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  Jorge Antonio Santos Silva
 
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Pensando o planejamento face a intervenção do estado no turismo: a questão do sistema de informações

A política turística implica em tres classes de elementos: os fins a alcançar (um aumento dos ingressos), os meios utilizados (uma oferta de alta qualidade, preços competitivos), e as relações entre fins e meios (o conjunto da demanda turística).



CONTEXTO DO PLANEJAMENTO

Os resultados do processo de planejamento irão depender do entorno econômico, social, político e administrativo, relativo ao conjunto de ações de intervenção sobre uma dada situação ou realidade.

O meio onde se desenvolve o processo de planejamento influencia as ações de intervenção, condicionando-as ao êxito ou ao fracasso. Este meio é formado pelos elementos condicionantes do surgimento, conteúdo, desenvolvimento e resultados do planejamento.

O processo de planejamento pode ser situado e analisado sob uma perspectiva política, social, econômica, administrativa-institucional, científica ou ambiental.

O contexto político
A natureza do governo influencia a forma e dimensão assumidas pelo planejamento:

- governo protetor - cumpre as funções mínimas de preservação dos interesses e da ordem, estabelecidos através dos instrumentos de legitimação da sociedade: legislação, forças armadas e justiça;

- governo benfeitor - proporciona à população os serviços públicos que a iniciativa privada não tem condições de prover: seguridade social, educação pública e habitação popular; também tem como atribuição formar a reserva básica de recursos, sendo responsável pelo provimento dos bens e serviços estratégicos para o desenvolvimento (petróleo, energia elétrica, água);

- desenvolvimentista - intervém no campo da produção, participando na esfera produtiva devido à incapacidade da iniciativa privada de gerar a totalidade dos bens e serviços demandados pela população, seja por falta de interesse ou de recursos; também pode participar na esfera da comercialização objetivando regular as condições de mercado;

- totalitário - se ocupa de todas as tarefas produtivas de um país.

O contexto social
O planejamento contribui para o alívio de problemas econômicos porém, em nome da modernização, pode gerar ou agravar desequilíbrios sociais e afetar o ambiente físico.

Nesta perspectiva, a ação de planejar reveste-se de algumas contradições ou dicotomias:

- planejar para o crescimento orientado para mudanças quantitativas ou planejar para o desenvolvimento voltado para mudanças qualitativas;

- planejar de modo reducionista ou de forma integral;

- planejar de forma centralizada ou de modo participativo.

O contexto econômico
A sujeição dos objetivos econômicos das economias latino-americanas aos requerimentos das instituições internacionais de crédito (BID, BIRD, FMI), privilegiou nesses países o planejamento economicista orientado para o crescimento, favorecendo a consolidaçào da relação dominação-dependência no terreno econômico, segundo o modelo de abordagem teórica das "relações centro-periferia".

O contexto administrativo-institucional
No planejamento economicista prevalece o enfoque setorial, ocorrendo o estabelecimento de objetivos, metas, estratégias e instrumentos de ação por especialistas que sempre estão orientados para obter o máximo de rendimento com o mínimo de recursos (eficiência), perdendo-se de vista a comunicação e interação que deve haver entre os planejadores e os usuários do planejamento sobre os quais repercutirá os seus resultados (comunidade afetada <=> espectadora passiva).

O contexto científico
Em um sentido amplo, o planejamento é um método científico de investigação para o conhecimento, mudança e avaliação da realidade sócio-cultural. Portanto, é necessário organizar e conduzir previamente um processo de observação, registro e dedução de fenômenos e fatos que sirvam para identificar e estabelecer hipóteses que deverão ser comprovadas ou rejeitadas pela observação e experimentação.

No planejamento orientado para o desenvolvimento, onde se busca mudanças estruturais de caráter qualitativo, além das ciências formais (lógica, matemática), o planejador se apóia em ciências fatuais (ciências sociais). Uma dificuldade que se impõe à ação do planejamento consiste no necessário tratamento interdisciplinar da realidade sob estudo ou intervenção, quando estão envolvidas ciências fatuais e formais. Assim, a questão é: como levar a termo o conhecimento e síntese de um fenômeno como o turismo, em estreita relação com o ambiente natural e cultural?

O contexto ambiental
No planejamento de natureza economicista não há ou é mínima a preocupação com o impacto ecológico da exploração dos recursos naturais, já que na análise e aprovação dos projetos são priorizados critérios contabéis-financeiros. Não há tampouco, a preocupação com os efeitos do empobrecimento dos recursos naturais sobre a população local.

