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A gestão do turismo para o desenvolvimento local

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La gestión del turismo para el desarrollo local
Resumo: Administrar o turismo como atividade econômica forte, geradora de benefícios, buscando fazer com que ela realmente atenda as necessidades dos turistas e, principalmente da comunidade envolvida, não é tarefa fácil, pois esta atividade é repleta de singularidades.
Dentro desta perspectiva o Desenvolvimento Local traz uma nova visão de gestão, na qual a comunidade assume papel principal no processo.

Palavras-chave:
Turismo; Desenvolvimento Local; Gestão Local do Turismo.

Abstract: Managing tourism as economic activity and strong generator of benefits, searching to make as it really attends the needs of tourist and, mainly of the involved community, it is not an easy task, because this activity is full of singularities.
In this perspective, Local Development brings a new view of administration, where the community assumes the main role in the process. Key-words:Tourism, Local Development, Local Administration of Tourism.
1. Introdução

Falar de turismo no Brasil parece ser tarefa fácil, devido ao grande potencial que o país contempla. Entretanto, ao analisarmos o turismo como um fenômeno sócio-cultural, econômico, ambiental e científico, deparamo-nos com uma atividade complexa, que não depende somente de belos lugares, mais sim de profissionalismo, estudos e pesquisas.

O objetivo deste artigo é tentar discutir de que(ais) maneira(s), sob a ótica do Desenvolvimento Local, os gestores locais devem administrar a atividade turística, conjuntamente às demais fontes econômicas, visando o enfrentamento dos problemas sociais e econômicos da localidade. Para isso foi utilizada a pesquisa bibliográfica.
 
Assim sendo, faz-se necessário analisar alguns conceitos de turismo, traçando um panorama atual da repercussão desta atividade na econômica nos locais onde ele se desenvolve. A partir daí, é necessário uma reflexão sobre Desenvolvimento Local, para que se possa analisar a gestão da atividade turística dentro desta nova perspectiva.

2. Turismo: conceitos e estatísticas


O conceito de turismo, atualmente adotado pela Organização Mundial do Turismo – OMT – é o desenvolvido por Oscar de La Torre (1992) :
O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem de seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.
De La Torre evidenciou a importância sócio-cultural e econômica da atividade turística, comprovando que esta, se bem desenvolvida, é capaz de gerar benefícios para todos os envolvidos, ou seja, podendo ser uma das ferramentas para o desenvolvimento de localidades com potencial para tal. Caio Luiz de Carvalho , no ano de 2001, então presidente do EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo), afirmou que o turismo é uma das principais atividades econômicas e sociais capaz de gerar emprego e renda, entretanto, para que esta possibilidade concretize-se, faz-se necessário um planejamento racional e tecnicamente elaborado, ou seja, existe a necessidade de se ordenar o desenvolvimento da atividade, através da elaboração de um plano de desenvolvimento turístico, que é fruto de um planejamento e que servirá, além é claro da função de captação de investimentos e financiamentos, para gestão do turismo na localidade, onde as tomadas de decisões deverão levar em conta aquilo que está contido em suas diretrizes.
 
O fascínio que o turismo vem despertando na atualidade, principalmente nos empreendedores, ocorre devido às estatísticas da atividade que impressionam bastante. Em 1995, chegaram ao país 1,9 milhão de turistas e em 2001, esse número aumentou para 5,38 milhões, com estimativa de crescimento, pelo surgimento de novos empreendimentos de lazer, entretenimento e hospedagem, como mostra o estudo feito pela Fipe/USP – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e Universidade de São Paulo (HOLLANDA, 2002:12).
 
Com esse crescimento, surge também um grande número de empreendimentos que são instalados nas cidades ou em localidades que têm algum potencial turístico e que recebem turistas. Dessa maneira, aumenta a necessidade de estudos e pesquisas, objetivando orientar esse crescimento e ordenar as ações do homem no que diz respeito às instalações e facilidades necessárias para que o turismo aconteça de maneira sustentável, ao meio ambiente, à cultura e à comunidade-localidade, causando o mínimo de impactos negativos e gerando benefícios (RUSCHMANN, 1997).
 
