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O Turismo baiano e as novas tecnologias da informação - Parte III





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Cultura e Turismo como Cluster Econômico da Bahia

O produto turístico está conformado pelos atrativos naturais, artificiais e humanos. Estes últimos configuram a denominada hospitalidade, talvez mais importante que os dois anteriores. Outro aspecto importante são as facilidades que se referem ao alojamento em todas as suas formas; à indústria de alimentos e bebidas; ao entretenimento e diversão; às agências de viagens; às locadoras de automóveis e, de forma especial, ao pessoal capacitado disponível para atender adequadamente aos turistas.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), no estudo "Cresce Minas - um projeto brasileiro" (Belo Horizonte: FIEMG, 2000), indica alguns aspectos que podem se tornar grandes desafios e refletir-se negativamente na implantação de um cluster de turismo, dificultando a saída de uma região do ciclo vicioso em que possa se encontrar. São eles:

pouca cooperação/articulação na cadeia;

baixa capacitação administrativa e gerencial;

treinamento/cursos técnicos ausentes/defasados;

cadeia incompleta/fortes gargalos;

escopo de produtos e serviços oferecidos muito reduzido;

tecnologia defasada/pouco difundida;

excessiva verticalização da cadeia.

Em um sistema turístico, estruturado sob essas características, uma grande diversidade de bens e serviços é produzida e ofertada no mercado, tanto para os turistas como também para a comunidade residente, sendo grande a variedade de empresas, entidades, associações de classes, e, portanto, de interesses individuais e corporativos, na maioria dos casos conflitantes entre si, não havendo um espírito de verdadeiro associativismo e uma prática consolidada de cooperativismo.

O fato adicional de predominarem nesse cenário empresas de micro e pequeno portes, de estrutura familiar, realça a dificuldade na apreensão e adoção como cultura empreendedora do tripé cooperação / inovação / competição.

A dispersão resultante dificulta trabalhar a cultura e o turismo na perspectiva de um cluster de crescimento econômico, o que é reforçado pelos diversos aspectos peculiares às atividades culturais e turísticas, relacionados à ampla e genérica dimensão conceitual e metodológica que as caracterizam, nos orientando para tratá-las, em termos de complexo econômico, enfatizando o enfoque de "subconjuntos" espacializados.

Esses "subconjuntos" seriam os pólos turísticos do Estado, constituídos em atendimento aos requisitos para o PRODETUR II, exigidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), conforme definição da equipe da Superintendência de Investimentos em Pólos Turísticos (SUINVEST), unidade orgânica da Secretaria da Cultura e Turismo do Governo da Bahia, gestora do PRODETUR. (Figura 1).

QUADRO 2 - ESTRUTURA DO CLUSTER DE CULTURA E TURISMO DA BAHIA
Apresentam-se, também, o Quadro 2 e a Figura 2, que permitem visualizar uma aproximação do cluster de entretenimento da Bahia, aqui denominado "Cluster de Cultura e Turismo", em cujo contexto se verifica a presença de vários dos elementos negativos anteriormente apontados. O Quadro 2 traz um esquema da Estrutura do Cluster de Cultura e Turismo da Bahia e a Figura 2 um exercício de elaboração do seu entorno competitivo, indicando seus elementos positivos e negativos, dentro das categorias que compõem o Modelo do Diamante de Porter.




QUADRO 2 - ESTRUTURA DO CLUSTER DE CULTURA E TURISMO DA BAHIA
 

Perspectivas do Turismo em Salvador - Ênfase no Planejamento e na Articulação Institucional Estado - Município

Os aspectos conjunturais e estruturais que conformam e delineiam o cenário relativo ao processo do desenvolvimento social e econômico e à inserção e realidade do turismo no seu contexto, no âmbito nacional, têm rebatimento na Bahia, refletindo no comportamento e tendências do turismo em Salvador, que tem no segmento doméstico o seu vetor dinâmico de expansão.

A importância do turismo doméstico sobre o internacional foi reforçada a partir dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Especialistas da Secretaria de Turismo do Governo do México - SECTUR-MX, analisam que, a partir desse momento, o turismo passou a enfrentar um novo cenário de desenvolvimento, começando a reestruturar-se em torno de uma "nova normalidade", afetado por profundos conflitos e tensões em seu entorno.

