A concentração de capital, considerada como parte do processo histórico do sistema capitalista, vai fomentar o aparecimento e evolução de monopólios. A efetivação de empresas cada vez maiores e a conseqüente busca pelo aumento dos lucros, fazem com que o campo de atuação dessas empresas seja mundial.
Assim, “na fase monopolista do capitalismo, desenvolve-se uma economia eminentemente imperialista” (KONDER, 1981, p.156). Nesse sentido é realizada uma analise dos anseios das grandes corporações turísticas que se instalam em diversas regiões do território nacional e do conceito de sustentabilidade, utilizado para afirmar compromissos ambientais baseados em preceitos implícitos exclusivamente economicistas. Visto que a implantação de mega-empreendimentos turísticos por empresas transnacionais são analisadas positivamente por apologistas da atividade turística somente como fator econômico, buscou-se bibliografias que tratem sobre a temática em um contexto que ultrapassa as questões financeiras, incluindo aspectos sociais, históricos, culturais e naturais na avaliação das grandes corporações hoteleiras.
O intuito é demonstrar que não é possível alcançar a prática da sustentabilidade sem contemplar o desenvolvimento turístico com bases locais. Assim, é possível apresentar diversos complexos hoteleiros denominados “Resorts” que se constituem em verdadeiros exemplos da dominação de grupos transnacionais que prezam primeiramente as “perspectivas de retorno” e, para isso, não internalizam custos sociais e ambientais podendo ocasionar um verdadeiro apartheid entre o complexo e a população local.
Nesse sentido, foram verificados alguns problemas como: o não aproveitamento de mão de obra local; restrição de acesso a praias que se tornam exclusivas por conta dos empreendimentos e problemas ocasionados pelo sistema de esgotamento sanitário, especificamente do Complexo Sauipe, que ocasionou diversos danos ambientais como o aterramento de lagoas naturais, a destruição de espécies da mata atlântica e também das matas ciliares (ANDRADE s/d). Ficando esses aspectos implícitos na divulgação dos denominados “paraísos”, muitos desses empreendimentos se auto denominam sustentáveis.
Isso ocorre, pois, apesar da concepção de desenvolvimento sustentável do Relatório Brundtlandt realizar criticas aos processos econômicos atuais, “ele não oferece propostas concretas referentes a uma modificação dos mecanismos de decisão e das condições de poder nos foros nacionais ou internacionais” (FREY, 2001, p. 118). Ou seja, não é possível ocasionar mudanças qualitativas sem tocar em processos institucionais e políticos “que regulam a propriedade, o controle, o acesso e o uso dos recursos naturais [...]” GUIMARAES, apud FREY, 2001, p. 118).
Conforme a analise realizada, a concepção de desenvolvimento sustentável, proveniente da Economia Ambiental, não contempla a totalidade do fenômeno turístico, sendo que o desequilíbrio ocasionado por mega-empreendimentos, incluindo fatores de ordem social e patrimonial, abre possibilidades para o desenvolvimento do turismo com bases no ecodesenvolvimento. Esta é uma concepção baseada na Economia Ecológica que contempla a sustentabilidade social, econômica, ecológica, espacial e cultural com bases no aproveitamento das forças próprias da localidade e na participação popular para a definição de preferências no desenvolvimento de atividades.
As grandes corporações turísticas baseadas nos preceitos do desenvolvimento sustentável não são capazes de ocasionar mudanças qualitativas junto às populações onde efetivam seus empreendimentos. Compreender o turismo com uma visão de totalidade é encará-lo como um processo sinalizado na história que se encontra em constante revigoramento segundo as formas como é desenvolvido. Por assim dizer, as propostas do ecodesenvolvimento fornecem os subsídios básicos para o planejamento da atividade turística com base na realidade dos paises Latino Americanos.
As formas de evolução “sustentáveis” do turismo no Brasil devem ser analisadas. É necessário, antes de enfatizar o termo, buscar suas raízes e as verdadeiras possibilidades de aplicação. Nesse sentido, os cursos de turismo têm a obrigação de realizar pesquisas que tragam a tona o real comprometimento de grandes empreendimentos com a realidade de localidades onde se instalam. Para compreender o fenômeno turístico, a forma como se desenvolve no país e elaborar propostas viáveis em consonância com nossas características históricas, naturais, sociais e econômicas é necessário ir além da visão pragmática que muitos cursos infelizmente ainda enfatizam.
Rodrigo Meira Martoni é bacharel em Turismo; Mestre em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UEL