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Turismo ecológico educativo no Parque Estadual do Caracol: O PROJETO LOBOGUARÁ
20/7/2005 - Enrique Blanco

A ação humana predatória dizimou grande parte da mata nativa e expulsou dezenas de espécies de animais que viviam na região. Umas delas foi o próprio loboguará. A caça indiscriminada ao animal fez com que, atualmente, ele esteja ameaçado de extinção.



Breve histórico do Parque Estadual do Caracol

A história da região que abriga o Parque Estadual de Caracol remota ao século XIX, e se confunde com a colonização de Canela, nome dado pelos tropeiros que descasavam e faziam suas pousadas sob uma caneleira. A região foi habitada inicialmente pelos índios caingangues, coletores de frutos e sementes, mas foi com a chegada da família alemã Wassen em 1863, considerados os primeiros colonos da região, que a área começa a ser efetivamente povoada. Todavia a colonização propriamente dita só se daria bem mais tarde, pois os Wassen, que subsistiam com a prática da agricultura e pecuária, foram durante bastante tempo os únicos moradores do local. A partir de 1900 começa a construção dos primeiros hotéis e casas de veraneio, antes mesmo até de existir a cidade de Canela, motivando um incipiente fluxo turístico atraído pelas belezas naturais dos cânions, rios, cachoeiras e clima agradável. Todo esse movimento faz surgir os primeiros comerciantes tendo o comércio de gado, de suínos e seus derivados, que eram transportados e vendidos em Porto Alegre e municípios vizinhos, como a principal atividade econômica da região.

Mas, além dos colonos e dos comerciantes, chegam as primeiras indústrias madeireiras. Como a região era uma imensa floresta de pinheiros de araucária, os madeireiros se instalaram em vários pontos do território. No princípio, o transporte e o escoamento da madeira eram feitos através da tração animal, porém, o desenvolvimento do transporte ferroviário, trazido em 1924, pelo Cel. João Corrêa Ferreira da Silva, facilitou o processo e permitiu que a extração de madeira chegasse a milhares de metros cúbicos por ano. O comércio cresceu e levas de tropeiros carregavam artigos para comercializar na capital, e outros tantos mascates vindos da capital, visitavam as fazendas da região para vender seus produtos. Canela passa a ser passagem obrigatória entre os campos de cima da serra e a capital do estado. Nessa época, a área que compreende o atual Parque do Caracol, tornou-se uma fazenda produtiva voltada para a criação de gado, porcos e plantações diversas. A industrialização e o comércio modernizaram o então pequeno povoado de Canela, colonizado por famílias de alemães e italianos, que viam surgir o desenvolvimento baseado no desrespeito aos recursos naturais. Em 1929, a implantação de uma fábrica de celulose às margens de um afluente do Arroio Caracol, que atravessa o Parque, alterou a qualidade a água e, juntamente, com o intenso processo de devastação florestal promovido pelas madeireiras, afastaram os turistas do local.

A ação humana predatória dizimou grande parte da mata nativa e expulsou dezenas de espécies de animais que viviam na região. Umas delas foi o próprio loboguará. A caça indiscriminada ao animal fez com que, atualmente, ele esteja ameaçado de extinção. Os caçadores diziam que o loboguará comia o gado e desse modo a caça se justificava. Mas, ao contrário, o animal tem um comportamento solitário e tímido, se alimentando apenas de cutias, aves, pacas, além de mel, peixes e frutas (fruta-do-lobo). A ignorância e o puro desrespeito, associados ao intenso processo de urbanização, agricultura e devastação ambiental, não expulsaram apenas o loboguará das serras, o fluxo turístico na região diminuiu sensivelmente. Encerrava-se assim, o primeiro ciclo turístico na área do Caracol.