No Brasil, varias regiões e municípios têm a atividade turística inserida em seu conjunto macroeconômico, incrementando seu orçamento mensal e traduzindo-se, principalmente, em melhoria na qualidade de vida da comunidade e em conforto para os visitantes, através da geração de empregos, renda, capitalização de divisas, melhoria das instalações e infra-estruturas, como a urbana, a de acesso, a de recreação, a de entretenimento e lazer.

Segundo a OMT, existe uma prospecção para que, em 2020, o número de viajantes chegue a 1,6 bilhão no mundo todo, beneficiando todos os segmentos do turismo, destacando-se o turismo de negócios, o de aventura e o de incentivo, esse último provém da premiação com viagens, de funcionários das empresas, devido aos bons serviços prestados ou por ter alcançado metas.

Fazendo uma reflexão, de que, como já escrito anteriormente, o turismo impacta, de forma direta ou indireta, cerca de 53 itens da economia de uma localidade e havendo um gasto médio diário por turista de cerca de US$ 77,09 (setenta e sete dólares e nove centavos), aproximadamente, R$ 270 (duzentos e setenta reais), esse dinheiro irá entrar no mercado local causando um efeito multiplicador, ou seja, uma sucessão de despesas que tem origem no gasto do turista e que beneficia os setores ligados ao turismo, repercutindo, finalmente, no Produto Interno Bruto – PIB – local (BARRETTO, 1995: 74).
 
Com o efeito multiplicador o dinheiro do turista irá incrementar o orçamento local, proporcionará maior giro de capital e traduzir-se-á em benefícios para a comunidade, desde que se tenha uma visão responsável do turismo, aonde a comunidade local não seja semente espectadora do processo de mudança, mas sim agente deste, como propõe o Desenvolvimento Local, uma nova proposta de mudança que surgiu na Europa, chegando ao Brasil nos anos 80, aproximadamente, e hoje contando com curso de pós-graduação acerca da temática.

3. Desenvolvimento Local: conceitos e peculiaridades


Com intuito de conhecer melhor o que é Desenvolvimento Local em sua essência, partir-se-á analisando algumas obras que tratam de forma direta ou indireta do tema. Ávila et alii (2001:19), em seu aporte, começa buscando entender o significado de desenvolvimento, ao reportar-se ao “Novo dicionário Aurélio”, que demonstra seu significado da seguinte forma:

“1. Ato ou efeito de desenvolver (-se) (...).

2. Adiantamento, crescimento, aumento, progresso.

3. Estágio econômico, social e político de uma comunidade, caracterizando por altos índices de rendimento dos fatores de produção, i. e , os recursos naturais, o capital e o trabalho”. O que seria então o ato ou efeito de desenvolver ou desenvolver-se?
 
No primeiro sentido, o ato ou efeito de desenvolver, dá margem a várias interpretações, como aquilo que Ávila (2000:69), chamou de “desenvolvimento no local”, aquele em que a localidade é somente a sede do desenvolvimento, sem haver um comprometimento com a comunidade, com sua cultura e identidade, ou, às vezes até buscando sua participação, limitando o desenvolvimento ao mero “fazer para acontecer”, sem uma preocupação com sua sustentação.

Sendo assim, pode-se perceber algumas iniciativa desenvolvimentistas, a primeira delas foi Plano Marshall (1945), que visou desenvolver e reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial, impondo uma condição paternalista e assistencialista nas ações empreendidas. De acordo com Martins (2002:52):
O termo desenvolvimento tem sido associado à noção de progresso material e de modernização tecnológica.
Sua promoção, mediante o desrespeito e a desconsideração das diferenças culturais, da existência de outros valores e concepções, já teria funcionado como “Cavalo de Tróia”, que, vestido da sedução do progresso, teria carregado em seu interior o domínio e a imposição culturais que desequilibram e abalam as sociedades.
Outra interpretação é o desenvolvimento para o local, onde “os agentes externos são os promotores do desenvolvimento e a comunidade apenas se envolve participando” (ÁVILA et alii 2001:73), num sentido de participação generalizada, ‘palpiteira’, consultada, fruto também da modernização da metodologia note americana de 1945 , na qual se percebeu a necessidade de incluir a comunidade no contexto do desenvolvimento, porém a base ideológica do programa ainda provinha das primeiras iniciativas, caracterizadas por ações de cima para baixo e, mais uma vez amarrando os países com a fonte promotora dos benefícios, como é o caso do Brasil, com uma dívida externa enorme e sem condições de pagá-la.