Como fontes desse novo cenário, além dos atentados de 11 de setembro, acrescem-se: as fraudes contábeis de grandes corporações americanas e multinacionais, a instabilidade do mercado de capitais / bolsas de valores, a queda generalizada de confiança do consumidor, o desaquecimento e fraco desempenho das principais economias mundiais, a luta contra o terrorismo, a guerra no Iraque, além do surgimento do vírus da pneumonia atípica asiática.

Em seu conjunto, esses fatores tiveram, como conseqüência, a transformação do mercado turístico, expressada em termos de:

adiamento de planos de férias e viagens, ou decisão e realização de viagens de última hora;

férias e viagens próximas ao entorno habitual de residência, o que fez com que os destinos domésticos passassem a ser favorecidos nas decisões de viagem - em decorrência, passaram a diminuir as viagens de longa distância;

preferência pelo deslocamento através de meios de transporte de superfície (automóvel ou trem);

aumento de vídeo conferências como elemento substituto a determinadas viagens e reuniões de negócios.

Esses elementos, característicos da "nova normalidade" do turismo internacional, afetam o turismo brasileiro, impactando também na dinâmica dos seus diversos destinos situados em todo o país, a exemplo da Bahia.

Para o alcance, portanto, da macrodimensão almejada, os planejadores e formuladores de políticas voltadas para o desenvolvimento turístico de Salvador, devem concretizar a condição oferecida pelo turismo interno de propiciar a efetivação de reformas estruturais que, ao lado do retorno econômico, possibilitem uma melhor qualificação cultural e um maior bem-estar social para a população soteropolitana.

São de responsabilidade da iniciativa privada, os investimentos correspondentes à implantação dos equipamentos, à fabricação dos produtos e ao fornecimento dos serviços, além daqueles necessários à formação da mão-de-obra a ser mobilizada e envolvida no atendimento aos turistas.

Cabe ao poder público, por sua vez, instalar e conservar as infra-estruturas básicas e necessárias ao turismo, preservar os atrativos naturais, além de dotar a cidade daqueles atrativos culturais e de entretenimento que permitam cultivar e cativar as correntes turísticas demandantes do "produto Salvador".

Neste caso, há dois aspectos a destacar: o primeiro, que tais infra-estruturas e atrativos sejam ou se tornem de uso comum e influenciem o dia-a-dia da população local; o segundo, que para sua implementação será necessário, por um lado, congregar institucionalmente as áreas-chave concernentes ao turismo e seu entorno, a cultura e o lazer, e, por outro lado, considerar o turismo como um agregado de atividades produtivas e de serviços, contemplando suas interações e complementariedades com os demais setores componentes do sistema sócio-econômico local.

O aumento final da renda disponível, derivado da seqüência de consumos intermediários realizados em função do consumo do "produto turístico Salvador", poderá provocar o aparecimento ou a ampliação de uma parcela de renda pessoal que resulte disponível para viagens e lazer, por parte da população local.

Dessa forma, em contraponto a um "cinturão privativo de lazer sofisticado", seria estimulada a criação de um "cinturão democratizado de lazer e cultura", integrando os turistas à comunidade local, num convívio harmonioso e com rica troca de experiências, contando com uma oferta de opções diversificadas para o consumo lúdico e satisfatório de atrativos e equipamentos, de bens e serviços.

A Importância do Sistema de Informações para o Planejamento do Turismo

A política para o desenvolvimento turístico local/regional está sustentada em quatro âncoras básicas: infra-estrutura, marketing, qualidade de produtos e serviços / capacitação de recursos humanos e tecnologia da informação. Dentro da estratégia de planejamento do desenvolvimento do turismo baiano, as ações e investimentos governamentais têm, como elemento indispensável à sua consecução eficaz e exitosa, um pilar central representado pela implantação do Sistema Integrado de Formação e Informação Turísticas (SINFITUR).

O SINFITUR tem como objetivos:

sistematizar e adequar o volume de informações gerenciais;

suprir o sistema turístico de informações ágeis e confiáveis;

subsidiar as decisões relativas aos investimentos públicos e privados;

acompanhar as relações de mercado;

subsidiar as projeções de longo prazo.