Apesar do desrespeito pela fauna e flora nativas, o desenvolvimento econômico se consolidou na região, permitindo com que o município de Canela fosse emancipado pela Lei Estadual n° 717, em 28 de dezembro de 1944, e formalmente constituído em 1° de janeiro de 1945. Quase uma década depois, o poder público se sensibilizou com a situação da região, e o governo do Rio Grande do Sul decretou, em 1954, a área como sendo de utilidade pública. Ainda passaria algum tempo para que no ano de 1968 ocorresse a desapropriação legal da área, que foi transferida, por acordo, ao SETUR (Serviço de Turismo do Estado) da Prefeitura Municipal de Canela. O processo culminou com a criação do Parque Estadual do Caracol em 1973, contanto com uma área total de 100 hectares, dos quais 25 estão legalizados.

Aspectos legais e ambientais do Parque

Como o Parque do Caracol é uma Unidade de Conservação Estadual, atualmente, ele está inserido, conforme o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza), no grupo de UCs de Proteção Integral. De acordo com o ISA (Instituto Socioambiental), as Unidades de Proteção Integral "têm como objetivo preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto de seus recursos naturais, com algumas exceções previstas, e comportam cinco categorias: Estação Ecológica (Esec), Reserva Biológica (Rebio), Parque Nacional (Parna), Monumento Natural (Monat) e Refúgio de Vida Silvestre (RVS)" (Ricardo, 2004). Nesse sentido, o Parque Estadual do Caracol, enquanto Unidade de Conservação, representa, segundo a legislação vigente1, um espaço territorial com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público com o objetivo de conservação incluindo as águas juridicionais. Além disso, a UC possui seus limites definidos e está sujeita a regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção.

O Parque Estadual do Caracol está localizado no município de Canela, na Encosta Superior do Nordeste, na altitude média de 760m, e distante 7km do centro da cidade de Canela. Devido à altitude, o clima da região é temperado com chuvas bem distribuídas ao longo do ano, sem estação seca. No verão a temperatura média é de 22°C e no inverno de 10,5°C, podendo chegar até 8°C negativos, sendo freqüentes as geadas nos meses de outono, no inverno e início da primavera. A neve ocorre de forma eventual em julho e agosto. Por estar localizado numa região de planalto, o Parque é recoberto em sua parte superior, acima da escarpa da Cascata do Caracol - um dos principais pontos turísticos do Parque -, pela Floresta de Ombrófila Mista ou Mata de Araucária ou ainda Mata Preta, subformação Montana. Enquanto na parte inferior do Parque, base de escarpa, surge a Floresta Estacional Decidual ou Mata Branca, subformação Submontana. Além dessa formação florestal, a região do Parque recebe a influência de áreas campestres pertencentes à Região da Savana (campos) subformação Gramíneos-lenhosos. Apesar de pouco expressiva, essa região foi recomendada como área de preservação permanente em função de ser refúgio de veados e principalmente preás.

Devido ao intenso processo de devastação provocado pelas madeireiras, prioritariamente, a partir dos anos 20 até os 50, a Mata de Araucária, foi praticamente devastada. Contudo, alguns exemplares de araucárias com até 1,50m de diâmetro, podem ser observados junto à borda da escarpa. Além disso, o Parque se encontra em fase de recuperação (Mata Secundária) e é possível observar a subformação Montana, isto é, a Araucária angustifolia formando o estrato emergente seguida pelo sub-bosque onde prevalece o Pinho-bravo, o Bugre e a Capororoca, entre outras. A fauna do Parque é composta, em seus diferentes ambientes, por minúsculos animais invertebrados como insetos, crustáceos e aracnídeos, e vertebrados de porte, dentre os quais, o veado mateiro, o bugio-ruivo, o gato-do-mato-pequeno, o coati, a lontra, a preá, entre outros. Já foram observadas 30 espécies de mamíferos, 130 espécies de aves e diversas espécies de répteis, anfíbios e alguns peixes.