Analisando agora o desenvolvimento como ato ou efeito de desenvolver-se, passamos a ter condições de investigar o tipo de desenvolvimento, no caso o local, que se tratará nesta pesquisa, conceituado por Ávila et alii (2001:69), como sendo:
O núcleo conceitual do desenvolvimento local consiste no efetivo desabrochamento – a partir do rompimento de amarras que prendam as pessoas em seus status quo de vida – das capacidades, competências e habilidades de uma ‘comunidade definida’ (portanto com interesses comuns e situada em
(...)
espaço territorialmente delimitado, com identidade social e histórica), no sentido de ela mesma - mediante ativa colaboração de agentes externos e internos – incrementar a cultura da solidariedade em seu meio e tornar paulatinamente apta a agenciar (discernindo e assumindo dentre rumos alternativos de reorientação do seu presente e de sua evolução para o futuro aqueles que se lhe apresentem mais consentâneos) e gerenciar (diagnosticar, tomar decisões, agir, avaliar, controlar, etc.) o aproveitamento dos potenciais próprios – ou cabedais de potencialidades peculiares à localidade – assim como a ‘metabolização’ comunitária de insumos e investimentos públicos e privados externos, visando à processual busca de soluções para os problemas, necessidades e aspirações, de toda ordem e natureza, que mais direta e cotidianamente lhe dizem respeito.
O núcleo conceitual sobre desenvolvimento local, acima descrito, detalha, de forma consistente, a verdadeira face do desenvolvimento local, ou busca, dar uma contribuição positiva e competente à criação de um conceito para esse assunto novo, que se encontra em fase de descobertas. O processo endógeno, sugerido pelo autor, denota a realidade do desenvolvimento local, um processo que parte da iniciativa local, dinamizando e solidarizando a comunidade na busca de um novo estado futuro que, como diz o autor, "desabrochará" das potencialidades locais, rompendo com a antiga mentalidade de que o progresso só acontece por iniciativas e modelos exógenos, como salienta Verhelst (1992:133), “o termo progresso, com o correr do tempo, é cada vez mais ambíguo (...).

Se pensarmos no tipo progresso vinculado pelo capitalismo e pelas agências de cooperação de inspiração neodireitistas, percebemos que estas agências por vezes cederam cegamente ao mito do progresso”. Para essa nova concepção de desenvolvimento, implica a quebra de um paradigma que se formou através dos tempos vindo da ideologia capitalista, de concepção “mecanicista-fragmentária”, para um outro de concepção “holística-integrada” (CAPRA apud MARTINS, 2002:57).
 
Dessa forma, o conceito de um novo modelo de desenvolvimento deve ter intrínseco em sua essência a base de integração e de sustentação, e também outros conceitos devem ser associados como o da participação, da solidariedade comunitária, do próprio local como espaço físico (território) e de territorialidade, ou seja, o sentimento de pertença ao local.

Desta maneira, poder-se-á entender mais profundamente as peculiaridades do desenvolvimento local. O que se entende por participação? Como deve ser a participação para almejar o desenvolvimento local? Essas são algumas indagações as quais a presente pesquisa tentará buscar respostas, porém, sabendo da dificuldade de se medir participação, pois ela independe da presença física.