Apesar das estruturas técnico-econômicas se sustentarem, em um sentido mais amplo, pelas eco-estruturas, as primeiras têm se comportado ao longo do processo de industrialização e crescimento econômico da sociedade de modo parasitário e depredador, minando a sua própria base.

O caráter das relações homem-natureza-tecnologia está imbricado aos sistemas ideológicos dominantes, assim, a deterioração ambiental tem se acelerado em razão da prevalência do capital sobre a natureza, da economia sobre a ecologia e da centralização sobre a participação.

CONCEITO E ELEMENTOS DO PLANEJAMENTO

Conjunto de atividades tendentes à transformação do comportamento de um fenômeno em função de certos objetivos. Constitue uma forma de aproximação de uma realidade existente a uma realidade desejada, devendo servir como instrumento para a satisfação das necessidades humanas e sociais.

Diante de tal amplitude, o processo de planejamento deve utilizar uma metodologia integral voltada para a abordagem e estudo de um complexo de variáveis: culturais, sociais, psicológicas, ecológicas, político-legais e econômicas.

Elementos do Processo de Planejamento

- imagem desejada ou imagem objetivo;

diagnóstico - descrever e analisar a situação existente ou situação por transformar:
passado de curto e médio prazo => determinar as causas básicas das características atuais, procurando estudar o fio condutor ou elo de ligação e as variáveis-chave determinantes do desenvolvimento espontâneo ou natural do fenômeno,
período presente ou mais recente da atividade,
orientação e formas naturais da atividade em seu futuro de curto e médio prazos na ausência de intervenções;

fixação de objetivos e metas - permitir à atividade aproximar-se da situação desejada:
aspectos fundamentais que se pretende alcançar,
natureza e hierarquia distintas entre objetivos e metas,
fixação de objetivos e metas e definição de prioridades => responsabilidade dos círculos de decisão e poder;

determinação de estratégia(s) - forma(s) como se deve conduzir a atividade para o alcance satisfatório dos objetivos fixados:
geral - trata o todo orgânico integrado,
básicas - desagregação operativa de acordo com o tipo de turismo ou desagregação em estratégia setorial e estratégia espacial;

determinação de instrumentos - ativar o processo de execução do processo de planejamento:
grupos - inversões de ativo fixo (aeroporto, hotéis, marinas)
políticas específicas de direção (de ordem econômica global e diretamente relacionadas com o turismo)
ações promotoras de desenvolvimento (legislação, comercialização, capacitação e organização)categorias - infraestrutura
estrutura específica ou equipamentos

superestrutura;
mecanismos de ordenação para os instrumentos - programas: conjunto de produtos, políticas ou ações integradas entre si em uma função de natureza semelhante, que deve observar requisitos de coerência, interdependência e periodicidade entre seus elementos.

DIMENSÃO ESTRATÉGICA DO PLANEJAMENTO

O planejamento lida com o futuro com base no conhecimento presente, ou seja, estabelece um caráter de futuridade às decisões atuais, buscando determinar relações tipo causa/efeito.

Com base no sistema de informações requeridos desenvolve-se em tres fases:

Fase 1 - preparo da base de fatos/dados:
avaliação do mercado,
avaliação do produto,
análise da concorrência,
análise fora da indústria;

Fase 2 - avaliação das opções estratégicas:
objetivos da sociedade,
posição desejada do mercado;

Fase 3 - formulação de políticas:
preparação de um plano de turismo nacional, regional ou local (consideração de impactos econômicos, sócio-culturais e ambientais),
ações visando
organização para o desenvolvimento (aparato institucional)
organização de marketing
desenvolvimento de recursos humanos (capacitação/qualificação)
coordenação com o plano nacional

O papel do governo é prover a base para o desenvolvimento social e econômico assumindo o turismo como vetor básico de expansão, através do planejamento estratégico da atividade turística.

A POLÍTICA TURÍSTICA

O Estado na atualidade se entende como um agente econômico ativo que assume as obrigações clássicas de defesa, justiça e obras públicas, além da realização de outras atividades voltadas para a satisfação de necessidades coletivas, em sua maioria de caráter social.

