inicial de intervenção no mesmo período, alguns aspectos podem ser questionados com relação ao resultado da obra concluída.  Entre eles, o mais evidente, é a questão da dinâmica decorativa quanto a recuperação da pintura original das paredes internas do referido teatro. O procedimento metodológico utilizado na intervenção pictórica, verificada in loco, foge sensivelmente dos critérios estabelecidos pelo restauro científico (CESARE BRANDI, 2004), o que compromete autenticidade do período em que o bem cultural foi construído.

A pintura que revestia as paredes anteriormente foi substituída por uma pintura aplicada através de stencil, tendo cores e elementos decorativos possivelmente alterados do original, o que mascara a integridade da obra em seu conjunto. Entre outras observações, chama-se ainda a atenção para a pintura externa e complementos utilitários que se integram no recinto do imóvel. 
                                                
O mesmo procedimento aparece na restauração do Museu Crédito Real, verificando as mesmas questões já levantadas. Isso significa dizer que é necessário adotar medidas jurídicas, técnicas e financeiras que sejam adequadas para a proteção, preservação e valorização do patrimônio cultural. Outros exemplos de intervenções realizadas em juiz de Fora, valem destacar - A pintura interior da Capela da Academia do Comércio; Capela da Santa Casa da Misericórdia; o Painel de Portinari na entrada da cidade, destacando-se como a intervenção mais próxima aos princípios que norteiam o restauro científico, faz jus à decoração da parede – detalhe: faixa decorativa da sala do primeiro pavimento da Prefeitura do Parque Halfeld.

Todo processo de intervenção é importante o trabalho com caráter científico e entender que o patrimônio cultural para ser preservado, conservado e valorizado é preciso ver o sentido de unidade, do todo, o conjunto de relações existentes na sua representatividade espacial, avaliando o seu conteúdo histórico. O trabalho realizado pela Prefeitura e a OCIP  PERMEAR na cidade, têm dado grande contribuição a este processo relacionado a valorização do bem cultural, utilizando a divulgação deste patrimônio, dando oportunidade de maior viabilidade para a inclusão social. O trabalho é árduo e muito se tem a fazer. Mas afinal, o que é patrimônio cultural senão a arte de saber fazer?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARRETO, Margarita. Turismo e legado cultural: as possibilidades do planejamento. Campinas, SP: Papirus, 2000.
CÉSARE BRANDI. Teoria da Restauração. Cotia/São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.
FUNALFA. Livro dos Tombamentos. Departamento de Patrimônio Cultural/DIPAC , 2006.
PESTANA, Til. Valorização do Patrimônio Cultural – desafio contemporâneo. Texto em primeira versão (mimeo). Juiz de Fora: Curso de extensão em Patrimônio Cultural Instituto Metodista Granbery, 2005.


Adriana Barreto Lima  é professora do Colégio Técnico Universitário - CTU/ Universidade Federal de Juiz de Fora, vice-coordenadora do Curso Técnico Turismo e consultora na área de gestão empresarial, turismo, patrimônio cultural e ambiental. Economista pela UFS/ Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente/UFS


 
 

Comente esse conteúdo com os outros visitantes Turismo, Cultura e Lazer - ETUR



 
 

Pedimos que após a leitura você nos dê sua opinião sobre esse conteúdo.

Bom
Bom
Regular
Regular
Ruim
Ruim


 
 
Veja mais Artigos:

 .Turismo e Geoeducação: Um começo de conversa
 .Turismo e o Mito da Sustentabilidade - O Eterno Retorno ao Mito do Desenvolvimento.
 Política Pública e Atividade Turística como Estratégia de Gestão do Território: uma contribuição a partir do Desenvolvimento Sócio-espacial
 Pane aérea revela que Lula está errado quando fala sobre o Brasil estar preparado para crescer
 Um personagem chamado Brasil
 
 
156 Usuários On-Line 
Novos Associados
Sejam bem-vindos
Kleybe (AM), Luiz (SP), Luisa (Portugal), Clotilde (PB), Manoela (RS), Doraneide (PI)
Gestão 2014 - Ministro de Estado do Turismo Pedro Novais Lima - Embratur: Mário Augusto Lopes Moysés
© 1996-2014 e.Mix Informática e Serviços Ltda.