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Imigrantes brasileiros nos EUA

Nada do que a realidade mostra se assemelha àquilo que a ficção apresenta na telinha. A força de convencimento da ficção é tanta que se alastrou no Brasil a versão de que somente ilegalmente é possível vir morar aqui nos Estados Unidos. Foi com cara de imenso espanto que ficou uma manicure em São Paulo, recentemente, quando soube que a minha mulher reside aqui legalmente, com o visto apropriado.



BOSTON - Está se tornando cada dia mais grave o problema da imigração ilegal de brasileiros nos Estados Unidos. O quadro se apresenta com cores muito mais sombrias do que o colorido e o glamour que muitos imaginam existir, baseando-se apenas nas informações transmitidas pela novela da TV Globo que trata do assunto.

Nada do que a realidade mostra se assemelha àquilo que a ficção apresenta na telinha. Não se sabe de aventura real de jovem bonita, imigrante ilegal, que tenha sido transportada, através da fronteira dos Estados Unidos, dentro de caixa de mudança e que, em meio às irreais estrepolias, tenha sido descoberta na sala do apartamento de um americano com cara de “babaca” e que com ela vem a se casar para regularizar a situação.

A força de convencimento da ficção é tanta que se alastrou no Brasil a versão de que somente ilegalmente é possível vir morar aqui nos Estados Unidos. Foi com cara de imenso espanto que ficou uma manicure em São Paulo, recentemente, quando soube que a minha mulher reside aqui legalmente, com o visto apropriado. “Ah é, então todo mundo não tem que sofrer o que a Sol sofreu para chegar a Miami? Pode entrar sem problemas?”, foi o que perguntou abismada.

A realidade é muito diferente da ficção e já está passando da hora de o governo brasileiro esquecer um pouco os problemas de mensalão, caixa 2, dirceus e jeffersons e resolver se mexer em busca de uma solução.

Somente nesta região do Nordeste dos Estados Unidos, a Nova Inglaterra, onde está a cidade de Boston, calcula-se que desde o início de 2003, coincidentemente quando começou o governo do presidente Lula, o número de brasileiros imigrantes ilegais que aqui vivem tenha aumentado em pelo menos um terço, em relação ao total anterior, que já era alarmante. Da correlação entre o governo e a debandada, falo no final.

Até o final de 2002 calculava-se que, durante mais de vinte anos, desde quando os mineiros de Governador Valadares descobriram Boston, viviam na área aproximadamente 300 mil brasileiros em situação irregular. Hoje o número seria de, pelo menos, 400 mil.

Não quero aqui analisar as causas da “corrida para o Norte”. O certo é que o fluxo está se tornando preocupante e, diariamente, chegam grandes números de brasileiros que conseguiram transpor a nado o rio que marca a fronteira entre os Estados Unidos e o México e, ainda, atravessar, com sede e calor de mais de 40 graus, o deserto que existe no caminho.

Também é alarmante o número daqueles que morrem na aventura.

A imprensa norte-americana, com muita freqüência, vem dando destaque à situação da imigração ilegal, revelando a gravidade do problema.

Na semana passada os governos de dois Estados situados na fronteira com o México e que são portões de entrada dos imigrantes ilegais, o Novo México e o Arizona, decretaram “estado de emergência”. A providência, conforme a legislação, autoriza as autoridades a adotar uma série de medidas excepcionais, além de obrigar o governo federal a carrear verbas para superar o que já consideram uma calamidade.

Enquanto as autoridades procuram aumentar a guarda da fronteira e os efetivos de policiais nas cidades próximas à divisa, fazendeiros estão se armando para enfrentar o problema dos imigrantes que, sedentos e famintos, invadem as fazendas e causam prejuízos. A imprensa tem dado destaque à formação de milícias, os chamados “Minutemen”. São grupos de voluntários que, nas horas de folga do trabalho, armados até os dentes, de carro ou a cavalo, percorrem as regiões próximas à fronteira, em busca de imigrantes ilegais.

Os números divulgados pela imprensa são assustadores e, na realidade, as autoridades norte-americanas estão, como diz a gíria, “no mato sem cachorro”.

Há uma absoluta impossibilidade de prender todos os imigrantes ilegais que são encontrados. No país inteiro existem 19.500 vagas nas prisões, destinadas àqueles que entram ilegalmente nos Estados Unidos e são presos. Ante a impossibilidade de manter presos sequer aqueles que são flagrados próximo às fronteiras, as autoridades sabem que existem no país algo em torno de 11 milhões de “indocumentados”, oriundos dos mais diversos lugares do mundo, e que circulam livremente.

Integram o imenso contingente de mão de obra barata, que se encontra nos mais diversos setores. Presos que fossem, literalmente o país entraria em colapso em muitos setores essenciais. Daí a tolerância, a “vista grossa” das autoridades, que sabem onde os “ilegais” estão, mas nada fazem.

A imprensa tem dado destaque, principalmente, aos problemas criados com o fluxo de imigrantes através da fronteira seca com o México. Ante a impossibilidade de uma solução efetiva, as autoridades adotaram uma alternativa irrealista e que, no mínimo, significa pretender “tapar o sol com uma peneira”.

Para pelo menos minimizar o problema, os governos dos Estados Unidos e do México fizeram um acerto: todos os mexicanos que são presos depois de entrar ilegalmente, são levados de volta para o México. O retorno é imediato, independentemente de formalidades, processos, juízes ou quaisquer outras autoridades.