A "missão" do órgão gestor do SINFITUR consistirá em fornecer informações e subsídios técnicos sobre o turismo local/regional para a área governamental, iniciativa privada e outros usuários de informações turísticas, a partir do acompanhamento das estatísticas e do esforço de investigação da atividade turística no correspondente âmbito espacial de influência, mantendo a ética e buscando garantir a veracidade das informações coletadas, tratadas e disseminadas.

Para desempenhar esta missão, esse órgão deve ter como principais atribuições:

promover a elaboração de pesquisas sobre a oferta e demanda turística da região;

planejar e realizar estudos sobre as características dos principais mercados emissores e concorrentes;

desenvolver estudos com vistas à determinação de procedimentos metodológicos para a avaliação do impacto social e econômico do turismo no âmbito local/regional, procurando dimensionar sua eficiência na geração de emprego e renda;

elaborar e realizar periodicamente estudos sobre o perfil do turista;

proceder a tabulação e análise de dados estatísticos.

O processo de planejamento relaciona os níveis político decisório e de elaboração técnica. O primeiro deles com o objetivo de atingir o público-alvo com eficácia, precisa conhecer a realidade do mercado e planejar o posicionamento futuro, necessitando para tanto de uma base de dados e de fatos tecnicamente confiáveis. O segundo, através dos resultados/produtos do trabalho técnico e científico de estudos e pesquisas, deverá conformar a base de dados e de fatos que subsidiarão as ações de marketing e investimentos adotadas/implementadas pelo centro de decisão e do poder político-econômico.

A interdependência estrutural dos dois níveis é cristalina. Assim, é recomendável o seu reconhecimento e a adoção de medidas para eliminar o distanciamento entre eles. Investir para formar, manter e apoiar um quadro técnico qualificado, atualizado e capacitado é o caminho da solução, principalmente considerando que a informação e o conhecimento são, no presente cenário de globalização ou mundialização, recursos estratégicos e vitais para a sobrevivência competitiva vitoriosa de pessoas, empresas, instituições, destinos turísticos e nações.

Esta deve ser uma preocupação central dos formuladores de políticas públicas, tendo em vista a importância estratégica de se dotar a capital baiana de um Sistema Integrado de Formação e Informação Turísticas, visando subsidiar o planejamento do desenvolvimento local sustentável, tendo no turismo uma atividade motora de relevo nesse processo.

Considerações finais

Desde o final do século passado, o desenvolvimento de um destino turístico está cada vez mais atrelado ao avanço de novas tecnologias de informação e de comunicação. Para o turismo, a informação é básica em todas as instâncias da cadeia de valor, recurso vital e estratégico, que se deve, principalmente, à sua oferta de produtos / serviços intangíveis. Para cada pessoa que embarca para um destino turístico, há uma grande quantidade de informações processadas e comunicadas. A competição para atrair turistas já não é entre cidades próximas e, sim, entre cidades de diversos países que competem pelas motivações ofertadas aos turistas.

O turismo mundial vem evoluindo a partir das exigências de mercados globalizados e do desenvolvimento tecnológico. Os turistas, principalmente os europeus e norte-americanos, vêm elegendo seus destinos através do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Segundo COSTA (2001, p.108), "o Turismo e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) constituem duas das maiores e mais dinâmicas indústrias do mundo. As TIC tornaram-se um dos mais importantes determinantes da competitividade do sector do Turismo."

A importância das TIC é grande pois considera-se que para se ter um destino turístico virtual, é necessário não só a informação geral sobre o contexto geográfico, ambiental, econômico e social do país e de uma região, como também dados muito específicos e informações exaustivas a respeito do sistema de acessibilidade até o destino e as conexões para seguir viagem para outras localidades. Além disso, deve-se disponibilizar as facilidades para desfrutar a estadia, movimentar-se e interagir com os habitantes, dados sobre os serviços públicos que garantem segurança e saúde, assim como os serviços de comunicação para manter-se em contato com seu local de origem.

Nesse contexto, a profissionalização da atividade de "intermediação da inovação" está criando um novo tipo de profissional: o corretor do conhecimento sobre os clientes - inomediário - que atua de forma terceirizada e utiliza a internet como ferramenta (SAWHNEY, PRANDELLI e VERONA, 2003, p. 108)

Em pesquisa realizada pela Júpiter Communications - uma empresa especializada em pesquisas de mercado - nos EUA, em 1996, as viagens representaram 50% das transações realizadas na WWW.

