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  Erick Ramires
 
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A importância econômica e social do desfile de carnaval para a cidade de Santos (I)
20/2/2005 - Erick Ramires

O fim desses desfiles a partir do ano 2000, trouxe um período recessivo para o comércio formal e informal da cidade, já que ela deixou de movimentar toda a estrutura que abrange a indústria do carnaval. A atividade apesar de aparentar ter uma característica de emprego sazonal, assim não se comporta, uma vez que o processo para início dos preparativos do desfile da escola de samba se projeta poucos dias após o término do último desfile realizado.



RESUMO
O presente estudo trabalha as questões referentes ao aproveitamento econômico e social do desfile de carnaval na cidade de Santos. Analisando as conseqüências e resultados obtidos com o término desses desfiles no ano de 2000. Além disso, trabalha também com foco na estrutura envolvida para a realização de tal evento mostrando seu poderoso efeito multiplicador de resultados econômicos e sociais.
Dessa forma espera-se alertar a todos os agentes envolvidos da importância que esse evento tem num contexto local e regional, graças à posição de destaque que a cidade de Santos tem na Região Metropolitana da Baixada Santista e que em outrora já foi tido com referência nacional.

PALAVRAS CHAVE: desfile de carnaval; desenvolvimento econômico; responsabilidade social; disseminação cultural.

ABSTRACT
The present study works questions related to the economic and social exploitation of the parade of carnival in Santos city. Analyzing the consequences and results gotten with the ending of these parades in the year of 2000. Moreover, its powerful multiplying effect of economic and social results also works with focus in the involved structure for the accomplishment of such event showing.
In that context it expects to alert to all the involved agents of the importance that this event has in a local and regional context, mainly because the important position that Santos city has in the Metropolitan Area of Baixada Santista and that in a time not so long ago was already known has a national reference.

KEY WORDS: carnival parade; economic development; social responsibility; cultural dissemination.

1. INTRODUÇÃO
 
O presente estudo tem como objetivo apresentar e discutir os elementos que demonstram a relevância dos Desfiles de Carnaval das Escolas de Samba para a cidade de Santos, analisados sob a perspectiva da geração de renda e empregos, além destes contribuírem diretamente no fortalecimento da economia do município e principalmente serem a conclusão de um trabalho que movimenta e dá vida às comunidades envolvidas com as escolas ao longo do ano gerando também benefícios de ordem social de grande valia e importância.

O Carnaval é uma das manifestações culturais de maior magnitude no nosso país, transformando-o em um pólo irradiador dessa tradição cultural para todos os lugares do mundo, que se encantam e admiram com o amor e o carinho que o brasileiro tem por essa festa. E a questão não se limita apenas a festa em si e sua essência, mas através dos anos se criou toda uma indústria que dá o suporte para que o carnaval possa efetivamente acontecer.
Isso pode ser claramente percebido quando se fala sobre os desfiles das escolas de samba, e inegavelmente o grande parâmetro para avaliação em relação a essa questão está na cidade do Rio de Janeiro, que possui o desfile de carnaval mais conhecido e estruturado do país servindo de modelo e objetivo para outras cidades do Brasil. O próprio desfile da cidade de São Paulo, atualmente começa a ter a magnitude do desfile do Rio, porém isso nem sempre foi assim.

Todo esse cenário se torna propício para trazer a tona à discussão da importância do desfile das escolas de samba para a cidade de Santos, uma vez que o desfile da cidade, que, outrora já foi considerado como o segundo desfile do Brasil em importância, perdendo apenas para o já citado do Rio de Janeiro, além disso, tomando como referência a situação atual das escolas e de suas comunidades aliado ao modelo econômico vigente que demonstra a sua dificuldade para a geração de empregos e renda, cria o pano de fundo para o desenvolvimento da argumentação que está sendo proposta.

2. HISTÓRIA DO CARNAVAL

O carnaval é uma das mais tradicionais manifestações de folclore que existe. Sendo que é importante nesse contexto estabelecer o significado de folclore a fim de poder trabalhar o assunto conhecendo melhor o âmbito de sua abrangência. Para tanto se entende por folclore o conjunto de tradições, conhecimentos ou crenças populares expressadas através de diversas formas tais quais os provérbios, os contos, as canções, as danças entre outras formas de expressão de um povo.