Conforme a Organização Mundial do Turismo (OMT), em relação ao turismo, o Estado tem duas funções básicas:

executar as preferências da sociedade utilizando os instrumentos de regulação econômica, os investimentos e a arrecadação fiscal;

aumentar os benefícios sociais da atividade turística, facilitando uma maior e melhor informação, formação, gestão, aumento da produtividade do setor público e a provisão de bens públicos, que vão desde a ordem pública até a proteção do meio ambiente;

As áreas mais típicas de intervenção estatal na atividade turística são:

estabelecer uma política de turismo livre;
facilitar os meios de acesso ao descanso e às férias remuneradas;
estudos de recursos e atrativos turísticos do país ou região;
proteção ecológica dos espaços turísticos;
formação profissional e técnica;
elaboração de normas que regulem as atividades turísticas;
promoção dos investimentos privados no setor turístico através de medidas fiscais e creditícias;
realização de obras de infra-estrutura que facilitem as comunicações e permitam a chegada e a estada dos turistas;
elaborar e executar campanhas de promoção turística.

O papel do Estado no turismo é de fundamental relevância, tendo em vista as consequências sociais, educativas, políticas e econômicas que dele resultam.

A crescente interdependência dos fatores econômicos e sociais do turismo faz com que só o Estado possa identificar e canalizar os distintos interesses envolvidos, mantendo, porém, como suas principais preocupações: o desenvolvimento sócio-cultural da população, a melhoria de sua qualidade de vida e a proteção ao meio ambiente.

Essas preocupações essenciais permeiam o caráter de auto sustentabilidade do desenvolvimento centrado no turismo, devendo-se levar em conta as características limitadoras ao desenvolvimento da atividade turística em determinado núcleo receptor, relacionadas com a capacidade de carga do mesmo:

transitoriedade - refere-se à regressão da zona ou da corrente turística, devido ao fato dos valores turísticos não serem permanentes, ao uso de técnicas turísticas falhas, ou a influências políticas e internacionais nas condições de segurança e acessibilidade;

estacionalidade ou sazonalidade - corresponde à concentração da demanda em poucos meses do ano;

polarização no espaço - alta densidade de ocupação e concentração espacial/territorial.

Conceitos de política turística

=> sistema de procedimentos e iniciativas que o Estado determina e põe em marcha com a finalidade de obter a mais completa e orgânica valorização dos seus recursos turísticos, permitindo a sua utilização pelo maior número possível de pessoas, dentro do marco de uma única orientação econômica e social

=> parte da política que estabelece as diretrizes de ordenamento, planejamento, promoção e controle da atividade turística em um país, levadas a cabo pelos poderes públicos, que se convertem em agentes turísticos através dos orgãos da administração pública

Política turística e política econômica

A atividade turística não pode deixar de ser incluída na política global de uma nação. O seu estudo corresponde à realidade de um sistema econômico onde, ao lado dos poderes públicos, suscitam outros centros de decisão representados por entes públicos e privados, nacionais e internacionais, além das próprias unidades familiares, que através da demanda do produto turístico impõe a atualização de determinada política.

A política turística deverá ser racional, global e econômica. Segundo SESSA (1983), "a política turística será forçosamente econômica, enquanto parte integrante de um [vetor] produtivo da política econômica geral de um país. Ela será global, enquanto a adoção desta política seja combinada com aquelas relativas a todos os outros setores diretamente ou indiretamente ligados com [a atividade turística]. A política turística será racional enquanto seu entrincheiramento científico reafirmar a exigência do estudo dos vários problemas que lhe são conexos, numa ótica racional, além de cada valorização política concreta".

Na atualidade, não se deve e nem se pode imaginar a planificação setorial sem estreita relação com todo da realidade econômica e social, e com as inquietações por resolver com respeito aos problemas do meio ambiente. O futuro do turismo tem de estar absolutamente ligado às políticas econômicas gerais e em especial às políticas de preservação e melhoramento do meio ambiente. Se este sucumbe, o turismo inevitavelmente haverá de desaparecer.

O quadro da política turística da esfera pública vai muito além dos problemas do Estado no setor e dos limites da sua interferência, tornou-se obrigatoriamente dinâmico, impondo não apenas a intervenção do Estado, mas uma política de desenvolvimento do turismo concebida de maneira harmoniosa e coordenada, tendo-se em conta os demais centros decisórios do país.

A política turística deve ser determinada pela dupla exigência de assegurar a satisfação do turista e gerar o desenvolvimento harmonioso no contexto da economia nacional, seguindo diretrizes de: organização territorial, financiamento dos investimentos turísticos, formação do elemento humano, integração com a política global de desenvolvimento.