O Projeto Loboguará

O Projeto Loboguará2 está localizado no centro do Parque Estadual do Caracol, e para chegar ao Parque, o visitante pode partir de Porto Alegre através da RS 115, percorrer 120km até Canela, e seguir mais 7km pela RS 466 Estrada Canela - Caracol. A região dispõe de linhas diárias de ônibus saindo de Canela e retornando às 8h15, 12h e 17h30. Atualmente, o Parque do Caracol é o destino turístico mais visitado da Região Sul, contado com cerca de 450 mil visitantes/ano, sendo superado apenas pelo Parque Nacional do Iguaçu. Um dos responsáveis por esse grande fluxo turístico no Parque do Caracol é o Projeto Loboguará, que mantém atividades ininterruptas de ecologia prática e educação ambiental associado ao turismo ecológico de baixo impacto, há mais de uma década. O Projeto ainda se beneficia com o grande número de visitantes que freqüenta outros parques da região, mas o fluxo turístico no espaço do Projeto Loboguará é controlado para não afetar o equilíbrio do ecossistema local. Todo ano, milhares de turistas visitam o Parque da Ferradura - com canyons e paredões de 450 metros de altura -, a Floresta Encantada, o Parque das Corredeiras, a Floresta Nacional do IBAMA, o Parque do Pinheiro Grosso, o Parque das Sequóias e o Parque do SESI. O turismo de aventura desperta o interesse dos visitantes, com atividades como o trekking, o rapel, a tirolesa, o rafting, o pêndulo e a escalada. O Parque do Caracol, onde está instalado o Projeto Loboguará, também possui uma natureza exuberante, tendo como um dos principais atrativos, a Cascata do Caracol, uma queda livre das águas provenientes do Arroio Caracol, que se precipitam por 131 metros. Existem vários pontos de observação da Cascata, dentre os quais, o Observatório Ecológico, que tem uma das vistas mais privilegiadas. O turista pode chegar até à base da Cascata após descer uma escadaria de quase mil degraus.

O Projeto Loboguará foi lançado em 1991, por conta das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, mas, na verdade, o objetivo do Projeto nunca foi privilegiar o estudo específico e exclusivo deste animal. O nome loboguará foi escolhido com um símbolo de preservação e luta ambiental. Ainda existem lobos na região do entorno do Parque, mas, segundo o Livro Vermelho dos mamíferos ameaçados de extinção do IBAMA, hoje em dia, o maior canídeo do Brasil é um animal em extinção. Como essa e outras perdas irreparáveis foram conseqüências do intenso processo de devastação dos recursos naturais da região, o Projeto Loboguará investe na educação ambiental como proposta prática de conscientização ecológica, a fim de que sejam minimizados os efeitos antrópicos sobre o meio ambiente.

Atualmente, o Projeto conta com toda infraestrutura para desenvolver programas de zoologia, botânica e geografia prática, tendo a própria natureza do Parque como material didático à disposição dos turistas e dos alunos de escolas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O Projeto foi criado e é administrado pela Pampeana Produções Educativas e já atendeu, em seus 13 anos de atividades, mais de 12 mil alunos. Por suas trilhas, já caminharam cerca de dois milhões de visitantes. Apesar do grande número de pessoas, há a preocupação constante da administração do Projeto em equacionar o fluxo de pessoas para que não haja impacto à fauna e à flora locais. Os recursos financeiros para dar viabilidade aos programas mantidos pelo Projeto provêm de contratos com a Prefeitura Municipal de Canela e do pagamento dos cursos pelos alunos participantes. Uma característica relevante desta parceria entre o poder público local e a iniciativa privada é que a equipe da Pampeana Produções Educativas é formada por biólogos e profissionais de turismo. Desse modo, as intervenções no Parque Nacional do Caracol sempre seguem parâmetros conservacionistas e sustentáveis, evitando o fluxo do turismo de massa, fator que prejudicaria o ecossistema local.