No entanto, os números dos “não mexicanos” _ como são conhecidos todos os demais imigrantes ilegais _ são assustadores e mostram uma duríssima realidade. Somente no atual ano fiscal, iniciado em outubro de 2004, até o início de agosto, foram presas 1,02 milhão de pessoas que ingressaram ilegalmente nos Estados Unidos através da fronteira com o México. Deste total, 135.097 eram os chamados “não mexicanos” e que ficaram nos Estados Unidos, em situação irregular.

Ora, se em dez meses o número de “não mexicanos” ultrapassou os 135 mil, durante os doze meses do exercício de 2004 (outubro de 2003 a setembro de 2004) foram 75.392 e no exercício de 2003 o total atingiu 49.545 pessoas. Ou seja: de um ano para o outro o número quase tem dobrado.

Aqui cabe um parêntese: os números usados são aqueles fornecidos pelas autoridades, obviamente relativos aos imigrantes que foram presos, número que não ultrapassa o percentual de 10% do total de pessoas que ingressam ilegalmente no país.

Quanto aos brasileiros _ integrantes da classificação geral de “não mexicanos” _ eles e as gangues de “coiotes” contratados para transportá-los através da fronteira, passaram a adotar uma nova estratégia para se ver livres das autoridades norte-americanas, quando flagrados logo depois de passar a divisa, garantindo a permanência no país.

Normalmente, flagrados e presos, os “ilegais” são levados a uma corte, onde são indiciados pelo crime de ingresso ilegal no país. No entanto, ante a impossibilidade de manter todos presos, de imediato _ agora independentemente da fiança que antes era exigida _ o juiz coloca todos eles em liberdade. Apenas assinam o compromisso de comparecer a uma audiência, para a qual ficam intimados na ocasião.

Obviamente, pouquíssimos são que comparecem. Por exemplo, na Corte de uma das cidades próximas à fronteira, com considerável movimento no setor, pelo menos 98% daqueles imigrantes presos e postos em liberdade não comparecem à audiência para a qual foram intimados.

A estratégia, no momento, não é mais fugir da guarda da fronteira e enfrentar os perigos de atravessar os desertos. Todos até facilitam a prisão. Descobertos pela polícia, são levados confortavelmente de carro à Corte e dali, adquirida a liberdade, viajam de forma mais tranqüila e segura para os pontos de destino final.

Ninguém se preocupa, no entanto, com a situação de ilegalidade que, no caso, é agravada. Isto porque, quando flagrados depois de atravessar a fronteira, são indiciados por um crime, apenas, relativo ao ingresso ilegal no país. No entanto, sumindo e não se apresentando para a audiência, são considerados autores do crime de desobediência à ordem judicial. Na hipótese de prisão, a situação se complica mais ainda.

As estatísticas mostram que, entre os “não mexicanos”, o número de brasileiros é o maior. Para se ter uma idéia, durante o mês de julho último, somente em uma faixa de aproximadamente 160 quilômetros, à margem do Rio Grande, próximo às cidades fronteiriças de Tucson e Laredo, foram presos 757 brasileiros. Em uma região próxima, a média é de 14 por dia. No entanto, a média mais elevada é relativa àqueles brasileiros presos nas proximidades da cidade de Brownsville, que compreende uma faixa de fronteira de 20 quilômetros. Os 202 agentes que atuam na área prenderam, neste ano, uma média de 60 brasileiros por dia.

Atualmente há uma pressão muito grande da população que vive próximo à fronteira, no sentido de que serem adotadas, pelo governo federal, medidas mais enérgicas para conter a imigração ilegal. Alegam que os “indocumentados” – eufemismo muito usado para encobrir o frio “ilegal” – causam muitos prejuízos.

Além daquilo que retiram das fazendas, como gado e produtos alimentícios, há, ainda, o problema de saúde. Como muitos dos imigrantes que chegam às cidades mais próximas da fronteira enfrentaram imensas dificuldades, seja na travessia de rios,seja atravessando o deserto,é grande o número daqueles que procuram assistência médica em hospitais da região.

O problema chegou a tamanha gravidade que, no Estado do Arizona, em recente plebiscito, a população autorizou os dirigentes de hospitais a deixar de atender pessoas que não comprovem estar legalmente no país, ou que estejam correndo risco de vida conforme atestado pelos médicos locais. Isto porque, anteriormente, independentemente do estado imigratório, a omissão de socorro médico, inclusive quando não havia risco de vida, era considerada crime.

O quadro, como se vê, é negro. A realidade é assustadora. No entanto, alarma também acompanhar a total omissão do governo brasileiro. Não se tem conhecimento de quaisquer providência para tentar equacionar e resolver o problema.

Afinal, tendo-se em vista que o presidente Lula não tem qualquer participação em toda a sujeira que se apura no Brasil, como ele diz, nunca viu, nada sabe e nada escutou, poderia voltar a atenção para os imigrantes. Grande número deles são brasileiros que viviam nesta região, venderam tudo que tinham aqui e voltaram para o Brasil acreditando nas promessas da campanha presidencial. Agora voltam em número assustador, frustrados, desiludidos e decepcionados. Esta uma das causas do aumento do fluxo, dizem os entendidos.

 
Josué Maranhão é jornalista e advogado aposentado. Iniciou-se como jornalista no Nordeste, na década de 1950. Atuou durante 15 anos, tendo exercido diversas funções em redações de jornais. Formado em direito pela UF-RN, advogou em Natal e foi juiz em Recife, nos anos 1960 e 70. Em São Paulo, trabalhou como advogado durante mais de 20 anos. Mudou-se para o exterior em 1996. Morou na Indonésia e na Malásia. Reside em Boston (EUA) desde 1998, quando voltou ao jornalismo. É autor de Acta Trabalhista (Acta Soft, 1996) e de Jacarta, Indonésia (Alameda, 2005). É colunista de Última Instância desde o lançamento da revista.


 
 

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