Nesse contexto o carnaval é a festa profana mais antiga que se tem registro, tais registros datam de mais de três mil anos. As suas raízes mais remotas encontram-se na Grécia Antiga, no culto a Dionísio, que mais tarde foi celebrado em Roma como Baco, e posteriormente espalhando-se por toda a Europa. Baco era um deus bastardo para os pagãos. Introduziu-se nas terras gregas e conforme as plantações de parreiras se espalhavam pelas ilhas da Grécia cada vez mais gente o celebrava. Em todas as festas no campo ele se fazia presente. Ele era representado por uma figura humana, com chifres, barba e pés de bode, além de estar sempre com um olhar embriagado.

Consta que as mulheres foram as primeiras seguidoras de Dionísio, há aproximadamente 3 ou 3,5 mil anos. Elas aproveitavam os dias a ele dedicados como uma forma de escapar dos rígidos padrões de vigilância impostos pelos pais, irmãos e maridos e caiam na folia em meio a danças furiosas e gritos de júbilo. Nos dias de festa saíam aos bandos, com o rosto coberto de pó e com vestes transformadas ou rasgadas, cantando e gritando pelas montanhas gregas. Os homens logo aderiram a festa e ao frenesi causado por Dionísio. Estes festejos costumavam durar por até três dias e a bebedeira era coletiva, inclusive incitando a libido e dando origem a grandes orgias.

No Brasil os primeiros registros existentes dessa que hoje é uma das mais importantes festas populares do mundo, têm origem no século XVII trazido ao país pelos portugueses e conhecido então pelo nome de Entrudo. Este é um herdeiro das já referidas festas gregas dadas em homenagem a Baco. A plebe colonizada imediatamente aderiu ao Entrudo como um imperdível momento de inverter, ainda que simbolicamente, o mundo desgraçado em que vivia. E dessa forma a festa foi se desenvolvendo ao longo dos anos, crescendo em apelo.

A partir da revolução de 30 e todo o contexto criado para tentar suprimir a manifestação espontânea, o carnaval começa a trilhar novos caminhos. Surgiram os desfiles regulamentados, ordenados em forma de concurso, dando origem aos desfiles carnavalescos como são vistos atualmente. Ao longo do tempo esse novo sistema de expressão da cultura popular foi evoluindo e se aperfeiçoando, até se transformar no espetáculo que atrai a atenção de pessoas nos quatro cantos do mundo. O Rio de Janeiro é hoje a referência nacional quando se fala em desfiles das Escolas de Samba durante o período do carnaval. Um destaque especial nesse sentido deve ser dado ao desfile das escolas na cidade de Santos, que durante as décadas de 70 e 80 chegou a ser considerado o 2º melhor desfile carnavalesco do país, onde a cidade era considerada como a capital estadual do carnaval. Essa notoriedade conseguida pela cidade de Santos contagiou também ao desfile realizado na cidade de São Paulo, que sofreu grandes transformações e se estruturou durante o fim da década de 80 e início dos anos 90, para se tornar assim como o desfile do Rio, um exemplo de organização e uma verdadeira festa de expressão popular. 

3. A ECONOMIA DO CARNAVAL

Apesar de se tratar de uma festa de expressão da cultura popular, com as modificações estruturais que sofreu ao longo do tempo, o carnaval passou a ser observado sob uma perspectiva profissional, passou a ser gerenciado, transformou-se em um grande negócio que hoje movimenta um número sem fim de pessoas e recursos para sua realização. Tem influencia direta em uma das atividades que mais cresce na atualidade, o Turismo, já que atrai pessoas de todas as partes do mundo para festejar e se divertir durante os dias de folia.

A economia da região onde são realizados os desfiles carnavalescos é impulsionada durante o transcorrer de todo o ano, pois toda a sociedade trabalha e produz direta e indiretamente para a consecução final dos dias apoteóticos da festa.

Nas Escolas de Samba, por exemplo, a preparação de um desfile de Carnaval exige um grande número de tarefas exercidas por profissionais das mais diversas áreas de atuação. O corpo funcional de uma agremiação carnavalesca é composto por profissionais com qualidades artísticas, e técnicas. São exemplos dos profissionais que responsáveis por preparar toda a estrutura que culmina com o Desfile final: costureiras, bordadeiras, chapeleiros, aderecistas, carpinteiros, escultores, pintores, decoradores, eletricistas, ferreiros, mecânicos, desenhistas, soldadores, borracheiros, marceneiros, armeiros, historiadores, sapateiros, cantores, ritmistas, instrumentistas, compositores, entre outros.

