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  José Clerton de O.Martins
 
Índice | Apresentação | Patrocínio

Patrimônio cultural e identidade: significado e sentido do lugar turístico (final)





Patrimônio Cultural como o diferencial do lugar

Sabemos que o turismo trata-se de um fenômeno surgido com o advento da Revolução Industrial, que proporcionou ao homem um tempo heterocondicionado (Munnè 1980). Significa de dizer, que quando o homem passou a ter seu tempo controlado pelo tempo do trabalho e esse por sua vez, passou a significar, sobretudo no meio urbano o tempo principal da vida humana, surge a necessidade da busca de tempo natural, do tempo cíclico, do tempo de ser sujeito de seu tempo.

O turismo adquiriu um significado de reencontro consigo e busca ao que se perdeu, assim em dados períodos e de acordo com o que se pode pagar, as populações das cidades saem em busca dos chamados paraísos utópicos, sonhando com o exotismo do paraíso e com o encontro consigo mesmo.

 Isso decorre da perda do homem da possibilidade de construir seu próprio tempo e ainda de estar, na maior parte de sua existência, em ambientes artificializados em todos os aspectos, exercendo pouco de suas potencialidades.

O Turismo surge como essa possibilidade de reencontro, de fantasia, descanso, felicidade. Desta forma o homem sai em busca de existência enquanto ser, longe de tudo que pode significar um tempo que não seja o tempo autocondicionado, portanto, um tempo construído por ele mesmo( Munnè, 1980).

O que busca esse homem? Que lugares seriam seus preferidos?  Nesse contexto  nos vem  referência ao Patrimônio cultural mais autentico, tal como  relacionamos anteriormente.

O que interessa ao fenômeno do turismo são os aspectos mais peculiares de cada lugar, é o caráter mais autêntico de sua gente e seu cotidiano mais original, representado por toda sua gama simbólica, ainda que possa parecer estranho à estética da globalização.

No entanto é preciso limitar a ação do turismo para que os lugares e suas culturas mantenham-se íntegros e assim somos remetidos ao conceito de turismo sustentável.

A partir da concepção do conceito de sustentabilidade, passou-se a considerar que desenvolvimento sustentável do turismo é “aquele que atende às necessidades dos turistas atuais, sem comprometer a possibilidade do usufruto dos recursos pelas gerações futuras” (Ruschmann,1997 em Ferreira 2002). Este conceito de turismo sustentável está intimamente ligado à sustentabilidade do meio natural e cultural, considerados como atrativos básicos do turismo. No entanto, dentro da perspectiva do desenvolvimento sustentável não podemos dissociá-lo da dimensão econômica e social (Ferreira, 2002)

 

É inquestionável a importância para o turismo de cenários naturais como florestas, rios e lagos de águas límpidas, montanhas e serras com seu ar limpo e puro e a diversidade de animais, e as culturas bem peculiares preservadas, porém, o crescimento vertiginoso nos últimos anos do setor de turismo tem mostrado benefícios mensurados através da geração de empregos diretos e indiretos, porém tal crescimento econômico dos núcleos turísticos receptores, não conseguem esconder os danos sócio-ambientais decorrentes desta atividade (Ferreira, 2002).

 

A segunda guerra mundial trouxe a preocupação com os problemas ambientais decorrentes das ações do homem, do que na realidade o próprio homem seria capaz de fazer com o planeta, aliado ao crescimento desordenado, bem como seus efeitos nas sociedades. Por conta disso, estudiosos passaram a escrever sobre as possibilidades de esgotamento dos recursos naturais e incapacidade da ciência de solucionar tais problemas. (Ferreira, 2002).

 

Na década de sessenta, diante dos questionamentos formulados pela sociedade acadêmica e civil das implicações do modelo de desenvolvimento vigente, um grupo de 30 pesquisadores (cientistas, educadores, economistas, humanistas, industriais e funcionários públicos) reuniram-se na Academia de Lincei – Roma, com o objetivo de “promover o entendimento dos componentes variados, mas interdependentes – econômicos, políticos, naturais e sociais – que formam o sistema global em que vivemos”. Tal encontro resultou na formação do Clube de Roma, que se caracteriza por uma organização informal que tem como foco de estudo os problemas da Humanidade.

 

A sustentabilidade, segundo o modelo sugerido pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas em 1983 não só consolidou os princípios do novo modelo de desenvolvimento, como agregou o sentido da sustentabilidade, conforme proposto no relatório “Nosso Futuro Comum”, produzido pela referida comissão, o desenvolvimento para ser sustentável deve “atender as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”. Trazendo para a nossa reflexão a idéia de que devemos planejar e agir sempre considerando um prazo mais longo do que estamos acostumados, incorporando um compromisso ético para com as futuras gerações.

 

Esta meta, no entanto, só poderá ser alcançada com a obediência dos seguintes princípios:

 

·        eqüidade social: que significa a disposição para reconhecer igualmente o direito de cada um.

