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  Tatiana Luchezi - São Paulo/SP
 
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Como surgiu o evento Salão Internacional do Automóvel

Com o novo conceito de feiras comerciais trazido para o Brasil por Caio de Alcantara Machado, a indústria automobilística tem a oportunidade de apresentar sua produção nacional no Salão do Automóvel



O automóvel: um bem considerado tão valioso para muitos indivíduos, tanto por sua função de locomoção como por outros valores a ele atribuídos como status, bem-estar e até busca da felicidade. Trata-se de um símbolo bastante presente na sociedade a partir do século XIX e que no Brasil, ganha, em 1960, um espaço específico para sua demonstração, o Salão do Automóvel.

Todo evento surge com alguma finalidade, seja ela de conhecimento de todos ou não. Afora a questão do lucro que toda empresa privada visa, umas das possíveis explicações para a realização do salão, é o momento oportuno pelo qual a economia do país passava na época.

O conceito de feiras comerciais nos moldes atuais, surgiu com Caio de Alcantara Machado, um profissional da área de marketing que desde jovem, acompanhava as tendências de mercado de outros países, e que acreditava que a realização de feiras semelhantes as que ocorriam na Europa, também era possível no Brasil, com o intuito de vender e lançar produtos e de trazer bons resultados para os expositores.

Por se tratar de um conceito novo no país, Machado encontrou dificuldades para iniciar as feiras, uma vez que deveria convencer as empresas expositoras sobre a vantagem e rentabilidade de divulgarem seus produtos no evento; mas ainda parecia algo arriscado.

A primeira feira brasileira patrocinada pela promotora Alcantara Machado Feiras de Negócios foi a FENIT - Feira Internacional da Indústria Têxtil - em 1958, seguida da Feira da Mecânica, em 1959 e o Salão do Automóvel em 1960. No caso deste último, o cenário nacional assim se traçava.

Desde 1870 o sistema ferroviário predominava no transporte de cargas e passageiros, embora alguns sinais do transporte rodoviário se faziam presentes: em 1891 havia chegado o primeiro automóvel no Brasil, em São Paulo, trazido da França por Alberto Santos Dumont; em 1908 o tráfego de auto-ônibus no Rio de Janeiro se fazia presente com o percurso da Praça Mauá ao Passeio Público.

Todavia, por volta de 1920, o sistema ferroviário começou a apresentar algumas desvantagens, que impossibilitavam seu uso eficiente.

Após a Segunda Guerra Mundial, a economia brasileira apontava sua reativação, e para dar continuidade ao desenvolvimento do país, o governo decidiu apoiar o investimento no sistema rodoviário. Para isso, teve como aliadas, empresas que acreditavam ser viável a produção nacional de veículos.

Criada em 1938, a FNM - Fábrica Nacional de Motores - que até então produzia motores de avião para a Segunda Guerra Mundial, voltou-se para a produção de caminhões. O primeiro modelo, com 200 unidades, saiu das linhas de montagem em 1949.

Em 1950, o Brasil possuía apenas 370 mil quilômetros de estradas de rodagem. Nessa década as importações continuavam crescendo e, para facilitar a instalação de linhas de produção, em 1953 o governo proibiu a importação de veículos. As montadoras transnacionais teriam duas opções: abandonar o mercado brasileiro ou iniciar a produção de veículos em cinco anos. Embora existissem alguns problemas estruturais para tal produção, em 1956 concretizou-se uma das metas do governo de Juscelino Kubitschek: a capacidade de industrialização do país. A data formal do início da implantação da indústria automobilística é de 16 de junho de 1956, quando o presidente da República assina o decreto nº 39412 estabelecendo uma política de incentivo à instalação de empresas automobilísticas.

Dos projetos para instalação de fábricas no país, treze deram bons resultados, dentre eles, a Fábrica Nacional de Motores, General Motors, Ford, Karmann-Ghia, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen e Willys Overland. Cada fabricante escolheu sua localidade para instalação: todas - exceto a FNM no Rio de Janeiro - sediadas na Grande São Paulo, fato esse que depois trouxe para a região a instalação de 90% das indústrias de autopeças do país.

A concentração das montadoras na Grande São Paulo justifica em parte a realização do Salão do Automóvel na capital, pela facilidade da participação dos visitantes – da região metropolitana e turistas estrangeiros - e dos funcionários das montadoras, uso de mão-de-obra especializada e transporte dos produtos que são expostos.

Atualmente há montadoras em outros Estados, mas isso não justifica a transferência do evento para outra localidade, uma vez que é recomendável mantê-lo na mesma cidade em que é realizado há 44 anos; além disso, deve-se verificar a estrutura (serviços, mão-de-obra qualificados) disponível em outras regiões.

O início da atuação das fábricas em território nacional foi um pouco delicado, pois o interesse pela compra de veículos era grande, mas gerava desconfiança e insegurança na população, que não conhecia suficientemente o produto.

Daí então, surge a oportunidade de se realizar um evento, com o apoio do governo, que pudesse apresentar a chegada da indústria automobilística nacional e sua produção; época propícia, já que o sistema rodoviário estava em expansão.

A primeira edição do Salão do Automóvel, em 1960, contou com a presença de 700 mil visitantes – a média dos anos seguintes foi de 500 mil, fato justificado apenas pela curiosidade da população a respeito da máquina automóvel.

Para que o salão permanecesse na memória coletiva, Caio de Alcantara Machado usava como estratégia, a realização de seus eventos por três anos consecutivos para depois, torná-los bienal, quando já tivessem maior credibilidade. Ainda que o evento fizesse grande sucesso, este não seria prorrogado, tampouco adiado por qualquer motivo, pois o intuito é deixar o visitante na expectativa da próxima edição.

E parece que essa estratégia foi efetiva porque, quando se pergunta a periodicidade em que o Salão do Automóvel é realizado, muitas pessoas respondem, anual.

Bibliografia
Obras
ANFAVEA. Indústria automobilística brasileira: uma história de desafios. São Paulo: Autodata, 1994. p.9-11

CONTEL, Fabio Betioli. "Os sistemas de movimento do território brasileiro". 17p. In:  SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. (Org.) O Brasil: Território e sociedade no    início do séc. XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. p.362

GATTÁS, Ramiz. A indústria automobilística e a segunda revolução industrial no Brasil: origens e perspectivas. São Paulo: Prelo, 1981. p.228

TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. Cronologia do turismo no Brasil. São Paulo: Consórcio CTI/Terra. 1991. p.21-33

Periódico
CARELLI, Wagner. Caio de Alcântara Machado. Revista Vogue. Suplemento Vogue Brasil, São Paulo, n. 206, 1994. p. 10-19.


 
 

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