Um dos problemas que o Projeto Loboguará ainda enfrenta é a falta de consciência ambiental, pois, apesar da beleza do parque estar disponível a todos, alguns visitantes preferem não preservar esse patrimônio natural. Segundo a administração do Projeto isso se deve à própria mentalidade de alguns visitantes, pois ao pagarem o ingresso, sentem-se no direito de desrespeitar as normas da unidade. Já ocorreram problemas com pessoas que arrancaram mudas de plantas para levarem, coletaram pinhão no outono e no inverno e depredaram placas e lixeiras. Até em relação às próprias pessoas que trabalham diretamente no Parque, houve a necessidade de um lento processo de esclarecimento ambiental, pois foram enfrentadas muitas dificuldades para passar aos funcionários novos, instruções mínimas de conduta ambiental como procedimentos de cuidados com as mudas novas de árvores, que anualmente são plantadas em todo o Parque, corte de grama, destino do material recolhido dos gramados, recolhimento correto do lixo, entre outras ações. Para resolver essa questão foi elaborado e posto em prática um curso mínimo para todos que desejam prestar serviços no Parque, como lojistas, jardineiros, restaurante e lancheria. Os resultados são satisfatórios.

De fato, a educação ambiental é um processo de mudança de mentalidade que traz resultados a longo prazo. O mesmo processo se dá com a natureza, pois há necessidade de um longo período de intervenção humana qualificada e responsável, para reverter os danos causados pelo próprio homem. Com o manejo das áreas verdes do Parque Nacional do Caracol e as ações sistemáticas de despoluição dos rios e córregos, vários animais selvagens já estão voltando aos seus habitats, pois a recuperação ambiental permite o reabilitação gradativa das condições naturais da região. A parceria do poder público local com a iniciativa privada permite que a administração do Projeto Loboguará desenvolva uma série de ações integradas entre si, que podem ser assim descritas:

a- criar um novo espaço de apoio escolar, onde a observação e o senso crítico sejam respeitados e valorizados;
b- promover experiências e relações diretas com a natureza para que, através dessas vivências, sejam estimuladas a conscientização ecológica e o respeito à natureza;
c- desenvolver atividades que envolvam atitudes de cooperação e trabalho conjunto e valorizem a pesquisa coletiva, de modo que as informações adquiridas construam como resultado uma proposta de trabalho final;
d- tornar o visitante familiarizado com os mecanismos que compõem os ecossistemas da região, salientando-se a fauna, a flora e elementos abióticos do meio, bem como a integração do homem e suas atividades no ecossistema como um todo;
e- sensibilizar e informar as pessoas a respeito dos problemas que vêm afetando o equilíbrio da natureza, despertando a solidariedade com as gerações futuras;
f- criar as condições para o surgimento de um público informado e crítico, capaz de modificar o seu comportamento frente às questões ambientais;
g- trabalhar a educação ambiental com ênfase na formação do cidadão responsável por sua ação ao meio ambiente, utilizando como recursos a informação e o conhecimento das questões ambientais.

Para alcançar esses objetivos previstos pela administração, o Projeto Loboguará conta com uma série de atividades que associam o turismo ecológico de baixo impacto à educação ambiental e à ecologia prática:

* Cursos - uma das atividades mais importantes para o Projeto Loboguará são os cursos ministrados por profissionais especializados, pois é através deles que os biólogos podem transmitir de forma mais direta e objetiva os princípios da conservação ambiental, respondendo às questões dos alunos no contato direto com a fauna e a flora locais. Alunos de escolas de ensino médio, fundamental e universitários, bem como, o público em geral, são atendidos pelos cursos que duram de um até três dias. Em Canela, os cursos são realizados, principalmente, no Parque Estadual do Caracol. Mas também são utilizadas as trilhas do Parque da Floresta Encantada, Parque da Ferradura, Vale da Lageana, dependendo do tempo do curso e da faixa etária dos alunos. Além desses locais, os cursos são ministrados em outras áreas como: Estação Ecológica do Taim (RS), Bombinhas e Porto Belo (SC), Turvo (RS), Aparados da Serra (RS), Torres (RS) e a região das lagoas costeiras do litoral norte do Rio Grande do Sul, onde são ministrados cursos específicos destinados a estudantes de biologia de várias universidades gaúchas como PUC-RS, Universidade Federal de Santa Maria, URI - Erechim, Universidade Federal de Pelotas, FAPA - Porto Alegre, Universidade Federal de Rio Grande e UCS - Caxias do Sul.