A política turística implica em tres classes de elementos: os fins a alcançar (um aumento dos ingressos), os meios utilizados (uma oferta de alta qualidade, preços competitivos), e as relações entre fins e meios (o conjunto da demanda turística).

Os riscos derivados da variedade de estrangulamentos sócio-econômicos possíveis, que devem ser considerados na formulação da política turística, referem-se a:

escassez na oferta de alimentos;
escassez na oferta de alojamentos;
estrangulamento no tráfego;
problemas de contaminação ambiental;
incapacidade dos espaços naturais de abrigarem um grande número de turistas;
problemas de infra-estrutura;
escassez de meios para atender as necessidades dos profissionais do turismo: habitação, saúde e aperfeiçoamento profissional.

Neste contexto, de acordo com PALOMO (1985), são as seguintes as principais linhas e medidas de atuação de uma política turística:

a) promoção da expansão do turismo estrangeiro:
intensificação da promoção exterior,
manutenção dos preços turísticos em níveis competitivos,
melhoramento dos meios de comunicação e de transporte,
estabilidade política do país receptor,
ordenação da oferta turística,
incorporação de novas formas e modalidades turísticas;

b. ordenação turística:
adequada regulação ou regulamentação da oferta hoteleira, extra-hoteleira e de outras formas de alojamento, em categorias e tipologia,

regulação das agências de viagens, em função de deficiências observadas nos processos de comercialização, distribuição e recepção,
ordenação dos mercados de locação de veículos, circuitos turísticos e de transporte aéreo do tipo "charter";

c. melhora da capacidade de concorrência:
melhoria das instalações receptoras,
alcance da estabilidade dos preços turísticos,
elevação da competitividade da oferta no mercado internacional,
aumento da profissionalização no conjunto das atividades turísticas;

d. melhora do padrão de estacionalidade ou sazonalidade:
fomento do turismo interno, atuando como complemento ao turismo internacional, ou vice-versa,
difusão dos atrativos culturais, artísticos e naturais, criando um turismo circunstancial,
apoio à celebraçåo de convenções e congressos,
ações em matéria de escalonamento das férias escolares e de trabalho;

e. desenvolvimento do turismo interno;

f. outras ações econômicas:
política de melhoramento das infra-estruturas,
política creditícia ou de inversões,
política fiscal,
política cambial.

O desenvolvimento turístico não deve ser entendido como a chegada de uma demanda massificada. O excesso de demanda pode acarretar problemas estruturais e humanos, provocando alterações nos costumes, nas formas de comportamento social e nas manifestações culturais, artísticas e folclóricas.

Há que se objetivar um equilíbrio na distribuiçåo da demanda, tendo em vista que a recepção de milhões de pessoas que se estacionem em uma determinada zona, ou que cheguem em um curto período do ano, apenas conduzirão à ocorrência de graves problemas de natureza estrutural para o núcleo receptor. Desta forma, ao intervir no turismo, o Estado pode atuar numa orientação incrementalista, para fomentá-lo, orientá-lo e aproveitá-lo, ou numa orientaçåo restritiva, impondo freios ou limites ao seu desenvolvimento.

Tanto a demanda como a oferta turística, nascem da iniciativa privada e se devem a motivações também privadas, porém, nenhuma delas possui condições de produzir de uma maneira direta, o equilíbrio dinâmico que o turismo exige. Corresponde ao Estado intervir, no sentido de uma planificação global, exigindo-se conhecimento prévio de possibilidades, fixação de metas e atuação para o desenvolvimento econômico e social.

Para atuar de forma efetiva, no atendimento às demandas relativas às áreas de interesse maior e de âmbito coletivo, o Estado, segundo NOGUEIRA (1987), deve desempenhar as seguintes funções:

coordenadora - envolvendo a elaboração e implementação de uma polítca pública para o turismo;

normativa - com a formulação de leis e regulamentos específicos;

planejadora - ocorrendo a explicitação de um plano que permita a integração do plano de turismo no planejamento global;

financiadora - o governo deve suportar o custo dos grandes planos e da necessária infra-estrutura básica, podendo, subsidiária ou complementarmente, promover a criaçåo de unidades turísticas pioneiras, visando atrair a iniciativa privada.