·        eficiência econômica: significa que a distribuição e gestão dos recursos econômicos e financeiros é feita de forma planejada para garantir o funcionamento eficiente do sistema.

·        prudência ecológica: significa a adoção de ações que visam os seguintes pontos:reduzir o consumo de recursos naturais e a produção de lixo.

 

A partir dos elementos acima referidos se pode representar o modelo de desenvolvimento  e desta forma podemos perceber que a interseção dos mesmos resultará em um modelo de desenvolvimento que contempla a sustentabilidade nas três dimensões (Ferreira, 2002)

 

Fonte Martins (2003)

 

          No entanto o turismo tem proporcionado a algumas localidades alguns problemas como:

·        A destruição de espécies animais e vegetais

·        As poluições atmosférica, sonora, dos rios, praias, lagos, etc.

·        A aculturação da população nativa, que se deixa influenciar por novos costumes e valores, e substitui as atividades tradicionais (pesca, artesanato e agricultura) para trabalhar no setor turístico, geralmente em funções mal remuneradas dada a sua baixa escolaridade; descaracterização do artesanato, que passa a incorporar gostos dos visitantes; e, alterações nos valores morais, através do estímulo à prostituição, ao uso de drogas etc.

·        Interferência nos valores sociais e até mesmo mudanças no modo de falar e vestir ocasionando uma interferência negativa no maior bem para o turismo e para sua comunidade: o valor local, o jeito de ser nativo no cotidiano, portanto seu patrimônio.(Ferreira, 2002)

 

Considerações finais - Quando o lugar perde o atrativo

 

 

“Quando o homem se defronta com um espaço que não ajudou a criar, cuja história desconhece, cuja memória lhe é estranha, esse lugar é a sede de uma vigorosa alienação“ (Santos 1998:61).

 

A identidade perdida no global proporciona a perda das referências. O litoral do nordeste, sempre terá seu jeito próprio ainda que um turbilhão de idéias consumistas descontextualizadas possa sugerir. Os sujeitos em seus espaços, seja no nordeste, no sul do Brasil ou em qualquer lugar do mundo, sabem o que são e valorizam-se através de suas construções simbólicas que, por sua vez, refletem sua história, bem como toda a real significação dos lugares, resgatando em suas linguagens, leituras e expressões o que sempre serão em essência.

 

Retirada do sujeito, sua essência, que é o que o identifica e o valoriza no lugar e nele próprio , o lugar e o ser desqualificam-se, restando o desinteressante, o sem sabor, o lugar comum.

 

Assim como cidadania e cultura formam um par integrado de significações, da mesma forma, cultura e territorialidade são, de certo modo, sinônimos. A cultura, forma de comunicação do indivíduo e do grupo com o universo, é uma herança, mas também um reaprendizado das relações profundas entre o homem e o seu meio, um resultado obtido através do processo de viver. Incluindo o processo produtivo e as práticas sociais, a cultura é o que dá a consciência de pertencer a um grupo, do qual ela é o cimento. Santos (idem)

 

Desta forma, cada lugar é definido por sua própria história, ou seja, pela soma das influências acumuladas, provenientes do passado, e dos resultados daquelas que conservam maior relação com as forças do presente e dão suporte ao desenvolvimento do grupo.

 

A sociedade é pois representada por seu Patrimônio, através do qual ela mesma se mostra. Está representada nele pela ideologia, cultura, religião, instituições, organizações e território, tudo representando o resultado das forças ativas de seus membros, devendo para o desenvolvimento de qualquer atividade, e principalmente do turismo, serem preservadas e respeitadas.

 

Referências Bibliográficas

 

AGUIRRE, A.et al.(1997). Cultura e Identidad Cultural - Barcelona. Ed. Bardenas

MARTINS, C. (2003). Trusimo, cultura e identidade- São Paulo. Ed. Roca

FERNANDES, J.R.O (1992) Revista Brasileira de História – v.13 nº 25/26, pg. 265-276 – São Paulo – SP.

FERREIRA.A.M.R (S/D) Os Dilemas do Desenvolvimento Econômico – Trabalho não publicado – Universidade Federal do Ceará - Fortaleza

IGNARRA, L.R.(1999), Fundamentos do Turismo – São Paulo –Ed.Pioneira

JORNAL DIÁRIO DO NORDESTE (2002) - TURISMO DA GENTE – 1º fascículo: Turismo Sustentável e 2º fascículo: Identidade Cultural. Fortaleza - Ce

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA (1979). Patrimônio histórico e artístico nacional. Legislação brasileira de proteção aos bens culturais.

MUNNÉ, F. (1980) Psicosociologia del Tiempo Libre: un enfoque crítico. Ed. Trillas, México

SANTOS, M (1999) O Espaço e o Cidadão – Ed.Nobel S.Paulo

 


 
 

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