Em todos os cursos as ações de educação ambiental e ecologia prática são associadas à atividade dos passeios, onde há o reconhecimento do meio ambiente e a interpretação das trilhas e da geomorfologia local, fazendo com que seja realizadas atividades do Turismo Ecológico Educativo, voltado para a conscientização ambiental e a formação humanística, tanto dos turistas como dos alunos. Alguns dos cursos abrangem os seguintes temas:

* A Estrutura da Natureza no Parque Estadual do Caracol
* Mamíferos Silvestres do Rio Grande do Sul: Técnicas de Campo, Ecologia e Sistemática
* Como Observar e Interpretar a Natureza
* Observação e Identificação de Aves do Planalto do RS
* Ecologia Prática
* Metodologia de Coleta e Identificação de Fungos Macroscópicos
* Estudos dos Componentes Fitológicos e Micológicos da Floresta Ombrófila Mista no Parque Estadual do Caracol

* Trilhas Interpretativas - o Projeto dispõe de quatro trilhas pelas quais os visitantes e alunos, além de terem acesso a diversos locais do Parque do Caracol, aprendem na prática as particularidades do ecossistema da região, através da identificação da fauna e da flora nativas.

* Trilha do Arroio: 1.400 m
* Trilha da Cutia: 1.100m
* Trilha do Moinho: 180 m
* Trilha do Silêncio: 120m

* Centro de Interpretação Ambiental - na sede do Projeto Loboguará, uma antiga residência dos descendentes da família Wassen construída em 1954 com madeira de pinheiro araucária, é mantida uma exposição permanente sobre assuntos relacionados à natureza, como fotos dos fenômenos meteorológicos que afetam o Parque, um conjunto de pegadas de animais silvestres, exemplares de madeiras de diversas espécies nativas (xiloteca), mostra sobre araucárias e outros materiais educativos.

* Anfiteatro - sob um Plátano (árvore símbolo do Canadá, muito comum na região) com mais de 70 anos de idade, foi construído um mini anfiteatro no meio do gramado, próximo ao Centro de Interpretação Ambiental, onde os alunos recebem os primeiros princípios sobre educação ambiental e as orientações necessárias sobre o Parque do Caracol.

* Programas Estudantis de Ecologia e Educação Ambiental - O Projeto Loboguará oferece quatro programas estudantis, associando o turismo ecológico à educação ambiental, que são desenvolvidos através da observação e aplicação de conhecimentos práticos de ecologia, zoologia, botânica e geografia. Os participantes adquirem um conjunto de informações fundamentais para a compreensão dos principais mecanismos que determinam o funcionamento da natureza e a interação do homem com o seu meio. Uma característica relevante do Programas Estudantis é que eles não se restringem apenas à área do Parque do Caracol, estendendo assim, a área de influência das ações educativas e de turismo ecológico para outras regiões.

* Aparados da Serra e Litoral: duração de 2 dias (14 horas/aula). Desenvolve-se em Cambará do Sul e Torres/RS. Este programa mostra o perfil ecológico e geológico da região dos Aparados da Serra ao litoral, em Torres. Interpreta-se a paisagem através da geomorfologia, geologia e botânica. Destaca-se a fauna e a flora dos campos, matas de araucária, mata atlântica e formações litorâneas.
* Graxaim: duração de 1 dia (6 horas/aula). Pode ser realizado em três locais. a) Parque Estadual do Caracol em Canela/RS; b) Parque da Ferradura, em Canela/RS; c) Parque Nacional dos Aparados da Serra, em Cambará do Sul/RS (Canyon do Itaimbezinho). O Programa Graxaim segue os moldes de uma excursão científica por trilhas demarcadas, estimulando o espírito de equipe e a interpretação da natureza, através da observação e identificação da flora, fauna e geografia das regiões.
* Loboguará: duração de 2 dias (14 horas/aula). Percorre as trilhas do loboguará nos Parques do Caracol, Ferradura e no Vale da Lageana, em Canela/RS, com a identificação da fauna, flora e geografia local, tendo atividades diurnas e noturnas.
* Preá: duração de ½ dia (3 horas/aula), podendo ser realizado em dois locais: a) Parque Estadual do Caracol, em Canela/RS; b) Parque da Ferradura, em Canela/RS.