As ações dos agentes públicos e privados podem ser diferenciadas, conforme notação do PALOMO (1985), em três grupos:

a. de execução restrita dos entes públicos:
aquelas, que por seu caráter de projeção a uma coletividade, só podem ser realizadas pela administração pública (construção e modernização de aeroportos, melhoria de obras públicas de infra-estrutura, remodelação de portos para aproveitamento turístico),
ações de caráter de polícia e aplicação de regulamentos,
recompilação e publicação de estatísticas e informações turísticas, que sirvam de balanço da situação e de orientação do futuro,
ações promotoras em novas zonas, onde a iniciativa privada não tenha chegado, criando infra-estruturas capazes de atrair uma primeira demanda e uma oferta qualificada e diversificada;

b) reservadas à iniciativa privada - a exploração comercial das empresas de alojamento, de animação e recreação, de transporte, de restaurante e de outros serviços complementares;

c. que exigem colaboração e atuação mútuas:
ações combinadas em matéria de promoção e publicidade,
ações ajustadas para descobrir e despertar possibilidades de desenvolvimento turístico em determinado município ou região,
obras de melhoramento de acesso a instalações turísticas privadas, de natureza infra-estrutural geral,
investigação de aspectos relevantes do turismo (rentabilidade das empresas, ordenamento turístico, comportamento do mercado).

Outros aspectos relevantes da atuação do Estado no desenvolvimento do turismo, dizem respeito: ao controle do solo, à orientação dos investimentos de capitais, à utilização da mão-de-obra local, e à diversificação da estrutura econômica do núcleo turístico, qualquer que seja a sua dimensão.

Uma comunidade turística deve conservar o poder sobre o solo e sobre a decisão quanto à utilização do mesmo. A política de ocupação do solo e a política do planejamento territorial, são instrumentos-chave para permitir o controle sobre o desenvolvimento turístico às próprias regiões hospedeiras.

Os capitais provenientes do exterior devem contribuir para o financiamento das partes "não-rentáveis" das instalações turísticas (especialmente a infra-estrutura geral).

A implantação de instalações turísticas torna-se mais oportuna em locais onde os empregos gerados possam ser assumidos pela população local ou regional com o mínimo possível de mão-de-obra externa. Caberia, em relação às funções executivas, que fossem assumidas por residentes, devendo remediar-se o pouco atrativo da maioria dos empregos turísticos, através de treinamento em todos os níveis, e pela melhoria da condição de trabalho (maiores salários, horários menos prolongados), com aumento dos benefícios sociais.

Em particular, no caso de países subdesenvolvidos ou em estágios primários de desenvolvimento, deve ser promovida uma grande diversificação econômica nas regiões turísticas, que privilegie o desenvolvimento da agricultura, do artesanato, da pequena indústria e dos serviços não turísticos, de forma equivalente ao desenvolvimento do turismo. É preciso evitar-se a dependência quase que exclusiva da atividade turística, impondo freios e até mesmo bloqueando o crescimento de infra-estruturas turísticas, por intermédio de prescrições relativas à urbanização do território e ao controle do mercado da construção.

O SISTEMA DE INFORMAÇÕES NO CONTEXTO DO PLANEJAMENTO DO TURISMO

A política para o desenvolvimento turístico regional está sustentada em tres âncoras básicas: infra-estrutura, marketing e qualidade de produtos e serviços/capacitação de recursos humanos. Dentro da abordagem do planejamento e da política turística aqui apresentada, as ações e investimentos governamentais têm como elemento indispensável à sua consecução eficaz e exitosa, um pilar central representado pelo Sistema de Informações Turísticas (SIT).

O SIT detém a capacidade de recolher informações relevantes numa perspectiva de integração das diversas esferas institucionais envolvidas no processo do planejamento do turismo, a nível de rede local, estadual, regional, nacional e internacional, de natureza pública e privada, cuja interseção e interação devem ser contempladas tendo em vista o alcance do objetivo primordial de elevar qualitativamente o patamar de desenvolvimento a partir da intervenção planejada.

O SIT tem como objetivos:
sistematizar e adequar o volume de informações gerenciais;
suprir o sistema turístico de informações agéis e confiavéis;
subsidiar as decisões relativas aos investimentos públicos e privados;
acompanhar as relações de mercado;
subsidiar as projeções de longo prazo.

A gestão do SIT deve estar sob a responsabilidade da autoridade oficial de turismo de um determinado âmbito territorial, que pode ser simultaneamente responsável pela formulação da política de turismo e pela sua execução, onde os vetores básicos de atuação serão o fomento ao turismo e o marketing turístico institucional da respectiva região.