Ela é subjetivada na medida em que o simples participar não mostra o grau de envolvimento, ou como sugere Martins (2002:52), “(des) envolvimento”, da comunidade-localidade com a(s) causa(s). De acordo com Martins (2002:53):
A participação não pode ser vista como mero requisito metodológico na estratégia de sensibilização ou conscientização popular.
Ela é muito mais do que um atributo do diagnóstico ou um recurso da ação planejadora (...) o esvaziamento de uma reunião pode não expressar desinteresse, mas ser um indicativo importante de que o seu conteúdo não foi perfeitamente entendido ou aceito.
Neste sentido, participativo não é o processo em que apenas se assegura a oportunidade da participação, mas aquele que a promove em todos os sentidos, porque nela deposita sua própria condição de vitalidade.
Isto significa acreditar muito mais nas pessoas do que estamos acostumados, possibilitando e condicionando sua participação qualitativa e não apenas quantitativa.
Neste contexto, percebe-se a importância da comunidade no desenvolvimento local e, como aporta Martins (2002:52), “o verdadeiro diferencial do desenvolvimento local não se encontra em seus objetivos (bem-estar, qualidade de vida, endogenia, sinergias, etc), mas na postura que atribui e assegura à comunidade o papel de agente e não apenas beneficiária do desenvolvimento”.

Isso denota como será difícil o caminho para esse estágio, já que se vive um mundo centrado em idéias capitalistas, selvagens, de competição pelo material, e chega um momento em que tudo isso precisa ser rompido, desapegado, num contexto social-comunitário no qual o cidadão escolhe seu destino, e que, deve procurar, em seu interior, as armas para lutar de forma participativa, conjunta e solidária contra aquilo que o incomoda, valorizando a si próprio e seu território. Uma das bases para o fortalecimento do ser humano na busca da felicidade e da harmonia, neste sentido como resultado de um processo de desenvolvimento, é a solidariedade comunitária para o desenvolvimento.

Reportando-se ao conceito de desenvolvimento local, pode-se entender com mais clareza o sentido de solidariedade neste processo e ver que ela não é apenas a cultura da ajuda aos necessitados, mais sim, a ação conjunta no combate aos problemas que causam o mal-estar. Seria a ajuda, a união e a participação de todos em um território, contando também com a colaboração de agentes exógenos, para passar de um estado ruim para outro melhor, pois, segundo Verhelst (1992:133) “devem acrescentar-se novas formas de solidariedade que completarão, reforçarão, corrigirão, ou até substituirão aquelas ações de solidariedade e de parceira que estão sendo levadas a termo”.

Qual a importância do território e da territorialidade para o desenvolvimento local? Antes de tudo, precisa-se definir território e territorialidade. Entende-se território como sendo um espaço, um local no planeta onde algum ou alguma comunidade tomou posse e ali desenvolvem suas relações culturais, sociais, comunitárias, econômicas e ambientais. A territorialidade seria o sentimento de posse dessa comunidade pelo local.

Novamente se reportando ao conceito de desenvolvimento local, vê-se o território como a base do desenvolvimento e a comunidade, através das características intelectuais, culturais, ambientais e de trabalho que lhe são peculiares, será o agente e o beneficiário do desenvolvimento, como salienta Martins (2002:52-54):
O verdadeiro diferencial do desenvolvimento local não se encontra em seus objetivos (bem-estar, qualidade de vida, endogenia, sinergias, etc), mas na postura que atribui e assegura à comunidade o papel de agente e não apenas beneficiária do desenvolvimento
(...).
Implícita no conceito de desenvolvimento local está obviamente uma questão de escala territorial. Quando se fala de “local”, está-se referindo à escala das inter-relações pessoais da vida cotidiana, que sobre uma base territorial constroem sua identidade.
Nesse sentido, a territorialidade é importante arma para alcançar os objetivos do desenvolvimento local. Acreditar em seu território, conhecer suas potencialidades, sentimento de pertença a um espaço-território, são fontes de motivação da população, como se pode notar no programa de televisão Globo Repórter, posto no ar em 2000, pela Rede Globo de Televisão, um especial sobre o Afeganistão, onde um menino de aproximadamente doze anos de idade, recebeu a repórter brasileira dizendo: “este é o ‘meu’ país, o Afeganistão”, sem se preocupar com os problemas existentes na época em seu país.
 
Isto caracteriza, ao mesmo tempo, um sentimento de pertença e uma territorialidade. Deve-se lembrar também dos dinamismos existentes nos território e entre os territórios, pois eles facilitam o desenvolvimento e a sinergia, ou seja, a troca de energia entre as localidades, dando maior opção de enfrentamento dos problemas e agruras sociais existentes, como salienta Ul Haq (1978:34), “em primeiro lugar o desenvolvimento deve ser encardo como um combate seletivo às piores formas de pobreza”.
 