Além destas atividades internas e externas ao Parque Estadual do Caracol, o Projeto Loboguará executa um manejo técnico adequado das áreas verdes do Parque, criando locais destinados a refúgios de fauna, recomposição da flora original, áreas com trilhas e locais para piqueniques e lazer. A demarcação precisa das diferentes áreas com suas correspondentes atividades é uma medida fundamental, pois as áreas de refúgio estão permitindo um progressivo aumento no número de espécies de animais silvestres residentes no Parque, principalmente, aves, mamíferos, antes raros ou inexistentes. Milhares de mudas de árvores, que são constantemente plantadas desde o início das atividades no Parque, já estão bem desenvolvidas, algumas com mais de seis metros de altura. Desse modo, a recuperação da fauna e da flora da área do Parque Estadual do Caracol é conseqüência direta da prática do turismo ecológico associado as atividades da educação ambiental e da ecologia prática, enquanto resultado da produtiva parceria entre a iniciativa privada e o poder público local.

Segundo a administração do Projeto Loboguará, o Parque Estadual do Caracol passou a ter um conceito diferenciado junto ao visitante, tornando-se uma referência para a criação de outros parques com características ecológicas, conservacionistas e sustentáveis. De acordo com os gestores do Projeto, este fato pode ser constatado pelo volume de correspondência recebida pela Pampeana Produções Educativas (empresa criadora e gestora do Projeto Loboguará) que confirma as características peculiares do Parque, por artigos e matérias publicadas em revistas, jornais e outros meios de comunicação, por pessoas que deixam seus depoimentos na sede do Loboguará e por pessoas que enviam correspondências à Prefeitura Municipal de Canela.

Referências bibliográficas

BENI, Mário. Análise Estrutural do Turismo. Editora SENAC, São Paulo, 1998.

MIGUEL, Serediuk Milano. Unidades de Conservação: conceitos e princípios de Planejamento e Gestão. Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, Curitiba, 1989.

PDTIS - RS, versão outubro/2003 e primeira versão. In: www.al.rs.gov.br e www.canelaturismo.com.br

RICARDO, Fany (org). Terras Indígenas & Unidades de Conservação da Natureza: o desafio das sobreposições. Instituto Socioambiental, São Paulo, 2004.

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* Jornalista, graduado em Comunicação Social. Graduado em Filosofia pelo IFCS/UFRJ e pós-graduado em Filosofia Contemporânea pela UERJ. Participa como jornalista colaborador da Revista Senac & Educação Ambiental. É pesquisador associado do IVT e assistente de pesquisa do Espaço COPPE Miguel de Simoni Tecnologia e Desenvolvimento Humano, onde desenvolve atividades de divulgação científica. E-mail: enrique@espaco.coppe.ufrj.br
1 A Lei n° 9.985 de 18 de junho de 200o regulamenta o art. 225, parágrafo 1°, incisos I, II e VII da Constituição Federal, instituindo o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza). Segundo critérios e normas constantes na Lei 9.985 são criadas, implantas e definidas a gestão das Unidades de Conservação em território nacional.
2 Os dados e as informações acerca do Projeto Loboguará foram coletados em visita ao Projeto localizado no Parque Estadual do Caracol, em Canela/RS, e fornecidos pelo coordenador do Projeto e diretor da Pampeana Produções Educativas (criadora e gestora do Projeto), o biólogo Vitor Hugo Travi, e o coordenador de campo, o biólogo Daniel Schlieper.


 
 

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