Todas essas atividades são remuneradas, o que faz criar um efeito multiplicador em toda a economia local, uma vez que essa mão-de-obra por muitas vezes dispensada do emprego formal, encontra suporte e sustentação na necessidade de preparar o desfile das escolas de samba.
O espetáculo final, que vem com o grande desfiles das agremiações, só é conseguido e viabilizado através da criatividade e produção das pessoas das comunidades, que são os verdadeiros artistas da cultura, da música, do canto e da dança das Escolas de Samba.

Desse universo das agremiações surgem grandes expressões na cultura popular brasileira como compositores, músicos, ritmistas, intérpretes, passistas, mestre-sala e porta-bandeira e muitos mais. Muitos ídolos da população começam a ganhar notoriedade justamente no ambiente da Escola de Samba, onde passam por uma espécie de aprendizado maturando e estagiando no mundo artístico.

A indústria Carnaval além de ser movimentada pela participação direta das Escolas de Samba, ainda recebe também influência econômica em decorrência da participação popular nas ruas, nas praias e bares, nos shows, nas exposições, nos desfiles e bailes pré-carnavalescos, sem contar com o dinheiro que gira em torno da confecção das fantasias e da decoração dos diversos elementos que integram a festa. Uma fantasia de destaque no Rio de Janeiro pode chegar a custar mais de R$ 30.000,00.

Dentre todos os atrativos apresentados durante um desfile de Escola de Samba, sem dúvida alguma, os que mais chamam a atenção são os carros alegóricos. Que mostram a criatividade dos artistas e carnavalescos, representando partes do enredo da escola, e que trabalhando além de tudo com ousadia e principalmente criando novas tecnologias para a confecção dos mesmos, utilizando-se de materiais alternativos e movimentando cifras astronômicas que chegam a representar investimentos da ordem de R$ 1.000.000,00 como acontece atualmente com os carros alegóricos das agremiações paulistanas.

Segundo Araújo (2004) em sua análise da importância econômica do carnaval, ela cita dados impressivos da movimentação financeira causada por esta festa na Bahia. È claro que o formato estabelecido para o carnaval baiano não segue os padrões que compõem o foco deste estudo, porém servem para ressaltar mais ainda de que forma esta festa de expressão popular pode ter o poder de gerar toda estrutura anteriormente referida.  Se não vejamos:

Na Bahia o faturamento do mercado fonográfico com a música é altíssimo. Os blocos tradicionais têm movimentado US$ 800 milhões por ano, superando a receita do maior produto de exportação da Bahia, o cacau. O trio elétrico estimula ainda o mercado de shows, verbas de patrocínio e a venda das fantasias e camisas. (ARAÚJO, 2004, p. 5)

Outro aspecto relevante em relação a movimentação econômica e financeira envolvida no grande evento, está relacionada com a comercialização do desfile, na forma de venda de ingressos, direitos autorais e editoriais fonogréficos e também a partir da venda dos direitos de transmissão de imagem em nível nacional e internacional, fato acaba fazendo a divulgação do país internamente e internacionalmente atraindo um grande número de turistas ávidos por tomar parte desse mega evento, gerando movimentação de divisas por parte dos turistas domésticos e a transferência de divisas através dos gastos realizados pelos turistas estrangeiros.

Araújo (2004) apresenta dados que ajudam a elucidar os comentários supra citados:

Nas escolas de samba, hoje, a comercialização do desfile, em si, tem permitido às escolas principais arrecadarem mais de U$ 5 milhões por ano, contando com a venda de ingressos, o pagamento da transmissão pela televisão e os direitos autorais e editoriais do disco. Nem sempre foi assim, pois até os anos 60 o desfile das escolas não gerava grande lucro. A partir daí desenvolve-se um processo crescente de profissionalização e comercialização do Carnaval. (ARAÚJO, 2004, p. 5)

Portanto, a indústria carnaval, é inquestionavelmente uma fonte de recursos financeiros que incrementa ainda mais a economia nacional, seja através do efeito multiplicador da mão-de-obra envolvida, bem como dos resultados obtidos com as transações comerciais nela envolvidas ou pelas divisas geradas na movimentação do Turismo.