4. A Gestão do Turismo para o Desenvolvimento Local

Crê-se que agora se pode tentar analisar de que(ais) maneira(s), sob a ótica do Desenvolvimento Local, os gestores locais devem administrar a atividade turística, conjuntamente às demais fontes econômicas, visando o enfrentamento dos problemas sociais e econômicos da localidade. Administrar uma atividade econômica de modo que ela gere benefícios para a comunidade envolvida não é simples e torna-se um pouco mais complexa no caso da atividade turística, devido às peculiaridades do produto turístico.

As características principais deste produto e que o diferencia dos demais produtos encontrados no mercado são a intangibilidade, a não possibilidade de estocagem e conseqüentemente a não possibilidade de troca. Essas peculiaridades tornam a atividade turística complexa, em especial no que diz respeito a sua gestão.

Os gestores do turismo muitas vezes, movidos até mesmo pelo fascínio pelos números da atividade, tratam o turismo como a “salvação da lavoura”, o remédio para todos os problemas sociais e econômicos, pois como já dito, gera emprego e renda. O que os gestores desconhecem, e hoje analisando o turismo sob a ótica do Desenvolvimento Local, é que tipo de turismo deve ser desenvolvido para que este proporcione desenvolvimento no sentido puro da palavra e como esta atividade deve ser gerida, de forma integrada ao conjunto macroeconômico, para que ela seja uma forte ferramenta para o desenvolvimento.

Estas e outras inúmeras questões povoam as mentes de gestores e especialistas da área que tentam fazer do turismo uma atividade realmente sustentável, promovendo o uso racional dos recursos e gerando benefícios eqüitativos a todos da comunidade-localidade. Quando Caio Luiz de Carvalho afirma que no planejamento pode estar a chave do sucesso da atividade, ele pode estar coberto de razão, pois esta situação é inerente para o desenvolvimento do turismo, porém o problema pode estar em como se realizar este planejamento.

Crê-se que respondendo esta questão, pode-se obter-se a resposta para as outras duas acima propostas. Um planejamento turístico no qual a comunidade deixa de ser a parte consultada pelos técnicos e passa a ser o agente de seu próprio planejamento, ou seja, esta descobrindo suas potencialidades e colocando-as a favor de seu próprio destino. Ao invés de consultada pelos técnicos, a comunidade local passa a ser quem consulta os técnicos e dá o direcionamento de sua mudança é o que sugere o Desenvolvimento Local.

O desenvolvimento deve partir de dentro para fora, todavia é claro que deve existir a participação e o trabalho do agente externo, ou técnicos que mostrarão os cominhos certos dentro daquilo que eles conhecem, porém a comunidade deve, como mostra o conceito de Desenvolvimento Local, anteriormente discutido, romper as amarras que as prendem a seu status quo de vida e através do afloramento de suas capacidades, competências e habilidades, para que ela mesma possa agenciar e gerenciar seu próprio desenvolvimento, sabendo discernir o que lhes servem ou não desta contribuição externa.

O modelo de planejamento atualmente trabalhado não dá margens para que esta realidade seja trabalhada, pois ainda se encontra dentro de uma visão mecanicista, no qual através de uma ou mais “receitas de bolo”, que são adequadas às realidades encontradas nas localidades, são o segredo de um bom planejamento.
 
Desta maneira, devemos mudar também a concepção de planejamento turístico, procurando não um método ou modelo, mas sim uma forma de fazer com que as teorias, práticas e técnicas necessárias para a realização de um bom planejamento sejam incorporadas pela comunidade. É mais do que ensinar a pescar é muitas vezes pegar a pessoa pelo braço e levá-la à beira do rio, mostrar-lhe as técnicas de pescaria e, ao mesmo tempo, deixar que esta perceba em si as potencialidades para ser um bom pescador e as maneiras para que essas potencialidades se tornem ato.

5. Considerações finais


Sobre a gestão do turismo para o Desenvolvimento Local, não é intenção deste artigo fornecer receitas mágicas para gestores desta atividade, mais sim mostrar que a capacidade de administrar o turismo, maximizando benefícios e minimizando impactos negativos, para que ele, conjuntamente às demais atividades econômicas, atuem de forma sistêmica na promoção do ser humano e no desenvolvimento endógeno.