Os turistas que realmente podem deixar recursos num destino ou produto, são aqueles que recorrem aos avanços tecnológicos, como a Internet e CD Rooms para conhecerem melhor os destinos que pretendem visitar. O uso desses recursos tecnológicos torna o mundo ainda menor, no qual irão sobreviver aqueles que tiverem uma competência global, com as TIC como fator determinante.

Num crescimento mundial projetado da Internet, de 2002 para 2003 houve um incremento de aproximadamente 14%, o que significa cerca de 70 milhões de novos usuários, dos quais, 4 milhões, na América do Sul.

Por outro lado, as inovações tecnológicas requerem um alto investimento das empresas turísticas ou do governo. Isto requer dos empresários uma oferta de formação aos trabalhadores desta área, a fim de que possam acompanhar os recursos tecnológicos utilizados como também atender às demandas desses novos clientes que navegam no ciberespaço.

No mundo, a partir de 1970, as Companhias aéreas passaram a utilizar sistemas de informática para a venda de passagens, o que mais tarde foi repassado para as agências que passaram a trabalhar também com esses sistemas. Os hotéis, principalmente as cadeias mundiais (51% já recebem reservas através da Internet) ou nacionais, já vêm trabalhando com vendas pela Internet. O grande desafio está em, de forma cooperativa e integrada, fazer este trabalho para vender o destino Salvador.

Esses sistemas de informação são importantes não só para os turistas tomarem suas decisões mas, também, para o planejamento e a gestão do turismo. A informação on line, completa e atualizada torna-se um diferencial competitivo para um destino turístico. Sobre o uso da Internet, COSTA (2001, p. 125), chama a atenção que "o espaço do mercado virtual não vai substituir o mercado tradicional mas complementá-lo, enriquecendo-o. A nova tecnologia e o comportamento do consumidor em mudança, criarão conceitos de marketing novos e diferentes".

O turismo na Bahia, em Salvador particularmente, vem tendo um grande incentivo para o seu desenvolvimento. Todavia, além dos aspectos citados anteriormente, temos que acelerar a entrada de Salvador, como produto turístico, nos diversos recursos tecnológicos, a fim de que se possa alcançar objetivos, como o do Governo do Estado da Bahia, de transformá-lo no primeiro pólo turístico brasileiro em 2010. Para isso, é necessário que se faça um diagnóstico da situação quanto à utilização de recursos tecnológicos pelo trade local e rapidamente compará-lo com a situação dos países mais avançados na aplicação de novas tecnologias ao turismo. Quando foi criado o Cluster do Entretenimento, Cultura e Turismo da Bahia, o objetivo principal foi fazer com que ocorresse um trabalho integrado do trade local para o desenvolvimento do potencial turístico do Estado, no qual Salvador tem posição de relevo.

Como vantagens, as tecnologias da informação e de comunicação trarão diminuição de custos, melhoria da comunicação no município e também com outras localidades do país e do mundo e um substancial incremento do conhecimento das diversas organizações. Daí, pode-se considerar que há três efeitos bem definidos do uso das TIC: a) novos modelos de intermediação mais eficientes do que os atuais; b) crescente relação direta entre os administradores de serviços e seus clientes; e c) personalização e melhoria da proposta ao cliente.

O desenvolvimento de redes, como está acontecendo na Bahia com o projeto do Bahia.com.br (Figura 3), e como aconteceu com o projeto em consórcio, o TourIST, na Europa, irá permitir a oferta de produtos turísticos inovadores e especializados. Este consórcio foi criado, entre sete regiões européias (Burgenlan, Guadeloupe, Hampshire, Lapland, Madeira, Valle d´Aosta e Västerbotten), com o objetivo de aumentar a produtividade dos profissionais do turismo e melhorar a satisfação dos turistas. Isso seria feito através das novas TIC, principalmente favorecendo a cooperação entre as pequenas e médias empresas, que são maioria no setor turístico.

Percebe-se, portanto, que o turismo, incorporando e interagindo com as novas tecnologias da informação, numa estrutura de rede, terá reforçado o seu relevante potencial de agregação de valor e adensamento das cadeias produtivas que integram a estrutura econômica da Bahia e da sua capital, a cidade do Salvador.

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 O Turismo baiano e as novas tecnologias da informação - Parte I
 O Turismo baiano e as novas tecnologias da informação - Parte II
 
 
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