4. A COSTA DA MATA ATLÂNTICA

 A Região Metropolitana da Baixada Santista – RMBS, também conhecida como Costa da Mata Atlântica está constituída por nove municípios, a saber: Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. A sua localização, próxima da capital do Estado, e a sua disposição geográfica favorecem o aproveitamento dos recursos naturais, culturais e de lazer disponíveis nos municípios inclusive graças à pequena distância que separa os municípios entre si.  

A RMBS foi criada pela Lei Complementar 815/96. Situada no Litoral do Estado de São Paulo e conta com uma população fixa que gira em torno de 1,4 milhões de habitantes  distribuídos entre os municípios conforme pode ser observado na tabela 1. Sua área de extensão territorial é de 2.373 km² apresentando mais de 161 km de extensão em praias.

Figura 1: Região Metropolitana da Baixada Santista Localização Geográfica
Fonte: PDTUR-BS – Plano Diretor de Turismo da Baixada Santista
AGEM/UNIMONTE Setembro de 2002



              Figura 2: Região Metropolitana da Baixada Santista


A região tem grande importância para o país já que na cidade de Santos pode ser encontrado o maior Porto da América Latina, em Cubatão se encontra instalado o Pólo Industrial da região, além disso, apresenta-se importante também no contexto histórico do país aparecendo em diversos momentos marcantes de seu desenvolvimento.



A cidade de São Vicente foi a primeira Vila do país, fundada por Martim Afonso de Souza em 1532, nasceu em Santos o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, figura fundamental para a concretização do processo de Declaração da Independência no ano de 1822, o Porto de Santos não tem apenas importância econômica, por aqui entraram os imigrantes das mais diversas nacionalidades que ajudaram a formar o povo brasileiro como se observa hoje.


As Ruínas do Abarebebê, localizadas no município de Peruíbe tem significativo valor religioso por serem os vestígios de uma das primeiras Igrejas construídas no Brasil.


Mais um fator que deixa clara a importância da RMBS é a curta distância que a separa da capital do Estado, a cidade de São Paulo favorecendo o fluxo de trânsito entre as duas localidades.





                                            

                                               Fonte: PDTUR-BS
                  Plano Diretor de Turismo da Baixada Santista
                        AGEM/UNIMONTE - Setembro de 2002




 

                                   Tabela 1: Distribuição da População na RMBS

Município

População (habitantes)

População Flutuante

Bertioga

30.039

300.000

Cubatão

108.309

**

Guarujá

264.812

1.000.000

Santos

417.983

500.000

São Vicente

303.551

150.000

Praia Grande

193.582

1.300.000

Mongaguá

35.098

200.000

Itanhaém

71.995

1.100.000

Peruíbe

51.451

400.000

Total

1.476.820

4.950.000


                                                          Fonte: IBGE censo 2000/ PDTUR-BS
                                               Plano Diretor de Turismo da Baixada Santista
                                                       AGEM/UNIMONTE  Setembro de 2002

As vias de acesso que permitem a chegada a Baixada Santista  são o Sistema Anchieta-Imigrantes, formado pela SP-150 – Rodovia Anchieta, a SP-160 – Rodovia dos Imigrantes, estas são caracterizadas como o principal meio de acesso a partir da capital para o Pólo Industrial de Cubatão e o Porto de Santos. A Rodovia dos Imigrantes acaba de sofrer obras de duplicação aumentando a sua capacidade em 70%  para suportar a grande demanda que visita a Baixada, seja pelos motivos anteriormente referendados ou, também, em virtude de viagens a turismo ou negócios outros. A nova pista foi inaugurada no dia 17 de Dezembro de 2002 e aumentou a capacidade suporte da Rodovia de 8.500 veículos por hora para uma capacidade de 14.000 veículos por hora. A SP-98 – Rodovia Mogi-Bertioga e a BR-101 – Rodovia Rio-Santos, permitem o acesso à região pela sua parte norte. A BR-116 oferece o acesso pela parte sul da Região Metropolitana da Baixada Santista completando o seu conjunto de vias de acesso.

 
 

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