A "missão" do orgão gestor do SIT consistirá em fornecer informações e subsídios técnicos sobre o turismo local/regional para a área governamental, iniciativa privada e outros usuários de informações turísticas, a partir do acompanhamento das estatísticas e do esforço de investigação da atividade turística no correspondente âmbito espacial de influencia, mantendo a ética e buscando garantir a veracidade das informações coletadas, tratadas e disseminadas.

Para desempenhar esta missão, esse orgão deve ter como principais atribuições:
promover a elaboração de pesquisas sobre a oferta e demanda turística da região;
planejar e realizar estudos sobre as características dos principais mercados emissores e concorrentes;
desenvolver estudos com vistas à determinação de procedimentos metodológicos para a avaliação do impacto social e econômico do turismo no âmbito regional, procurando dimensionar sua eficiência na geração de emprego e renda;
elaborar e realizar periodicamente estudos sobre o perfil do turista;
proceder a tabulação e análise de dados estatísticos.

Grau de relacionamento/proximidade entre o SIT e o planejamento do turismo - problematização

Alguns desvios e pontos de estrangulamento podem dificultar a montagem do SIT e o próprio processo do planejamento do turismo regional:
falta de visibilidade generalizada da importância de uma área técnica de informações e planejamento para o desenvolvimento do turismo da região;
oscilação do nível de prioridade do turismo na agenda governamental e, particularmente, dentro da administração pública do turismo, do grau de prioridade da área técnica (estudos e pesquisas, estatísticas, planejamento), diante de restrições orçamentárias motivadas por queda de arrecadação ou face decisões de conteúdo político que privilegiem outros interesses ou áreas;
falta de investimentos na capacitação intensiva do corpo técnico visando a sua atualização e o domínio de metodologias e tecnologias de ponta específicas;
carência de recursos humanos especializados e com perfil adequado ao acompanhamento crítico, gestão e planejamento metodológico no campo das técnicas de investigação em turismo, dificultando a sedimentação do conhecimento de ponta e a formação de uma "massa crítica" capacitada ao tratamento científico do turismo;
dispersão de atividades relacionadas ao processo do planejamento do turismo em diferentes setores da autoridade oficial de turismo e entre esta e outras áreas governamentais;
inexistência de um "núcleo" de planejamento que promova o ordenamento e a coordenação dessas atividades na estrutura da autoridade oficial de turismo ou no conjunto dos orgãos públicos que sejam co-partícipes no processo do planejamento, gestão e desenvolvimento do turismo local/regional.

Via de solução
De um lado o nível político-decisório para atingir o público alvo com eficácia, precisa conhecer a realidade do mercado e planejar o posicionamento futuro, necessitando para tanto, de uma base de dados e fatos tecnicamente confiável. De outro lado os resultados/produtos do trabalho do nível técnico conformarão a base de dados e fatos que irão subsidiar as ações de marketing e investimentos adotadas/implementadas pelo centro de decisão e de poder político-econômico.

A interdependência estrutural dos dois níveis é cristalina, assim é recomendável o seu reconhecimento e a adoção de medidas para eliminar o distanciamento entre eles. Investir para formar, manter e apoiar um quadro técnico qualificado, atualizado e capacitado é o caminho da solução, principalmente considerando que a informação e o conhecimento são, no presente cenário de globalização ou mundialização, recursos estratégicos e vitais para a sobrevivência competitiva vitoriosa de pessoas, empresas, instituições, destinos turísticos e nações. 

BIBLIOGRAFIA
- DÍAZ, Edgar Alfonso Hernández. Planificación turística: un enfoque metodológico.
México, Trillas, 1982. (reimp. 1991)

- MOLINA E., Sérgio. Planificación integral del turismo: un enfoque para Latinoamérica.
México, Trillas, 1991. (2ª ed.)

- NOGUEIRA, Mário G. O papel do turismo no desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Revista de Administração Publica. Rio de Janeiro, 21(2):37-54, abr./jun., 1987.

- PALOMO, Manuel Figuerola. Teoria economica del turismo. Madrid, Ed. Alianza, 1985.

- REJOWSKI, Mirian (org.). Turismo sob a ótica dos monitores municipais. Brasília,
EMBRATUR, 1996.

- SESSA, Alberto. Turismo e política de desenvolvimento. Trad. Lourdes Fellini Sartor: Porto
Alegre, Uniontur, 1983.


 
 

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