É preciso evidenciar que o turismo sozinho nunca levará lugar algum ao desenvolvimento, devido ao fato de ser uma atividade sazonal, de alta e baixa temporada. Daí a necessidade do turismo ser membro de um conjunto macroeconômico forte, capaz de gerar emprego, renda, educação, ou seja, que garanta aos indivíduos seus direitos humanos.

Administrar uma localidade onde o turismo aparece como fonte econômica é estar inserido no mundo globalizado no qual o administrador deve ter consciência de sua responsabilidade, tanto com sua comunidade quanto com os turistas, primar pela qualidade da experiência a ser proporcionada, tomar decisões embasadas em um trabalho de planejamento consistente e finamente, administrar a atividade turística é estar preparado para ter como parceira, cooperadora, auditora e companheira de gestão, a comunidade.
 
Notas:
Apud IGNARRA, Luiz R. Fundamentos do turismo. São Paulo, SP: Pioneira, 1999 p. 24. Abertura do Manual de Municipalização do Turismo, desenvolvido pelo EMBRATUR, PNMT (Programa Nacional de Municipalização do Turismo e OMT. 2. ed. 2001. Dado apresentado na Revista do Agente de Formação Profissional – Diga lá. SENAC, ano 7, n. 27, setembro de 2002. Em 1965 se unem a Assistência Técnica das Nações Unidas e o Fundo Especial das Nações Unidas e formam o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que vem prestando assistência aos países subdesenvolvidos até os dias atuais.

Referências bibliográficas


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BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas, Sp: Papirus, 1995.

HOLLANDA, Janir. Boas novas para o mercado doméstico de turismo. Revista do Agente de Formação Profissional – diga lá. SENAC, ano 07, n. 27, jun/set, 2002.

IGNARRA, Luiz R. Fundamentos do turismo. São Paulo, SP: Pioneira, 1999. EMBRATUR. Manual de municipalização do turismo. 2. ed. Brasília, DF, 2001.

MARTINS, Sérgio Ricardo O. Desenvolvimento local: questões conceituais e metodológicas. Interações. Campo Grande, v.3, n.5, p.51-58, setembro de 2002.

RUSCHMANN, Doris van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997. UL HAQ, Mahbub. A cortina da pobreza: opção para o terceiro mundo. São Paulo, SP: Editora Nacional, 1978.

VERHELST, Thierry G. O direito à diferença: sul-note – identidades culturais e desenvolvimento. Rio de Janeiro, RJ: Vozes, 1992.

Bibliografia complementar


ANDRADE, José V. Gestão em lazer e turismo. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2001.

BARRETTO, Margarita. Planejamento e organização em turismo. 6. ed. Campinas, SP: Papirus, 1991. BEHER, Miguel Fernando von. Serra da Bodoquena: história, cultura, natureza. Lio. – Campo Grande, MS: Free, 2001.

DENCKER, Ada de F. M. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. São Paulo: Futura, 1998.

LINDBERG, Kreg; HAWKINS, Donald E. Ecoturismo: uma guia para planejamento e gestão. 2. ed. São Paulo, SP: Editora SENAC São Paulo, 1999.

LUNA, Sergio Vasconcelos de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC, 2000.

MOLINA, Sérgio E. Turismo y ecologia. 6. ed. México: Trilhas, 1998.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO (OMT). Lo que todo gestor turístico debe saber. Madrid (Espanha): OMT, 1995.

RUDIO, Franz V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis: Vozes, 1986.

RUSCHMANN, Doris van de Meene. Turismo no Brasil: análise e tendências. Barueri, SP: Manole, 2002. SANCHO, Amparo. Introdução ao turismo. Organização Mundial de Turismo. São Paulo: Rocca, 2001.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: 1999.

SWARBROOKE, John. Turismo sustentável: conceitos e impacto ambiental. São Paulo: Aleph, 2000.

THEOBALD, William F. Turismo global. São Paulo: SENAC, 2001.

 
 

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